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PRAÇA SÃO BRAZ E CAMPO GRANDE RECEBEM ESPETÁCULO FALA IBEJI

1 e 2 de abril
Da Redação ,  Salvador | 30/03/2026 às 18:20
Fala Ibeji
Foto: IsabELA bUGMANN

Com elementos do candomblé, da cultura popular nordestina, as festas de Cosme e Damião e o sincretismo religioso como estratégia histórica de resistência, o espetáculo infantojuvenil musicado “Fala, Ìbejì” continua a ocupar praças públicas em Salvador. Depois de estrear no Largo do Papagaio (Ribeira) e se apresentar na Arena Pronaica (Cajazeiras), o espetáculo chega a Praça São Brás (Subúrbio Ferroviário, 01 e 02 de abril) e ao Largo do Campo Grande (Centro Histórico, de 04 a 12 de abril).

A obra integra o projeto “Dupla de Dois: experimento gastronômico-performativo para as infâncias”, com realização da COOXIA Coletivo Teatral e produção da DAGENTE Produções. Com direção de Guilherme Hunder e texto/dramaturgia de Luiz Antônio Sena Jr., “Fala ÌbejÌ” dá continuidade a uma pesquisa cênica afrocentrada de ambos os profissionais dedicada às infâncias, à tradição oral e às pedagogias do terreiro

A encenação é bilíngue — ou mesmo trilíngue, logo que a dramaturgia é composta por palavras em português, yorubá e tradução em Libras. A LIBRAS é parte da própria cena, integrada à performance do elenco, formado por Anderson Danttas, Ane Ventura, Fernanda Silva, Gabriel Nafisi e Larissa Libório.

Mito ancestral, favela contemporânea

A dramaturgia é livremente inspirada em itans da tradição iorubá, especialmente em narrativas que giram em torno dos Ìbejì, os orixás gêmeos. A trama se desenvolve na casa de Mãe Mainha, uma matriarca respeitada, enquanto todos se preparam para o caruru em homenagem aos gêmeos. 

No entanto, a chegada da Morte, chamada apenas de “Ela”, pois seu nome não deve ser pronunciado, ameaça interromper a celebração e silenciar a festa. Entre risadas e mistérios, a meninada — Menino, Menina, Guri e Erê — percebe que será preciso coragem, união e muita brincadeira para enfrentá-la. Afinal, “essa danada não pode   estragar a festa!”. 

As crianças com a ajuda de Mãe Mainha lançam o desafio: ela só poderá ficar no Caruru se conseguir dançar até o tambor parar — o que nunca acontece, já que os irmãos se revezam na batida e, por serem gêmeos, não percebe que está sendo enganada.  No espetáculo, a relação com a Morte é um subterfúgio para falar sobretudo a respeito de tradição, memória e continuidade. 

Cultura Popular

Toda a visualidade do espetáculo - cenário e figurino - tem como referência simbólica as feiras populares, berços de cultura viva. A cenografia concebida por Erick Saboya soma-se  aos  acessórios de cena concebidos por Elis Brito e aos figurinos concebidos pelo diretor, Guilherme Hunder. Caixotes plásticos de feira, panelas e bacias de ferro, sacolas de palhas e utensílios domésticos, são alguns dos elementos. Os figurinos dialogam com sacos de feira, quiabos e tecidos coloridos, mesclando tradição e urbanidade numa paleta que une os tons do dendê às cores vibrantes da cidade.

As composições inéditas são de Ray Gouveia, que ao lado de Felipe Pires também assina a direção musical. As letras são de Luiz Antônio Sena Jr.. A trilha tem como concepção poética os ritmos afro-brasileiros. O samba ancestral de terreiro, o pagode baiano e os atabaques dialogam com a pulsação urbana dos beats eletrônicos, criando uma musicalidade híbrida, orgânica e dançante.

O projeto “Dupla de Dois: experimento gastronômico-performativo para as infâncias” foi contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador.

Serviço | Agenda de estreia – Temporada 2026
O quê: espetáculo musicado e bilingue “Fala, ÌbejÌ”

Subúrbio Ferroviário – Plataforma
 Praça São Brás
• 01/04/2026 (quarta-feira), às 15h
• 02/04/2026 (quinta-feira), às 16h

Centro Histórico
 Largo do Campo Grande (Praça Dois de Julho)
• 04 a 12/04/2026
(quintas e sextas, às 15h | sábados e domingos, às 17h)

Entrada: GRATUITA