Política

TRUMP PUBLICA FOTO COM FLÁVIO, AMEÇA BRASIL COM TARIFAÇO E IRRITA LULA

"Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!", escreveu Trump, na Truth Social, a sua rede socia
Tasso Franco ,  Salvador | 02/06/2026 às 17:26
Trump diz que Flávio é um jovem que ama seu país
Foto: RS de Trump

O presidente dos EUA, Donald Trump, fez um post nesta terça (2) sobre o encontro com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma das fotos, também aparece o irmão do parlamentar, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

"Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!", escreveu Trump, na Truth Social, a sua rede social.

A mensagem foi publicada no dia em que os EUA propuseram uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas restritivas ao comércio americano. Lula responsabilizou família Bolsonaro pela taxação, relacionando-a à visita de Flávio à Casa Branca, no último dia 26.

O pré-candidato afirmou em entrevista que pediu ao americano para não taxar o Brasil.

"Nas três reuniões que nós tivemos, com o presidente Trump, o vice-presidente [J.D.] Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio, eu pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. É um pedido que eu fiz, expresso, a eles", afirmou Flávio Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais.

Flávio Bolsonaro foi recebido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na terça-feira da semana passada, dia 26 de maio. No dia seguinte, ele se encontrou também com Marco Rubio, secretário de Estado, e com JD Vance, vice-presidente.

   RETALIAÇÃO COMERCIAL

 O Brasil enfrenta uma retaliação comercial iminente por insegurança jurídica, ativismo judicial e intervencionismo estatal. O governo Trump acusa o país de distorcer o livre mercado através de censura digital, protecionismo tarifário, pirataria, desmatamento ilegal, impunidade em casos de corrupção e tabelamento do Pix.

A resposta às práticas do governo brasileiro? A recomendação de uma tarifa de 25% sobre produtos nacionais, após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, que pode ser aplicada em 15 de julho de 2026.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão ligado à administração de Donald Trump, publicou nesta segunda-feira (1º) um relatório recomendando a aplicação da tarifa sobre uma ampla gama de produtos importados do Brasil.

A Seção 301 é um mecanismo legal utilizado por Washington para retaliar países cujas práticas comerciais sejam consideradas injustificáveis, irracionais ou discriminatórias, e que sobrecarreguem ou restrinjam o comércio americano. Na visão do governo Trump, as políticas domésticas do Brasil ultrapassaram as fronteiras e prejudicam o capital e as empresas estrangeiras.


O embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, afirmou que a investigação foi iniciada em julho de 2025 por ordem direta do presidente Donald Trump. Apesar de reuniões recentes entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as divergências persistem.

Além de ser uma ameaça tarifária, o relatório do USTR também é um diagnóstico severo sobre o "Custo Brasil". O relatório lista seis grandes áreas de conflito: censura e intervenção digital, desmatamento ilegal, violações de propriedade intelectual (pirataria), impunidade em casos de corrupção, tarifas preferenciais injustas, barreiras ao etanol e intervenção no mercado para favorecer o Pix.

Um dos pilares da proposta de tarifa dos EUA sobre o Brasil diz respeito ao ambiente digital brasileiro. O relatório do USTR aponta que tribunais brasileiros emitiram ordens secretas obrigando empresas americanas de redes sociais, como X, Meta e Google, a remover conteúdo político e suspender perfis de residentes nos EUA e no Brasil, muitas vezes com alcance global. As plataformas foram também proibidas de informar aos donos dos perfis sobre as ordens.

A Justiça brasileira impôs multas diárias severas e ameaçou encerrar as operações das empresas que não cumprissem as determinações. O USTR cita casos emblemáticos: a plataforma Rumble está suspensa desde fevereiro de 2025 após se recusar a censurar um residente dos EUA; a rede social X foi proibida de operar entre agosto e outubro de 2024 e enfrentou congelamento de contas, bloqueio de aeronaves e impedimento a processadoras de pagamento, sendo restabelecida após multa de US$ 5 milhões; contas de um podcaster brasileiro residente na Flórida foram desmonetizadas, com desbloqueio condicionado à inacessibilidade do conteúdo.


Segundo o governo americano, o cenário de incerteza foi agravado em junho de 2025, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou parcialmente inconstitucional um artigo do Marco Civil da Internet. A regra anterior exigia uma ordem judicial para que as plataformas fossem responsabilizadas por conteúdo de terceiros. Agora, na visão dos EUA, as empresas enfrentam o risco de responsabilidade civil imediata, sendo forçadas a derrubar conteúdos preventivamente para evitar processos.