Política

COMO A CENTRODIREITA VENCEU ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE DA COLOMBIA

Com informações do El Espectador
Tasso Franco ,  Salvador | 22/06/2026 às 09:50
Abelardo faz primeiro pronunciamento em Barranquila
Foto: AFP
  Após o segundo turno presidencial mais disputado desde a implementação do sistema na Constituição de 1991, o candidato de centro-direita Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia ontem, derrotando o candidato de esquerda Iván Cepeda.

Com 99,99% dos votos apurados, a chapa Defensores de la Patria (Defensores da Pátria), composta por De la Espriella e José Manuel Restrepo, obteve 12.959.515 votos, representando 49,66% do total.

Enquanto isso, o candidato do Pacto Histórico e sua vice, Aida Quilcué, obtiveram 12.708.695 votos, ou 48,70%.

Assim, a diferença entre os dois candidatos na noite passada, com 122.016 das 122.020 seções eleitorais apuradas, foi de 250.820 votos, representando 0,96%.

Essa margem é menor do que a do primeiro turno, quando De la Espriella venceu com 10.361.499 votos (43,74%), enquanto Cepeda obteve 9.688.361 votos (40,9%). Isso significa que houve uma diferença de 673.138 votos.

Com isso, o presidente eleito obteve um total de 2.598.016 votos entre o primeiro e o segundo turno, enquanto Cepeda adicionou 3.020.334 votos.

Esse aumento no número de eleitores potenciais se deve, em grande parte, ao fato de as eleições de domingo terem alcançado a maior participação eleitoral da história da democracia colombiana. É importante lembrar que, em 31 de maio, foram computados 23.978.304 votos de um total de 41.421.973 eleitores registrados, representando uma taxa de participação já elevada de 57,88%.

Ontem, por sua vez, foram computados 26.345.317 votos de um total potencial de 41.421.973 eleitores aptos a votar, resultando em uma participação recorde de 63,60%.     

Assim, o centro-direita conseguiu derrotar a tentativa do governo Petro de se manter no poder, após uma intensa campanha marcada por violência eleitoral (incluindo o assassinato do senador e candidato presidencial apoiado por Uribe, Miguel Uribe Turbay), inúmeros relatos de campanha armada em favor de Cepeda e sérias acusações contra o governo e o próprio presidente por envolvimento político indevido. Não houve debates entre os dois finalistas à presidência, enquanto uma "guerra digital" sem precedentes eclodiu no país, com ambas as campanhas trocando sérias acusações e apresentando queixas em tribunais nacionais e internacionais.

De fato, um dos maiores temores na preparação para a eleição era a recusa do presidente Petro em reconhecer os resultados do primeiro turno, alegando fraude, o que ele não conseguiu comprovar. Ao contrário, a organização eleitoral não só demonstrou sua eficiência e transparência, como missões de observadores internacionais confirmaram que não houve irregularidades no primeiro turno. O mesmo ocorreu na noite passada.

QUEM É ABELARDO DE LA ESPRIELLA

O advogado Abelardo de la Espriella, de 47 anos, foi eleito neste domingo (21) presidente da Colômbia, ao derrotar no segundo turno o senador esquerdista Iván Cepeda, candidato do presidente Gustavo Petro, segundo a contagem inicial do órgão eleitoral colombiano.

Espriella criou o movimento Defensores da Pátria e é comparado com o presidente argentino, Javier Milei, por defender propostas de liberdade econômica e corte de gastos públicos. Outra semelhança é que o animal-símbolo da sua campanha foi o tigre – na corrida vitoriosa pela Casa Rosada em 2023, Milei adotou o leão como “mascote”.

Outras pautas conservadoras que ele defende são as restrições ao aborto e “mão de ferro” contra o crime organizado, o que rendeu outra comparação, com o presidente salvadorenho, Nayib Bukele.

Extremamente crítico ao atual presidente esquerdista da Colômbia, Espriella escreveu em uma mensagem no X em 2024 que Petro dá sinal verde para “toda a macabra cadeia das drogas: desde permitir o plantio, não combater a produção e deixar que seus parceiros do cartel a comercializem, até consumi-las”.

Espriella é totalmente contra acordos de paz com as guerrilhas, defendidos por Petro e Cepeda, por entender que não resolvem os problemas de segurança da Colômbia.

Em comunicado, o Defensores da Pátria disse que a única ação que deu resultado foi o enfrentamento a esses grupos.

“Quanto ao resto, o que veio depois — do pacto com as Farc [em 2016] às concessões disfarçadas de diálogo — foi um desfile de impunidade”, argumentou.

“Os colombianos não podem continuar a pagar com o próprio sangue pelos experimentos fracassados ​​de governos fracos. Acabou o tempo dos pactos com criminosos. Chegou a hora de impor a ordem, de recuperar a honra e de proteger os milhões de cidadãos que apenas pedem para viver sem medo”, acrescentou o Defensores da Pátria.