O tempo já engoliu o segundo mês do ano eleitoral de 2026 e o cenário político na Bahia não se alterou em relação ao que se sabia em novembro/dezembro de 2025, continuando tudo no mesmo, com poucas e sutis alterações nas mudanças de comportamento de alguns políticos, a saída do senador Ângelo Coronel (ex-PSD) da base governista, e a novidade se estabelecendo no plano nacional com as articulação de Gilberto Kassab, no PSD, para lançar um candidato à presidência da República e tentar impor uma terceira via na política brasileira, acabando com os extremismos à esquerda (Lula) e à direita (Bolsonaro). Mas, até agora, sem conseguir.
Isso é o que tenta o líder nacional do PSD, porém, o que vimos no decorrer do mês de janeiro último, foi uma consolidação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com as pesquisas de opinião. É Flávio, pelo menos por enquanto, quem está polarizando com Lula. O que, se persistir essa situação, poderá ser o caminho a ser tomado por ACM Neto.
Então, nos concentrando na política baiana, o quadro, hoje, é o mesmo de novembro/dezembro de 2025. Vejamos por chapas e partidos:
1. A chapa governista está definida como puro sangue Jerônimo (governador), Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado. Persiste, no entanto, a dúvida se o candidato a governador será Jerônimo ou Rui, mas isso não altera o puro-sangue. Caso seja Rui, Jerônimo e Wagner serão candidatos ao Senado.
2. A situação do senador Ângelo Coronel se alterou deixando a base governista Lula/Jerônimo e mantém sua candidatura ao Senado. Quando percebeu que estava sendo fritado em banho Maria pelo PT com a “puro sangue”, pulou fora enquanto era tempo. Essa foi a substancial mudança que aconteceu até agora, mas, Coronel ainda não decidiu a qual partido se filiará, mantém a candidatura ao Senado e está conversando com ACM Neto. Há sinais de que poderá compor essa chapa.
3. O senador Otto Alencar (PSD) segue no apoio a Jerônimo/Lula. A direção nacional do seu partido ainda não decidiu qual será o candidato a presidente, se Caiado/Ratinho. Isso, em tese, não altera a posição de Otto.
4. O MDB segue querendo manter Geraldo Jr na vice-governadoria. Geraldo (que mudou o nome para Geraldinho) não opina sobre o assunto e está bem posicionado junto ao governador como fiel escudeiro. Os dirigentes desse partido, irmãos Vieira Lima, têm se pronunciado sobretudo Geddel e conversado politicamente com vários políticos independente de aliados do petismo. A posição de Geddel é clara: manter Geraldo Jr e ter mais espaços no governo.
5. Tudo o que o senador Jaques Wagner (PT) falou durante o mês de janeiro sobre a permanência de Geraldinho era “fake-news”. O governador Jerônimo ao voltar da viagem da Índia e da Coreia do Sul disse que não tem nada definido sobre o vice, ainda está em conservação, destacou que Wagner é o farol, o guia do seu partido, porém, esse assunto da formação da chapa quem comanda é ele e não Wagner.
6. O PCdoB anuncia que pretende eleger 3 deputados federais e 5 estaduais e já relacionou os nomes. O dirigente do partido na Bahia, Geraldo Galindo, cobra, no entanto, uma reunião do Conselho Político presidido pelo governador Jerônimo para, ao menos, discutir a composição da chapa majoritária. Mas, não pede nada, posições, até porque sabe que a “puro sangue” está sacramentada.
7. O PSB (socialistas) de Lídice da Mata vai lançar nomes a Câmara e a ALBA e apoia a “puro sangue” de forma integral. Também partiu de Wagner uma tentativa de desestabilizar Lídice propondo que ela seja suplente de senadora, o que se detectou uma possível manobra para lhe tomar a direção do PSB. No plano nacional, essa posição de Lidice tem um novo componente que seria a insatisfação do prefeito de Recife, João Campos, presidente nacional do PSB, que não admite Lula no palanque de Raquel Lyra (PSD), a governadora de Pernambuco, sua adversária. Falou-se, ainda sem base mais firme, que o PSB poderia ser entregue a Angelo Coronel.
