DIA 14 DE JUNHO, DOMINGO
Tasso Franco , da redação em Salvador |
11/06/2026 às 21:09
Samba Junino
Foto: Igor Santos
O Samba Junino, uma das mais tradicionais manifestações culturais de Salvador, será um dos destaques da programação do Arraiá da Prefs neste domingo (14), a partir das 19h, na Rua Chile, no Centro Histórico. Embalado pelo ritmo do samba duro, o evento vai transformar o espaço em uma grande roda de celebração da cultura popular, da identidade baiana e da resistência afro-brasileira.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador desde 2018, o Samba Junino mantém viva uma tradição que atravessa gerações e transforma as ruas dos bairros da capital em espaços de convivência, pertencimento e valorização da cultura local. Com o objetivo de fortalecer e preservar essa manifestação cultural, a Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), realizou o edital Samba Junino Ano VIII, que destina R$ 400 mil para 32 projetos selecionados com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
Entre as categorias contempladas está a de Mestres, voltada para a valorização dos detentores dos saberes e guardiões da tradição do Samba Junino. Entre os cinco selecionados estão Gilberto Leva Eu, Josemário Bafafé e Vagner Silva. Gilberto destaca que seu principal compromisso é manter viva a tradição e garantir que ela seja transmitida às novas gerações. “O nosso começo foi em família, entre primos, irmãos e amigos de infância. Vivemos a nossa realidade por meio dos ensinamentos dos nossos avós, nos terreiros de candomblé, nas rodas de capoeira e nos espaços da cultura popular”, afirma.
Para ele, a permanência do Samba Junino ao longo das décadas é resultado do esforço coletivo de pessoas comprometidas com a cultura popular. “A cultura do Samba Junino resistiu graças ao esforço coletivo de muitas pessoas que acreditaram nesse trabalho”, completa.
Um dos pioneiros do movimento, Josemário Bafafé relembra a trajetória iniciada em 1978, quando participou do primeiro festival da manifestação, que contava com apenas três grupos. “É um privilégio para mim, nestes 48 anos de trajetória, ser lembrado como mestre”, destaca. Já Vagner Silva afirma que o desafio atual é adaptar o Samba Junino às transformações da sociedade sem perder sua essência. “Usamos as novas ferramentas da modernidade como aliadas das nossas práticas ancestrais, mantendo vivas as raízes do Samba Junino”, ressalta.