Política

GOVERNADOR JERÔNIMO MANTÉM ENTEADO DE WAGNER NA SECRETARIA DE ESTADO

Como mostrou a coluna Míriam Leitão, do Globo, a Polícia Federal (PF) está investigando Wagner, no âmbito do Caso Master
Da Redação ,  Salvador | 30/06/2026 às 08:21
Governador Jerônimo Rodrigues
Foto: Feijão Almeida


O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou na última segunda-feira que não afastará Eduardo Sodré Martins, secretário de Meio Ambiente do estado e enteado do senador Jaques Wagner (PT), do cargo. Como mostrou a coluna Míriam Leitão, do Globo, a Polícia Federal (PF) está investigando Wagner, no âmbito do Caso Master, por pagamentos que teriam sido feitos a empresas ligadas a Martins.

— De forma nenhuma nós vamos fazer afastamento sem qualquer tipo de motivação concreta, de provas. Eduardo é advogado, está se defendendo. Para ele, para a família, minha solidariedade — disse Jerônimo em agenda. — Não está no script qualquer afastamento de nenhum secretário por motivo do que está acontecendo, de denúncias ou qualquer tipo de julgamento. Não há julgamento para que a gente possa definir ou determinar a saída.

Martins é casado com Bonnie Bonilha, que recebeu, segundo a PF, cerca de R$ 11 milhões do banco de Daniel Vorcaro por meio de um contrato de consultoria firmado com sua empresa, como revelado pelo blog Malu Gaspar, do Globo.

No primeiro ato conjunto de campanha após a operação da Polícia Federal (PF) contra o senador, Jerônimo se emocionou ao defender o companheiro de chapa. Wagner, que é pré-candidato ao Senado, deixou a liderança do governo Lula na Casa após ser alvo de investigações sobre a suposta atuação do parlamentar a favor do Banco Master em troca de “vantagens indevidas”.

— Ele esteve lá (em Brasília) e conversou com o amigo dele, amigo nosso, o Lula, e se acertou. Porque para além de um cargo de liderança, está o Brasil e a Bahia. Nós vamos mostrar, nós vamos provar, que se você tem um erro na vida, para eles, é o erro de cuidar dos pobres. E dedicar sua vida. E nós confiamos em você. A Bahia te ama — disse Jerônimo na sexta-feira.

Após quase uma semana de crise e pressão por sua saída, Wagner deixou a liderança do governo no Senado na quarta-feira. Foi a primeira vez neste mandato que um nome próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou um posto de confiança na sequência de desgastes provocados por uma investigação da Polícia Federal.

O senador nega que tenha atuado a favor do banco de Daniel Vorcaro em troca de benefícios pessoais.

O PT da Bahia já havia prestado solidariedade à Wagner após a operação da PF. O diretório disse ter “total e plena confiança nas condutas do senador”.

“Ao longo de toda sua vida política, Wagner foi acusado injustamente inúmeras vezes e jamais teve absolutamente nada que o desabonasse. O andar das investigações vai mais uma vez provar que Wagner nunca se envolveu com qualquer ato ou ação fora da legalidade”, diz a nota do PT da Bahia.