A Conferência Municipal do Carnaval é um instrumento de democracia cultural e controle social para virar esse jogo. É espaço para disputar o modelo de festa
Tasso Franco , da redação em Salvador |
24/02/2026 às 12:36
A festa está bem democratizada com muitos trios para a população
Foto: BJÁ
O deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) apresentou na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), indicação endereçada à Prefeitura de Salvador para a criação da Conferência Municipal do Carnaval como instância oficial, democrática e permanente de formulação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas do Carnaval. “A proposta é direcionada ao prefeito Bruno Reis e enfrenta de forma radical o processo de mercantilização, elitização e privatização da maior festa popular da cidade”, avalia o legislador.
Para Hilton Coelho, “o Carnaval de Salvador é patrimônio cultural imaterial do povo soteropolitano, expressão viva da identidade negra e popular da cidade e motor da economia criativa. O modelo atual, porém, concentra recursos, privilegia grandes interesses empresariais e empurra para a margem quem faz a festa acontecer: trabalhadores informais, blocos afro, afoxés, artistas populares, ambulantes, catadores, cordeiros, técnicos de som, motoristas de trio, moradores dos bairros e foliões do chão da rua”.
A Conferência Municipal do Carnaval é um instrumento de democracia cultural e controle social para virar esse jogo. É espaço para disputar o modelo de festa, garantir transparência nos contratos de patrocínio e concessões, enfrentar a concentração de renda gerada pelo evento, democratizar o acesso e fortalecer o Carnaval dos bairros, descentralizando investimentos e programação para além dos circuitos tradicionais. Carnaval não é mercadoria: é direito cultural do povo.
O parlamentar defende que as decisões sobre a festa não fiquem reféns de gabinetes e interesses privados. Quem constrói o Carnaval com o próprio corpo e trabalho precisa ter voz real na definição das políticas públicas: da organização dos circuitos à proteção dos trabalhadores, do financiamento da cultura negra e popular à mitigação dos impactos urbanos e ambientais da festa.
“Defender o Carnaval Popular é defender a cidade, a cultura negra, o trabalho digno e o direito de ocupar as ruas. Para nós, Carnaval é direito cultural. Sem povo decidindo, não tem festa justa. Defendemos mais participação, menos privatização. Sem participação popular, o Carnaval vira negócio para poucos. Com o povo decidindo, o Carnaval volta a ser do povo”, afirma Hilton Coelho.