Política

BAIXA QUALIDADE DE VIDA NA REGIÃO SISAL E A POLITICA QUE NÃO MUDA (TF)

A região sempre foi boa para dar votos aos politicos, mas a contrapartida é irrisória ao que merece
Tasso Franco ,  Salvador | 31/05/2026 às 12:27
Araci: uma das piores qualidades de vida da região quando chove inunda
Foto: PMA
      O Território de Identidade do Sisal, localizado no Nordeste da Bahia, é composto por 20 municípios com população estimada em 600.000. O município sede administrativo é Serrinha, também com maior quantidade de pessoas estimada em 84.700 dos quais pouco mais de 70 mil moram na zona urbana.
Integram a região sisaleira Araci, Barrocas, Biritinga, Candeal, Cansanção, Conceição do Coité, Ichu, Itiúba, Lamarão, Monte Santo, Nordestina, Queimadas, Quijingue, Retirolândia, Santaluz, São Domingos, Serrinha, Teofilândia, Tucano e Valente. 

A região é pobre. Não tem relevância econômica, politica e cultural no estado e é tratada sem um projeto de desenvolvimento econômico de maneira integrada, nem do Estado, nem do governo federal, nem dos municípios. Ou seja, não há um projeto de integração nem mesmo dos municípios. Isto é, cada qual que resolva suas demandas, o que significa numa análise mais ampla uma perda de oportunidades.

 O último projeto integrado foi realizado no governo João Durval, década de 1980, com a abertura da Estrada do Sisal – ligação Serrinha a Monte Santo; na outra ponta, há, em curso, a duplicação da BR-116 Norte entre Santa Bárbara e Teofilândia projeto do governo Federal com mais de uma década de atraso. Há, também, por parte do governo do Estado, a implantação dos Colégios em Tempo Integral (que não dialogam entre si) e a instalação de um Hospital Geral e Maternidade regional, em Serrinha, com previsão de inaugurar no segundo semestre de 2027.

  No mais, não conheço nenhum projeto produtivo de porte governamental na região, salvo alguns da iniciativa privada como a mineração do ouro da multinacional canadense Equinox Gold, e o projeto SENAI CIMATEC que foca em transformar o agave (planta do sisal) em uma biorrefinaria de energia e biomassa em parceria com a Shell e a Unicamp, o objetivo é aproveitar 96% da planta para a produção de biocombustíveis, em marcha lenta.

  As iniciativas do governo do Estado (e também do governo Federal) são quase todas voltadas para o campo da assistência social – recuperação de estradas, escolas técnicas, entrega de ambulâncias e carros de polícia, mercados, etc – todas de relativa importância, mas que não geram riqueza no campo do emprego e renda nem emulam a atividade econômica. 

 Recentemente, o governador do Estado, JR, esteve em Serrinha para um evento de natureza política, um PGP. Dançou, politicou, mas de prático não levou nada para a região. Serrinha tem um centro industrial precisando de infra e de indústrias, mas esse assunto nem se tocou nele e era o mais importante. Inaugurou-se um colégio em tempo integral, mas, fecharam dois deles – o Rubem Nogueira e a Escola Normal. Ou seja, foi uma espécie de troca de 6 por meia dúzia.

  INICIATIVA PRIVADA 

  Quem dinamiza a região é a iniciativa privada principalmente em Coité, cidade que tem o maior sentimento de empreendedorismo – tanto na indústria, no comércio e em serviço. Hoje, tem até uma escola de medicina em nível superior. E, ao lado de Serrinha, dois centros (ou polos regionais) de clínicas médicas privadas e do comércio atacadista (e também varejista).

   A região tem representantes na Assembleia Legislativa, porém, com atuação discretíssima, quase nula. Osni Cardoso é o deputado estadual por Serrinha, mas não atuou na Casa Legislativa sendo deslocado para uma secretaria de Estado. O representante de Coité é Alex da Piatã (PSD) da base governista, considerado o mais atuante; o de Valente, Luciano Araujo (Solidaridade, hoje PSD), representante de Valente, foi eleito independente e aderiu ao governo, mas, praticamente não levou nada. Falou várias vezes em plenário sobre a seca na região, mas não foi atendido. A morte de ovelhas por cães outro tema que badalou o governo não agiu como deveria.

