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Rua Inácio Acioly mendigos e drogados acamparam no local
Foto: DG
Senhor vice-prefeito.
Foi, confesso, uma honra para mim receber sua mensagem, poucas horas após a
publicação de meu texto no jornal A Tarde. É a primeira vez, em 35 anos de
luta pela cultura baiana, que alguma autoridade, a qualquer nível que seja -
municipal, estadual ou federal - considera minha opinião digna de atenção.
Acontece que esta semana deverá ser inteiramente ocupada por vários exames
no hospital Santa Isabel. A partir de certa idade qualquer problema de saúde
deve ser encarado com cuidado. Assim que me vejo obrigado a declinar seu
amável convite.
Mas, conhecendo a fama de seriedade, competência e dedicação do senhor, devo
ser franco. Não vejo nenhum real empenho da prefeitura em enfrentar a
problemática do centro histórico.
O total desrespeito pela proibição de circulação de veículos é para mim
agressão permanente. Todos e qualquer um, começando por aqueles que
deveriam mostrar o exemplo, usam e abusam da omissão dos guardas municipais,
da Transalvador e da Policia Militar. Na rua Inácio Accioly, bem na frente
do posto do Juizado de Menores, mendigos e drogados dormem até altas horas
do dia, inclusive menores. Carros são abandonados durante meses.
O lixo reina, absoluto. A pavimentação grita por manutenção. A Casa
do Benin, tão essencial para a compreensão do ser brasileiro, vive em
total letargia, diria até em franca decadência. Do Museu da Cidade, nem se
fala. Deveriam retirar a placa. A Fundação Gregório de Matos é por todos
considerada uma piada.
Precisa-se de dinheiro para tocar o bonde? Precisa! Que tal os 35 milhões de
reais perdoados, por motivos desconhecidos do eleitor, ao Aeroclube da Boca
do Rio? Com certeza um especialista em direito tributário terá excelentes
respostas para um contribuinte tão simplório como eu.
Perdoe-me, Doutor Edvaldo, mas não vejo solução por simples varinha de
condão. O centro histórico precisa, antes de tudo, primeiro definir
conceitos e depois encontrar âncoras .
Nestas quase quatro décadas, julgo ter feito até mais de que minha parte na
sociedade soteropolitana e baiana.
Atenciosamente
Dimitri Ganzelevitch Salvador,
3 de abril de 2010.
Presidente da Associação Cultural Viva Salvador