Cartório bloqueou a transferência do imóvel após receber ordem de indisponibilidade de bens determinada pelo ministro André Mendonça, do STF; defesa de senador se manifesta (Com inf do Correio/Estadão)
Da Redação , Salvador |
18/07/2026 às 10:54
Jaques Wagner, senador, investigado pela PF
Foto: DIV
O senador Jaques Wagner (PT-BA) tentou vender um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões um dia após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo neste sábado (18).
De acordo com a reportagem, a transferência da propriedade foi impedida pelo cartório de registro de imóveis após o recebimento de uma ordem de bloqueio de bens determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda segundo o Estadão, Wagner também negociava a venda de um apartamento em Salvador por R$ 10 milhões. A transação havia sido protocolada em cartório uma semana antes da operação da Polícia Federal, mas também acabou bloqueada em razão da decisão judicial.
Segundo a publicação, mesmo com a indisponibilidade dos imóveis, o senador já teria recebido ao menos R$ 12 milhões referentes às negociações.
A documentação obtida pelo jornal indica que o pedido de registro da venda do terreno, que tem 51 mil m² e foi comprado por ele em 2000, foi apresentado ao 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari em 19 de junho, um dia após a operação da PF. "Em cumprimento ao protocolo nº (...), expedido pelo ministro André Luiz de Almeida Mendonça, fica averbada nesta data a indisponibilidade sobre o imóvel objeto da matrícula supra, de propriedade de Jaques Wagner", registrou o cartório.
O terreno fica na Região Metropolitana de Salvador e, conforme a reportagem, foi negociado com uma empresa que tem participação do Grupo City, dono da SAF que comanda atualmente o Esporte Clube Bahia, em conjunto com empresas do ramo imobiliário. A área deverá fazer parte de um empreendimento imobiliário que vai funcionar em anexo a um novo centro de treinamento do clube.
Em nota enviada ao Estadão, a defesa de Jaques Wagner afirmou que não há irregularidades nas negociações, mas não comentou os detalhes das transações.
"A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder", afirmou o advogado Pablo Domingues.
Questionada pelo Estadão sobre a transação, a diretoria de comunicação do Bahia afirmou que foram comprados terrenos de cinco proprietários diferentes na região, com critérios de mercado, e informou que o imóvel pertencente a Jaques Wagner representa cerca de 4% da área total negociada. Ainda de acordo com a manifestação, o bloqueio judicial envolvendo o terreno do senador não deve comprometer o andamento do projeto previsto para o local.
Investigação da PF
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos ligados ao Banco Master. No caso de Jaques Wagner, a Polícia Federal apura se o senador recebeu benefícios para atuar em favor dos interesses do empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira.
Segundo a investigação, um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões e destinado à filha do senador, teria sido adquirido por uma empresa ligada a terceiros com recursos que, de acordo com a PF, tiveram origem em operações relacionadas ao Banco Master.
Após a operação da Polícia Federal, em junho, Jaques Wagner deixou a liderança do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado. O parlamentar nega irregularidades, afirma que manteve apenas relações institucionais com os investigados e sustenta que não foi denunciado nem se tornou réu no caso.