  Marcinho Oliveira, representante de Santaluz, foi eleito pelo UB, mas aderiu ao governo. Corre na Justiça um processo envolvendo a gestão Serrinha/Adriano Lima com possíveis irregularidades na prestação de serviços. O processo tramita em segredo de Justiça, Marquinhos diz que não tem nada a ver com isso. O deputado Laerte de Vando é o representante de Monte Santo.

   Essa é a representação da região do Sisal, mas, não se falam do ponto de vista de interesses gerais para o território e a turma da Câmara Federal, pior ainda. Os deputados federais mais votados em Serrinha foram Roberta Roma (PL) e Joseildo Ramos (PT). Vocês conhecem algum projeto ou emenda deles para Serrinha? Quando João Roma era ministro veio um projeto, um Centro Social instalado na Cidade Nova. Joseildo, em recente pesquisa do Congresso, tirou nota 2.5 uma das mais baixas do Congresso. O representante do Araci é Felix Mendonça Jr também mal avaliado que só aparece por lá quando chove.

  Os senadores não dão a mínima para a região. Há até uma quase-piada-verdade em Serrinha dando conta de que Otto Alencar só aparece no desfile da Vaquejada. Seu filho foi bem votado em Serrinha pelo grupo Ferreirinha/Edylene mas ingressou no TCE e deixou a politica.

  Falar em Araci há um esforço concentrado para que o município tenha um representante na Assembleia (o ex-prefeito Silva Neto) que está fazendo aliança a direita e a esquerda, tanto com Zé Ronald/Zé Chico/Nenca; quanto com Neinha (prefeita e os nomes da base governista). Araci – segundo pesquisa recente que avaliou a qualidade de vida nos municípios brasileiros – tem uma das mais baixas qualidades no Brasil ficando no lugar 4.864 das 5.570 municípios pesquisados. Uma vergonha.

  Araci não tem rio, mas toda vez que chove mais forte por lá parte da cidade alaga, exatamente os bairros mais pobres e as famílias sofrem bastante. Recentemente aconteceram duas inundações por lá e a prefeitura Neinha se paramenta toda e faz apelo ao governo do estado por saneamento. E nada depois acontece de efetivo, até a próxima chuva. É impressionante.

  QUALIDADE DE VIDA

  De uma forma, a qualidade de vida nas cidades da região do sisal é baixa, um horror. Há, claro locais com alguma excelência, saneamento, água potável, preservação do meio ambiente, etc, mas no geral é ruim ou péssimo. Na pesquisa recente a melhor qualidade de vida está situada em Valente (posição 1412 no Brasil nota 6.3) e depois vem Barrocas (ex-distrito de Serrinha) na posição 1930 com nota 6.2.  
  Seguem: Ichu (2194), Serrinha (3537), Teofilândia (3631), Retirolândia (3975), Lamarão (4299), Queimadas (4490), Coité (4536), Santaluz (4502). Cansanção (4692) Tucano (4597), São Domingos (4685), Araci (4864), Biritingas (4892), Monte Santo (5545).

  Isso significa dizer que, no geral, a região do sisal (seus centros urbanos e povoamentos rurais) tem baixa qualidade de vida embora haja esforços dos gestores municipais para melhorar esse quadro. A questão é que não depende somente deles. É necessário um esforço concentrado e maior dos governos federal e estadual que não existe. 

   Tudo é feito esparsamente ou isoladamente (salvo o projeto da duplicação da BR-116 Norte trecho Santa Bárbara a Teofilândia) e diga-se os governos petistas são muito bem votados na região, Lula com percentuais entre 70% a 80% dos cotos e Jerônimo Rodrigues entre 50% a 70% tendência que deverá se verificar na próxima eleição.

   Pronto: esse é o quadro que vai se repetindo há décadas desde a época de Manoel Novaes Ana Oliveira/Carlos Mota; Luis Viana Filho/Plinio Carneiro/Popó até os dias atuais Roberta Roma/Joseildo/Osni Cardoso/ Cyro Novaes, caso de Serrihha; os Penedos de Tucano; os Araújos de Coisté; os Cedraz de Valente; os Oliveira de Santaluz; os Vandos de Monte Santo e assim por diante e nada muda substancialmente tanto faz os governos centrais serem da UDN, do PTB, do PSD ou do PT. (TF)