A chapa-puro sangue está dando certo
Tasso Franco , Salvador |
29/04/2026 às 09:31
Wagner e Rui são os lideres na corrida ao Senado
Foto: DIV
ACM Neto (União) escolheu o ex-ministro do governo Jair Bolsonaro João Roma (PL) e o senador Angelo Coronel (Republicanos), antigo membro da base do governo Jerônimo Rodrigues (PT), como os nomes que disputarão o Senado em sua chapa. Já a vaga de vice-governador na composição ficou com o ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP).
A aposta do PT nas candidaturas ao Senado do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e de Jaques Wagner, líder do governo na Casa, selou a saída de Angelo Coronel da base da gestão petista. O senador deixou o PSD em fevereiro após perder espaço na montagem da chapa majoritária de Jerônimo de 2026. O vice-governador Geraldo Júnior (MDB) completa o arranjo em busca da reeleição.
Ainda de acordo com Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, Costa e Wagner lideram a corrida eleitoral ao Senado. No levantamento combinado de primeiro e segundo votos, os correligionários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva somam 24% e 22% das intenções, respectivamente.
João Roma, por sua vez, aparece em terceiro lugar, com 9% das intenções de voto. Já Coronel marca 6%, na quarta colocação. Votos em branco, nulos e a intenção de não ir votar registraram proporção relevante do eleitorado baiano: 22%, na combinação dos dois votos. Os indecisos são 16%.
Rui Costa tem a maior proporção de eleitores que o conhecem e votariam nele, 47%, seguido por Wagner (39%). Os petistas, por outro lado, são também os que registram maior "rejeição" (38% e 39% dos entrevistados afirmaram conhecê-los, respectivamente, mas indicaram que não os apoiariam nas urnas).
Neste aspecto, os integrantes da chapa de ACM Neto têm o desafio de serem mais conhecidos pelo eleitorado da Bahia. Seis em cada dez entrevistados disseram desconhecer João Roma (64%) e Angelo Coronel (68%). Os dois são conhecidos, mas "rejeitados", por 25% e 24%.
Caso Master
Como mostrou o GLOBO, os grupos políticos de ACM Neto e de Jaques Wagner fecharam um acordo de bastidores para deixar o caso Master fora da disputa eleitoral da Bahia neste ano. Procurados para comentaram o acordo à época da reportagem, eles não se manifestaram.
Tanto o ex-prefeito como o senador tiveram nas últimas semanas os seus nomes vinculados ao caso. No dia 11 de março, O GLOBO revelou, com base em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora de recursos Reag. A quantias foram repassadas logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. ACM Neto afirmou que os valores são referentes a serviços de consultoria e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos à Justiça.
Já no dia 18, o portal Metrópoles mostrou que a nora de Jaques Wagner recebeu pelo menos R$ 11 milhões do Master. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que tem como sócia Bonnie Toaldo Bonilha, casada com um enteado do senador. O contrato foi firmado em 2021. Em nota, o senador disse que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”.