Salvador

VOLTAS DOS CARROS DE CATARINA E DO CABOCLO PARA A LAPINHA FECHA CICLOS

Volta da Cabocla e show de Mariene de Castro levam multidão às ruas neste sábado (4) em celebração do 2 de Julho

Ana Virginia Vilalva ,  Salvador | 05/07/2026 às 08:22
A volta dos carros da cabocla e caboclo para a Lapinha
Foto: Bruno Concha

A tradicional Volta da Cabocla encerrou, na noite deste sábado (4), mais um ciclo das celebrações pela Independência do Brasil na Bahia. Os carros com as imagens do Caboclo e da Cabocla (Catarina Paraguaçu) deixaram a Praça 2 de Julho, no Campo Grande, onde permaneceram em visitação popular desde o cortejo cívico, na última quinta (2).

De lá, os carros seguiram em direção ao Memorial 2 de Julho, no Largo da Lapinha, acompanhados por uma multidão, refazendo o percurso em sentido contrário ao realizado no desfile do 2 de Julho. Antes disso, a cantora Mariene de Castro se apresentou no Campo Grande. 

Tradicionalmente realizada no dia 5 de julho, a Volta da Cabocla foi antecipada em um dia este ano, por causa do jogo da Seleção Brasileira pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

Presente no evento, a vice-prefeita Ana Paula Matos enalteceu o protagonismo feminino na Independência do Brasil na Bahia, assim como na programação deste sábado no Campo Grande. “A Independência é feminina. E ter um show com uma mulher de valor como Mariene de Castro, que representa fortemente não só a cultura, como a identidade baiana, é algo que nos deixa muito felizes e honrados”, pontuou a vice-prefeita.

Conhecida por sua forte ligação com as manifestações populares e a cultura afro-baiana. Mariene destacou a importância da apresentação no Campo Grande. “Essa grande festa, aos pés do Caboclo, é uma homenagem aos donos da terra”, disse a artista.

Participação popular - Para o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, o 2 de Julho vive um momento especial, marcado por expressiva participação popular nas ruas. “Eu sinto que a população baiana está voltando cada vez mais para a festa. Tivemos uma programação muito bonita aqui no Campo Grande, começando com o encontro de filarmônicas [na quinta]. Ontem tivemos o show de Gerônimo e o Baile da Independência. Hoje, Mariene encerrando com chave de ouro, um show todo dedicado aos Caboclos”, disse. 

Guerreiro enfatizou ainda a relevância da Volta da Cabocla nas comemorações pela Independência do Brasil na Bahia. “Muita gente não conhece, mas para mim é o melhor momento do 2 de Julho. O Caboclo e a Cabocla saem em alta velocidade do Campo Grande, com uma grande fanfarra. Chegando na Lapinha, tem uma multidão esperando. É uma festa lindíssima; para mim a festa mais bonita do estado, a independência do Brasil na Bahia”, acrescentou o presidente da FGM.

Moradores e visitantes acompanharam o cortejo pelas ruas do Centro Histórico, reafirmando uma tradição que combina elementos da religiosidade, da memória histórica e da cultura popular baiana. Durante o trajeto, o público se integrou à caminhada, transformando o momento em uma grande celebração.

Moradora da Liberdade, a técnica de enfermagem Kelly Cristina, de 54 anos, falou da emoção de participar sempre da Volta da Cabocla. “Venho todo ano, até o dia que Deus quiser. É muito axé, muita luz e muita alegria. Eu gosto mais da volta, de levar eles [caboclos] para casa. O coração bate forte”, contou.

Orquestra - O desfile foi acompanhado pela Orquestra do Maestro Reginaldo de Xangô, responsável por manter viva uma tradição iniciada há mais de 40 anos pelo músico que dá nome ao grupo. A maestrina Rita Barbosa, sua filha, é quem conduz a apresentação há 14 anos. Neste ano, a orquestra reuniu 80 músicos, divididos em dois grupos de 40 integrantes.

“Eu costumo dizer que isso aqui não é um trabalho; é um acerto de contas da orquestra, que tem todo esse arcabouço religioso e essa ligação com os Caboclos. É o momento de se reenergizar, de se sentir pertencente a esse projeto musical e cultural. Carregamos a nossa autoestima enquanto povo baiano e nordestino, enaltecendo os nossos heróis populares”, disse Rita.

O babalaô Robson do Agogô, que participa da Volta da Cabocla há quatro anos, exaltou o momento. “Vamos levar o Caboclo e a Cabocla de volta com todo o amor, toda a emoção e todo o axé. São 203 anos de resistência. Viva os nossos caboclos e as nossas caboclas”, disse Robson que acompanha os carros junto com a orquestra.

Responsável pela condução dos carros alegóricos, o tradicional Batalhão Quebra-Ferro voltou a desempenhar papel central na cerimônia da Volta da Cabocla. Um dos coordenadores do batalhão, Paulo Sérgio, de 55 anos, participa do grupo há cerca de 20 anos. “Eu digo sempre: quem nunca veio, venha, que não vai perder mais. É realmente um Carnaval, com muitas famílias. São duas a três horas de percurso, mas é prazeroso. Faria tudo duas, três vezes”, disse. O batalhão tem 100 integrantes, com 50 em cada carro.

Programação - Com a chegada do Caboclo e da Cabocla ao Memorial 2 de Julho, na Lapinha, a programação oficial do 2 de Julho termina no próximo final de semana. No próximo sábado (11), acontece o 4º Festival de Fanfarras e Balizadores, no Campo Grande. Além disso, entre sexta (10) e domingo (12), ocorre a Festa de Labatut, no final de linha de Pirajá.