Em dois momentos da história isso deu certo: 1986 e 2006 e estamos diante da campanha mais acirrada nos últimos 40 anos
Tasso Franco , da redação em Salvador |
15/09/2026 às 10:45
ACM NETO está mais forte no interior (Cicero Dantas) do que na campanha de 2022
Foto: Gabriel Lopes
Estamos entrando nas duas últimas semanas das campanhas eleitorais para governador da Bahia, senadores e deputados estaduais e federais. São os momentos mais efervescentes quando fatos podem alterar trajetórias embora, como vemos, a majoritária para governador está polarizada entre ACM Neto (União) x Jerônimo Rodrigues (PT) como nunca vimos noutras campanhas, pois, não há uma terceira via e o PSOL e outros partidos mais à esquerda não atingem mais do que 1% da preferência do eleitorado.
Pelas pesquisas até agora divulgadas tanto pode dar uma vitória a ACM Neto no 1º turno; quanto uma vitória de Jerônimo; ou a eleição ser decidida num segundo turno.
Nenhum dos dois conseguiu se deslocar um do outro e os números apontam em votos válidos intenções que beiram aos 50% daí a importância dessas duas próximas semanas para as campanhas.
Pelo visto, não é mais Lula que pode alterar esse quadro uma vez que, se não alterou até agora, milagres não existem na política. O caos reinante no STF não creio que abale algo aqui na Província da Bahia.
Percebemos também que há algo de novo na campanha de ACM Neto mais vibrante do que a de 2022 fazendo com que seus orgnizadores ou estrategistas adotassem uma nova praxis politica, até então pouco usada ou não usada em campanha de oposição, criando eventos com a bandeira intitulada "Time da Mudança", sem a presença do candidato a governador e isso só está acontecendo porque a exigência partiu da base para o topo.
Isto é: há pedidos e uma demanda enorme da presença do candidato e como o estado é muito grande, há 417 municípios, mais de 2000 distritos e aproximadamente 5000 povoados fica impossível atemder sequer as sedes municipais.
Também essa estratégia só foi possível ser montada porque o candidato dispõe de uma rede base de apoiadores nos municípios com maior número de eleitores - Salvador, Feira, Conquista, Ilhéus, Barreiras, Teixeira de Freitas, Prado, regiões de Campo Formoso e São Franisco, RMS -Camaçari, Candeias, Lauro de Freitas e Simões Filho, etc, que organizam e promovem esses eventos considerados de médio porte com participações populares surpreendentes.
Também são importantissimos nesse processo as atuações de Zé Cocá (candidato a vice que atua na região de Jequié), João Roma - comanda o grupo bolsonarista - e senador Angelo Coronel - atua em vários municípios com forte presença do PSD.
Assim, como exemplos, têm sido relevantes os eventos do deputado Adolfo Viana (PSDB) nos confins de Casa Nova, Pilão Arcado e alto São Franciso; Elmar Nascimento em Campo Formoso e Região; Reinaldinho em Barra e Região; áreas em que há distritos com média população que distam das sedes entre 50 a 90 km e somente essas pessoas são capazes dessa mobilização. Claro, a situação também promove os seus eventos, mas, a dimensão tem sido menor.
Já participei de várias campanhas para governador da Bahia desde a década de 1970 quando eram nomeados e uma das mais vibrantes foi a de 1986, Waldir Pires x Josaphat Marinho, quando se adotou pela primeira vez na Bahia o slogan da Mudança e Waldir imprimiu essa marca como "Governo da Mudança" no jingle, nas peças publicitárias, nos discursos, em todos os campos.
Era mudar para quebrar a hegmonia de ACM/João Durval. Deu certo e Waldri ganhou o pleito com uma diferença enorme de votos (75% x 25%).
Waldir era um fenômeno e todos queriam ouvir Waldir no interior, mas, a campanha do MDB/Waldir não tinha eventos de porte ou de médio porte sem a presença do candidato. A população das cidades ficava esperando Waldir até altas horas para ouvi-lo e ele chegou a fazer comícios 3 horas da madrugada em lugares pequenos com Taperoá, Cayru, Mansidão, etc.
A presença do candidato era fundamental e foi a campanha mais longa da história da Bahia, de fevereiro a setembro, nesse ritmo, uma vez que a legislação eleitoral não era restritiva como hoje. O prineiro comicio de Waldir foi no dia 2 de fevereiro de 1986, em Jacobina.
Wagner usou a mesma estratégia de Waldir, em 2006, também para derrubar o "carlismo" (ACM) mas não marcou sua campanha como sendo de "Mudança", prioritariamente. O tempo era outro, havia Lula, e não deu para fazer comícios e eventos sem o candidato a governador.
Na campanha de 2010, sim, o PT e aliados então solidificados no poder fizeram alguns desses eventos. Na primeira de Rui (2014) também aconteceu alguma coisa nessa direção. Na segunda de Rui (2018) contra Zé Ronaldo foi um passeio. E na de Jerônimo (2022) houve um esforço enorme de Rui (então governador) para elegê-lo, mas, os eventos eram sempre com Jerônimo presente.
Agora, por incrível que pareça (e isso é história) os papéis se inverteram o slogan da mudança virou "Time da Mudança" (substituindo o que originalmente seria "Onda Azul") e está sendo usado por ACM Neto contra Jerônimo; ou seja, o mesmo que Waldir usou contra seu avô ACM e Wagner em certo sentido também usou em 2006.
A pergunta é: o que aconteceu para se registar esse fato?
As circunstâncuias politicas. Em 1986 e em 2006 havia uma exaustão do grupo politico comandado por ACM e nada melhor do que usar o verbo mudar para que os discursos encaixassem na população. Não existe uma palavra mais forte do que mudar/mudança. É de fácil compreensão, boa para jingle, ótima para cartazes e videos. Muito melhor do que substituir, alterar ou outra expressão.
Os organizadores da campanha de ACM Neto só fizeram se apoderar disso e criaram o "Time da Mudança" e colou, encaixou, agradou. Jerônimo, tal como Josaphat em 1986; e Paulo Souto, em 2006, que se explique, que justifique a não mudança e é o que ele faz com a continuidade do que é bom para a Bahia.
A história tem demonstrado que a Mudança prevaleceu em 1986 e 2006. Estamos há 40 anos e 20 anos depois desses acontecimentos e dia 4 de outubro saberemos quem vai vencer.