O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu o senador Jaques Wagner (PT-BA) das suspeitas de envolvimento nas fraudes financeiras supostamente cometidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro
Tasso Franco , da redação em Salvador |
18/06/2026 às 13:25
Presidente Edinho
Foto: Paulo Pinto, Ag Brasil
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu o senador Jaques Wagner (PT-BA) das suspeitas de envolvimento nas fraudes financeiras supostamente cometidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. O parlamentar, que é líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado, foi o principal alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, nesta quinta-feira (18).
A investigação aponta que Wagner atuaria como interlocutor no Senado de interesses do Banco Master através do empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e que também foi alvo da operação.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados”, afirmou Edinho Silva em nota (veja na íntegra mais abaixo).
Ainda segundo o dirigente petista, há a “confiança” de que Jaques Wagner “esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”. O senador, no entanto, ainda não se pronunciou sobre a operação.
A posição do PT nacional é semelhante à do diretório baiano do partido, que também disse ter “total e plena confiança” no senador e que ele já foi “acusado injustamente” em outros casos ao longo de sua carreira.
“Ao longo de toda sua vida política, Wagner foi acusado injustamente inúmeras vezes e jamais teve absolutamente nada que o desabonasse. O andar das investigações vai mais uma vez provar que Wagner nunca se envolveu com qualquer ato ou ação fora da legalidade”, afirmou (veja na íntegra mais abaixo).
Na mesma linha seguiu a bancada do PT no Senado, que defendeu ainda o "respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa" e que tem "convicção de que o senador Jaques Wagner prestará todos os esclarecimentos necessários e demonstrará, ao longo das apurações, a correção de sua conduta diante dos fatos investigados" (veja na íntegra mais abaixo).
As investigações apontam que, entre os assuntos discutidos entre Wagner e Lima, estava a negociação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), a chamada “Emenda Master”, que aumentaria o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mudanças em legislações relativas ao crédito consignado, entre outros.
Ao detalhar os indícios reunidos pela Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que Jaques Wagner é apontado pelos investigadores como o “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”, figurando como o agente público em favor de Vorcaro e Augusto Lima.
“A atuação parlamentar de Jaques Wagner também é indicada como elemento de correlação. A representação aponta sua participação na pauta do crédito consignado, especialmente na Emenda convertida em lei em contexto temporal próximo ao início das relações contratuais entre o Banco Master e a BN Financeira Ltda., empresa de seu núcleo familiar”, escreveu o ministro no despacho que autorizou a operação e que a Gazeta do Povo teve acesso.