Que situação vive Salvador a capital que se diz do turismo
Da Redação e Correio , Salvador |
11/11/2015 às 13:17
Comércio fechado na Santa Mônica
Foto: Correio/Amanda Palma
Bandidos decretam toque de recolher em 4 bairros de Salvador e rodoviários que circulam pelo bairro de Pero Vaz e Santa Mônica, deixaram de rodar na região, na manhã desta quarta-feira, 11, desde as 9h.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Daniel Motta, a categoria decidiu que não iria entrar no bairro por "estar com a sensação de insegurança".
Motta explicou que as linhas que circulam no bairro de Pero Vaz estão indo até o o IAPI. Já as que rodam no bairro de Santa Mônica, foram transferidas para a avenida San Martin, próximo a antiga garagem da Transol.
Segundo informações da 37ª Companhia Independente da Polícia Militar (Liberdade), moradores denunciaram que existem ameaças de que ônibus seriam incendiados. Intimidados, os comerciantes fecharam as portas, os moradores se recolheram em suas casas e os rodoviários não estão completando o itinerário para seguir até o final de linha.
Em nota, PM informou que o policiamento foi intensificado nesta manhã com guarnições da 37ª CIPM, responsável pela segurança na região, e o apoio da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT-C)/ Rondesp Central, da Operação Gêmeos e da Operação Apolo.
Uma equipe do CORREIO percorreu as ruas dos quatro bairros, mas só avistou viaturas da Polícia Militar por volta das 10h30min. Um helicóptero também está sobrevoando as áreas. Homens em motos foram vistos circulando pelo bairro e orientando os comerciantes a baixar as portas. "Dois motoqueiros passaram avisando que o bicho ia pegar", disse um cobrador que não quis se identificar.
Os ônibus pararam de ir até o final de linha às 7h30m. Eles estão parando na frente do Conjunto Bahia, em Santa Mônica. A Escola Estadual Ministro Pires e Albuquerque (EEMPA), no IAPI, suspendeu as aulas e os alunos foram liberados.
"Os caras que mandam aqui ligaram para fechar a escola. Se não liberasse os alunos, eles iam invadir a escola. Tive que ir buscar meu filho de 12 anos correndo, por volta das 9h. Ligaram de lá pedindo para ir buscar", disse um morador da região sobre o Centro Educacional Carneiro Ribeiro - Classe II, em Pero Vaz.
Uma comerciante, que não quis se identificar, chegou a abrir a loja na rua Conde de Porto Alegre, no IAPI, mas ficou com medo ao ver que todos estavam baixando as portas. "O boato é de que se não fechar, eles atiram e tocam fogo nas lojas", justificou.
Um outro morador relatou a tensão depois das mortes, enquanto voltava para casa. “Aqui fica todo mundo apreensivo. E a gente tem que respeitar o que eles mandam”, disse.
Viaturas da Operação Apolo, 37ª CIPM e Rondesp circularam pelo bairro por volta das 11h, mas nem assim a população se sentiu mais segura para continuar nas ruas. A dona de uma loja de roupas resolveu fechar as portas depois que a filha ligou alertando do clima no bairro.
“A gente fica sem saber se é verdade. Um homem passou aqui mais cedo dizendo que a gente deveria fechar, porque era arriscado ficar aberto, mas nunca se sabe”, disse a comerciante.
Troca de tiros
Germínio Souza Barreto, de 21 anos, e outro homem identificado apenas como Augusto morreram durante uma troca de tiros com viaturas do Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto) da 37ª CIPM (Liberdade). O tiroteio aconteceu por volta das 20h30 desta terça-feira (10), na Rua Mário Kertész, em Santa Mônica.
Segundo a PM, as viaturas foram recebidas a tiros por cerca de quinze homens armados. No revide, dois suspeitos foram atingidos pelos disparos. Augusto não resistiu aos ferimentos e morreu no local da troca de tiros. Germínio foi baleado no pé esquerdo e socorrido para o Hospital Ernesto Simões Filho, onde foi medicado e liberado. Um terceiro suspeito que não teve o nome divulgado foi preso.
A polícia encontrou um revólver calibre 38, uma pistola 380, trouxas de maconha, pedras crack e cocaína. Ainda de acordo com a PM, Germínio Souza, o outro indivíduo envolvido e o material apreendido foram apresentados ao Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Os policiais registraram o auto de resistência na Corregedoria da Polícia Militar.
Augusto é apontado como traficante da região. Ainda de acordo com a PM, comparsas tentaram espalhar pânico na região de Pero Vaz, IAPI e Liberdade e o reforço da segurança foi feito para garantir o funcionamento do comércio, o tráfego de ônibus e a tranquilidade da comunidade local. "Boatos e ameaças via aplicativo WhatsApp não podem comprometer o direito de ir e vir da população, e a Polícia Militar afirma que a intensificação será mantida até quando for preciso", diz a nota da PM.