Beatriz Rocha, Florianópolis do portal nd+
Beatriz Rocha , SC |
03/04/2025 às 16:47
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Foto: SBACVSP/ND
Após passar por uma cirurgia, a jornalista e apresentadora Wanda Chase morreu aos 74 anos em Salvador, na Bahia, na noite de quarta-feira (2). Ela foi submetida à intervenção ao ser diagnosticada com aneurisma dissecante da aorta.
A condição é considerada emergência médica grave, caracterizada pelo rompimento da parede interna da aorta, considerada a maior e mais importante artéria do corpo humano.
O aneurisma dissecante da aorta ocorre quando há dilatação irreversível da artéria, com aumento de pelo menos 50% do diâmetro normal. O sangue passa a fluir entre a camada interna e a externa, causando a separação das duas.
A dissecção resulta na obstrução da circulação sanguínea, podendo causar uma parada cardíaca. Caso a aorta se rompa, a hemorragia pode levar o paciente à morte em questão de minutos.
Aneurisma dissecante da aorta é uma doença grave e silenciosa.
Segundo a Secretaria da Saúde da Bahia, porém, é possível evitar a morte se o aneurisma for tratado com rapidez. O radiologista intervencionista Humberto Álvaro, responsável pela hemodinâmica do Hospital Geral Roberto Santos, em Salvador, explica que a ruptura pode ser prevenida com o acompanhamento.
“Se não estiver roto – ou seja, se não for rompido -, o tratamento pode ser feito de maneira programada. A correção endovascular do aneurisma de aorta é a técnica amplamente utilizada atualmente, por ser menos invasiva e resultar em menos complicações”, aponta.
Os principais fatores de risco para o aneurisma dissecante da aorta são hipertensão, acúmulo de placas de gordura na artéria, tabagismo, diabetes e colesterol descontrolado, além de histórico familiar.
A doença é silenciosa e exige atenção. Alguns pacientes passam anos assintomáticos e só sentem dor quando o aneurisma se rompe. Os aneurismas podem acometer a aorta abdominal, segmento que passa pelo abdômen, e a aorta torácica, que passa pelo tórax.
O crescimento do aneurisma pode ser retardado com uso de medicação, no entanto, alguns casos exigem intervenção cirúrgica. No método convencional, o fluxo de sangue é interrompido temporariamente para substituir a porção dilatada por uma prótese de tecido suturada no local.
Já a cirurgia endovascular da aorta é uma prática relativamente nova, iniciada em 1991. Os médicos realizam pequenas incisões na virilha, por onde é introduzida uma endoprótese liberada no local do aneurisma.