Política

NETO CRITICA PANELINHA DO PT E DIZ QUE HÁ DÚVIDAS SE JR SERÁ CANDIDATO

*'O governo Jerônimo é um fracasso tão grande que há discussão se ele vai ser candidato ou não', diz ACM Neto*

Da Redação ,  Salvador | 22/01/2026 às 10:52
ACM Neto em entrevista a MK na Metrópole
Foto: DIV
  O ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, criticou nesta quinta-feira (22), durante entrevista à rádio Metrópole, o governo Jerônimo Rodrigues, apontou desgaste do PT após duas décadas no comando da Bahia e avaliou o cenário político e eleitoral para 2026, incluindo a perda de força do presidente Lula (PT).

Segundo ACM Neto, o desempenho de Jerônimo é tão negativo que gerou incertezas até dentro da própria base governista sobre a sua candidatura à reeleição. “O governo dele é um fracasso tão grande, que há todo esse espaço para discussão se ele vai ser candidato ou se pode Rui Costa voltar a disputar. De minha parte, não me cabe participar desse debate, mas eu não sei o que é mais desastroso”, declarou.

O ex-prefeito responsabilizou diretamente o ex-governador Rui Costa pela escolha de Jerônimo como candidato em 2022. “Rui Costa teria que começar pedindo perdão aos baianos, porque foi ele que escolheu Jerônimo. Tudo isso que está acontecendo é responsabilidade dele”, declarou.

ACM Neto também criticou o que chamou de “panelinha” formada por lideranças históricas do PT na Bahia, incluindo o senador Jaques Wagner, e afirmou que o partido tenta concentrar todo o poder político no estado. “Não é possível que não exista outro ser humano na Bahia que não seja Rui, Wagner e Jerônimo que possa comandar o Estado. Eles querem o governo, as duas vagas no Senado, querem tudo para eles”, apontou.

Ao comentar a relação do PT com aliados, citou o senador Angelo Coronel, afirmando que o discurso de prestígio não se confirma na prática. “Prestigiam no quê? Coronel há dez anos serve ao projeto deles, dois anos como presidente da ALBA, oito como senador. Prestigia como?”, questionou.

Sobre o diálogo com Coronel, ACM Neto afirmou que as conversas atuais têm caráter pessoal, mas não descartou um entendimento político futuro, caso haja rompimento com o PT. “Tenho conversado com Coronel muito mais pela nossa relação de amizade do que propriamente por uma agenda política. Se em algum momento ele, sentindo-se excluído como está sendo até agora, decidir realmente se afastar do PT, nós vamos ter abertura para isso”, disse.

Na avaliação do cenário nacional, ACM Neto disse que o presidente Lula não terá em 2026 o mesmo peso eleitoral de pleitos anteriores. “O Lula de 2026 não tem a mesma força que o Lula de 2022. Não estou dizendo que ele não é forte, mas não tem a mesma força”, avaliou.

Peoblemas da Bahia - Ao tratar da gestão estadual, ACM Neto afirmou que o governo Jerônimo não entregou as principais promessas feitas na campanha. “Ponte Salvador-Itaparica? Nada. Cadê a Ferrovia Oeste-Leste, a Fiol? Cadê o Porto Sul?”, elencou.

O ex-prefeito também destacou a situação da segurança pública como um dos maiores problemas do estado. “Essa pouca vergonha que virou a violência na Bahia, dominada pelas facções criminosas. Primeiro número de homicídios do Brasil, cinco entre as dez cidades mais violentas”, disse, ao ressaltar que são os mais pobres são os principais atingidos pela crise. “Quem morre vítima da bala perdida, do tráfico, do banditismo na Bahia, é o pobre”.

Na saúde, ACM Neto afirmou que houve piora, especialmente no interior. “As pessoas pedindo pelo amor de Deus, porque não conseguem um internamento hospitalar. Pacientes em macas nos corredores, dentro de ambulâncias ou morrendo em casa”, declarou.

Na educação, criticou a falta de resultados mesmo após o recebimento de recursos bilionários do Fundef. “Com quase 10 bilhões de reais, podiam ter feito uma revolução. Construíram escolas bonitas, mas sem conteúdo, sem qualidade de ensino”, criticou.

ACM Neto também afirmou que Jerônimo não imprime comando à gestão. “Ele acha que ficar andando para cima e para baixo, fazendo papagaiada no interior, resolve. Não resolve. Se o governador não cobrar, não tiver pulso, não funciona”, salientou.

Ao falar sobre o cenário eleitoral, disse acreditar que o ambiente de 2026 será mais favorável à oposição do que em 2022. “Existe uma fadiga, um cansaço. São 20 anos. O sentimento de mudança hoje é muito maior do que em 2022”, pontou, ao destacar que a combinação do desgaste do governo Jerônimo e da perda de força do PT no plano nacional cria condições reais de mudança na Bahia.