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Geovaldo Miranda foi premiado pela UFBA por seu invento
Foto: Hugo Santos
(Com informações do Radar 64)
Um invento, que contribuiu para diminuir a poluição sonora em Eunápolis, provocada, em sua maioria, por carros de propaganda, acaba de ser reconhecido pela UFBA.
Somblock, desenvolvido pelo técnico em eletrônica e em telecomunicações Geovaldo Miranda, 44 anos, foi premiado pela Universidade Federal da Bahia.
O criador, que é pernambucano, mas mora em Eunápolis há 26 anos, recebeu o prêmio de 'Invento Independente', promovido pelo Núcleo de Inovação Tecnológica da UFBA.
A invenção surgiu de uma necessidade. Em 2007, a justiça de Eunápolis acatou ação civil pública proposta pelo Ministério Público, proibindo a circulação de carros de som.
A proibição, que durou oito meses, gerou desemprego na cidade. O promotor de Justiça João Alves Neto, autor da ação, precisava encontrar uma solução para resolver o impasse e convocou Geovaldo.
'Na época, o promotor me pediu para procurar algum equipamento que fizesse esse papel. E descobri que a solução simplesmente não existia. O promotor disse o filho é seu. Invente alguma coisa', lembra, aos risos. 'Então, criamos o somblock, que está resolvendo vários problemas de poluição sonora', prossegue.
'Com 22 dias já estava pronto o protótipo, que funcionava, mas era grande demais. Media 40x40 centímetros. Gastamos mais 60 dias para fazer o definitivo, que tem 7x25'.
Instalado em carro de som, o aparelho tem o poder de desligá-lo, caso o volume ultrapasse a quantidade de decibéis, que em Eunápolis é de 50.
'O somblock é um equipamento que limita os decibéis do ambiente. Se o usuário quiser que a partir de sete metros só passe 50 decibéis, é só ajustar. Hoje, todos os carros de som são obrigados a usar', informa.
A preocupação com o meio ambiente também foi levada em consideração durante o desenvolvimento do equipamento, que é fabricado na própria oficina de Geovaldo e é o que se pode ser chamado de ecologicamente correto.
'Pensei sobre o destino do equipamento depois que ele pifasse, já que ele não poderia ser descartado no lixo, para não poluir o meio ambiente. Então, tive a idéia de desenvolvê-lo do tamanho de um tijolo, já que ele tem de ser petrificado, senão não funciona corretamente. Fiz de uma forma que ele pudesse ser usado na construção civil', frisa o inventor.
O aparelho fez tanto sucesso que hoje não se limita mais aos carros de som de Eunápolis. 'Outros municípios, como Porto Seguro, aderiram. Hoje já usam o somblock, casas de shows, bares, boates, academia. Todos usam e tem resolvido. Acabaram as queixas de vizinhança com relação a som alto', orgaulha-se.