Salvador

CUC E MEDLEY FAZEM PROJETO SOCIAL DE PORTE EM SSA NO BAIRRO PERNAMBUÉS

Em 20 anos, milhares de crianças foram atendidas no Medley, Pernambués, por Edelbrando Pires e Jorge Matos e uma turma de voluntários
Tasso Franco ,  Salvador | 22/03/2026 às 09:57
Professor Jorge Matos, de touca negra na piscina, inicia a aula
Foto: BJÁ

A Central Única de Cidadania (CUC) com sede na rua Numa Pompilio Bittencourt, 370, Pernambués, fundada em 2006 por Edelbrando Moraes Pires Filho, seu presidente, vem realizando um trabalho social relevante na capital baiana ensinando natação e cidadania e milhares de jovens dos bairros Permanbués, Cabula, Saramandaia, Engomadeira, Federação e adjacências gratuitamente, duas vezes na semana (sábado e domingo) há 20 anos.

   É um trabalho social grandioso e invisível aos olhos de Salvador, a grande maioria da população nem os políticos o conhecem, e isso vem sendo feito com a cessão de uso da Escola de Natação Medley situada na Numa Pompilio, mesmo número da CUC, de propriedade dos sócios Edelbrando Pires e Jorge Matos, ambos formados em Educação Física (curso superior) que ministram as aulas no projeto social com a ajuda de voluntários, muitos dos quais, estudantes e professores de educação física que são ex-alunos do Medley.

   "Nós somos uma escola de cidadania. Temos os alunos que pagam os cursos de Natação de segunda a sexta das 9h às 21h e nos sábados e domingos de 6h às 11h e ministramos cursos gratuitos para crianças, jovens, maduros e idosos, aos sábados a partir das 11h e aos domingos também tudo na base do amor. Ninguém paga nada. E nessa pisada até antes da existência da CUC já são 30 anos de história desde quando foi fundada a Medley, em 1996", comenta para o BJÁ, Edelbrando Pires.

   "Veja o caso desse instrutor - me apresenta a Neryvan Queiroz Filho, estudante de educação física - chegou aqui com 5 anos de idade e está com 18 anos e passou recentemente no vestibular para Informática. É voluntário. Vem todo sábado dar aulas e faz isso com amor, com carinho, com paciência, pois muitos dos alunos são autistas, outros têm Síndrome de Down, há normais, há alguns outros problemas psíquicos, e nós atendemos a todos, tudo junto e misturado, sem discriminações, como recomendam as técnicas e isso tem dado resultados fantásticos", confessa Pires.

   Pergunto se há alguma orientação de psicólogos, psiquiatras, ele diz que houve uma orientação da AMA (Associação dos Autistas da Bahia) no sentido de praticar uma natação solidária, porém, a CUC não aborda essas questões específicas nas aulas. "Nós ministramos aulas de natação e com o decorrer do tempo percebemos que isso vai fortalecendo a cidadania, os alunos e os pais vão interagindo e nos tornamos uma grande família", diz Edelbrando Pires.

   O professor Jorge Matos comenta que "muitas crianças chegam aqui pequenas (a escola atende crianças a partir dos 6 meses até adolescentes) e resistem para entrar na água e é feito todo um trabalho, paciente, junto com o pai ou a mãe, que, aos poucos elas vão se familiarizando com isso e participam, bem juntos, o que nos dá uma imensa alegria. A gente usa a natação também como um instrumento de educação, da cidadania", frisa Matos.

     Conversamos com alguns pais e mães e sentimos que eles estão muitos satisfeitos com o projeto social. Disse-me J.P.S. um jovem com filho de 4 anos de idade. “Há carinho, há amor por aqui e uma integração muito grande, então venho todo sábado com minha filha e o resultado é excelente”.

  A senhora NC, residente na Federação, disse que estava na Medley pela primeira vez e seu filho K (5 anos de idade) “ficou tão ansioso pelo dia da água que não dormiu na noite anterior diante da expectativa. E, hoje, está na água muito feliz”, comentou.

  Vale observar que as aulas gratuitas também contemplam um publico mais velho. “Temos aqui várias senhoras com mais de 80 anos de idade e que fazem exercícios na piscina, todos orientados, fortalecem os músculos e até nadam”, comenta Jorge Matos com ponta de orgulho.

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