"A gente chega mais forte no interior porque o PT está desgastado”, afirma ACM Neto em entrevista
Da Redação , Salvador |
02/04/2026 às 18:03
ACM NETO
Foto:
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou nesta quinta-feira (2) que a principal marca da gestão do governador Jerônimo Rodrigues (PT) é o avanço das facções criminosas no estado. Segundo ele, a Bahia vive hoje um cenário de expansão do crime organizado e perda de controle territorial por parte do poder público.
“A presença das facções criminosas na Bahia, a presença do crime organizado na Bahia… eu acho que essa é a marca fundamental do governo de Jerônimo Rodrigues”, afirmou em entrevista à rádio CBN.
Neto destacou que o cenário atual da violência no estado já se assemelha a situações historicamente registradas em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, com domínio territorial por parte de organizações criminosas. “Às vezes, o morador de um bairro não pode entrar no outro, o morador de uma rua não pode entrar na outra. Isso é a inversão, é o poder público se rendendo ao crime organizado”, disse.
Ao tratar de possíveis soluções, o pré-candidato defendeu a adoção de medidas já testadas em outros estados, citando Goiás como exemplo de sucesso no enfrentamento à criminalidade.
Ele afirmou que a valorização das forças policiais deve ser o primeiro passo. “Você tem que conquistar a polícia, enxergar o policial como o grande agente de transformação e o grande responsável pela solução”, declarou, defendendo melhores salários, estrutura, equipamentos, treinamento e apoio psicossocial.
Neto também ressaltou a importância do investimento em tecnologia e inteligência policial para desarticular o crime organizado. “Não adianta você ter um trabalho na ponta se não vai atrás da rede criminosa, para cortar a cabeça e chegar lá em cima”, afirmou.
Outro ponto citado foi a necessidade de reforço na atuação da Polícia Civil e de integração entre diferentes forças de segurança, como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e guardas municipais.
O pré-candidato também criticou o atual sistema prisional da Bahia, afirmando que as unidades têm servido como centros de comando do crime. “Mais da metade dos crimes são ordenados a partir dos presídios. O presídio hoje, ao invés de servir para punir, serve para multiplicar o crime”, disse.
Como proposta, defendeu a criação de presídios de segurança máxima no estado, com maior rigor no tratamento de líderes de facções e medidas para impedir a comunicação com o mundo externo.
“A gente chega mais forte no interior
porque o PT está desgastado”, afirma ACM Neto*
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), afirmou nesta quinta-feira (2) que a oposição chega fortalecida no interior do estado para as eleições de 2026. Segundo ele, o desgaste do PT após anos no poder e as divisões internas da base governista têm ampliado o espaço para novas adesões.
“A gente chega mais forte no interior porque o PT está desgastado. São os 20 anos de poder, as pessoas cansadas”, declarou, em entrevista à rádio CBN, ao ressaltar que a estratégia de consolidar apoio nas grandes cidades já demonstra resultados e será fundamental para impulsionar a candidatura no restante do estado. De acordo com ele, prefeitos de municípios importantes estão engajados no projeto da oposição e exercem influência regional.
“Esses prefeitos estão do nosso lado, estão engajados na nossa campanha política. Muitos foram assediados pelo governo ao longo do ano passado, mas não cederam”, afirmou.
Como exemplo, citou a prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, e o prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior, ressaltando a capacidade de ambos de influenciar municípios vizinhos.
O pré-candidato também rebateu a percepção de que teria mais dificuldade eleitoral fora da capital. Segundo ele, o cenário atual é diferente do de 2022. “Tem muita gente em Salvador que diz: ‘Neto, você ganha na capital e perde no interior’. Só que a gente está chegando agora muito mais forte no interior”, disse.
Entre os fatores apontados, Neto mencionou a composição da chapa majoritária, que terá o pré-candidato a vice-governador Zé Cocá (PP), prefeito de Jequié, e os pré-candidatos ao Senado Angelo Coronel (Republicanos), que tem forte ligação com o municipalismo, e João Roma (PL).
Além disso, ele citou o avanço de articulações com lideranças locais — inclusive dentro da base governista. “Tem acontecido muitos movimentos de prefeitos que são de Jerônimo, mas estão insatisfeitos pelas promessas feitas e não cumpridas, e que abriram conversa com a gente”, afirmou.
ACM Neto afirmou ainda que a oposição parte de uma base já consolidada, lembrando o resultado apertado da última eleição estadual. “Não estamos começando do zero. A gente já fez todo o mapeamento do estado e tem hoje um olhar estratégico de onde atuar e onde priorizar”, disse.