8. O Avante, de Ronaldo Carletto, que emergiu como força política de relevo que ainda não havia se pronunciado (até janeiro) aguardando a reunião do Conselho Político, participou de uma reunião com Rui Costa (fevereiro) no Extremo-Sul e especula-se que gostaria de ter a vice-governadoria (e teria exigido). Em princípio, apoia a “puro sangue”, até que essa decisão seja tomada.
9. Os verdes de Bacelar estão conformados e apoiam a “puro sangue”. Há, ainda, outros partidos de menor monta, PTB, dissidentes do PP, Podemos, Solidariedade, PDT, que seguem agregados a “puro sangue” e não querem discutir nada.
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10. Na oposição o cenário também é o mesmo do ano passado. ACM Neto (União) é o candidato a governador, mas ainda não definiu a chapa, os senadores e o vice-governador. Neto aguarda o desenrolar dos acontecimentos no plano nacional, pois, ter um candidato a presidência que não seja Lula nem o carimbo de Bolsonaro é importante na sua trajetória. Daí que o movimento Kassab com a ida de Ronaldo Caiado, governador de Goiás (União) para o PSD é relevante para sua candidatura. Mas, até agora, Calado não decolou.
11. A consolidação do nome de Flávio Bolsonaro (PL) a presidente, fortalece João Roma, apontado como candidato ao Senado ao lado de Neto).
12. Quanto ao senador Angelo Coronel (sem partido) tomará a decisão a qual novo partido se filiará na abertura da janela partidária (a partir de 6 de março até 3 de abril) e tem se aproximado do PL. Mas, não podemos falar nada até que ele (e seu grupo) tomem a decisão e se também vai integrar a chapa ACM Neto.
13. O Republicanos, de Márcio Marinho, deputado federal (e mais grupo evangélico) quer uma das vagas ao Senado com a possibilidade de colocar Marcelo Nilo ou o próprio Marinho. Já se fala na possibilidade de aceita a vice-governadoria.
14. O PP de João Leão é dividido e uma parte (Cacá Leão, Nelson Leal e outros) seguem com Neto e outra parte com Jerônimo. O PSDB segue com ACM Neto, mas sua força politica reduziu bastante.
15. O atual presidente do PSOL na Bahia, Ronaldo Mansur, será o pré-candidato ao governo e a professora Meire Reis como vice. Delliana Ribeiro da Silva será a pré-candidata ao Senado e terá como suplentes Nilo Rosa e Jeovane Marúsia Fernandes. A segunda vaga ao Senado será uma indicação da Rede, que faz federação com o PSOL.
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As estratégias dos dois grupos competitivos (PT x União) pelo que podemos observar até agora diante das entrevistas e dos comportamentos em andanças pelo estado, seguem com pequenas alterações: no caso da chapa governista a ênfase (igual a 2022) é dar destaque ao apoio dos prefeitos e promover convênios com as Prefeituras, o que vem sendo feito; e no outro ponto, destacar as obras da gestão PT integradas mostrando que a Bahia avançou e se desenvolveu, com ênfase em Lula. Todas as peças terão que ter Lula e o 13.
No caso de ACM Neto, haverá (como já está acontecendo) ênfase no despreparo de Jerônimo, a concentração de forças nos grandes colégios eleitorais (não pretende visitar pequenos colégios chamados de “currais eleitorais”, pois, seria perda de tempo) e depender do avanço da terceira via para presidente um alinhamento mais forte com esse ponto, sem criticar Lula, pois, tem votos casados com ele, como aconteceu em 2022. A segurança (ou a falta dela) a violência na Bahia será um ponto chave.
A imprensa local divulgou a possibilidade de João Santana ser o marketeiro da campanha ACM Neto, mas não houve, ainda, a confirmação oficial.
O mês de janeiro, portanto, foi consumido em conversas, muitas articulações de bastidores, o que só serão reveladas a partir da abertura da janela partidária (6 de março). É provável, no entanto, que as formatações das chapas só aconteçam na segunda quinzena de março ou inicio de abril.