Para Milei, os governo de esquerda na América Latina tornam os pobres clientes das esmolas
Da Redação , Salvador |
07/07/2024 às 20:36
Presidente da Argentina com o ex-presidente Bolsonaro em Santa Catarina
Foto: EFE
Em sua primeira viagem ao Brasil desde que foi eleito, o presidente da Argentina, Javier Milei, criticou o que chamou de governos socialistas dos últimos 20 anos na América Latina, sem citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Milei ainda afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é vítima de uma perseguição judicial no País e que a liberdade de expressão está questionada em grandes potencias mundiais.
Para Milei, a "liberdade de expressão, valor fundamental da democracia, se encontra questionado nas principais potencias do mundo sob a desculpa de não ferir a sensibilidade de ninguém, ou respeitar supostos direitos de algumas minorias ruidosas". Ele afirma que é cada vez mais frequente ouvir que países em que se acreditava que "respeitavam os princípios básicos da democracia, se cometem aberrações em matéria de liberdade de expressão e censura".
O presidente argentino avalia que muitas pessoas veem esses conceitos como "abstratos", mas, nas palavras dele, quem vê "o que lamentavelmente começa a ocorrer hoje no Brasil, pensa duas vezes". Milei não entrou em detalhes sobre essa menção, tampouco mencionou o governo brasileiro ou o poder judiciário, que foi alvo de várias críticas de outros participantes durante a quinta edição da Conferência de Política Ação e Conservadora (CPAC Brasil), evento que recebeu o presidente argentino para seu discurso de encerramento.
O CPAC foi realizado neste fim de semana em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Em sua fala, Milei estava acompanhado no palco por Bolsonaro, o governador catarinense Jorginho Mello (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), organizador do evento. A irmã de Milei, Karina Milei, secretária-geral do governo argentino, o porta-voz Manuel Adorni e o ministro da Defesa, Luis Alfonso Petri, também foram chamados para assistir ao discurso ao lado dos políticos brasileiros.
Milei foi recebido pelo público com gritos de "Viva la libertad, carajo" e "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão". Ele cumprimentou Bolsonaro, chamando-o de presidente, e Eduardo pela recepção, disse que se sentiu em casa e que é "sempre um prazer estar entre os amigos".
SOCIALISMO DO FRACASSO
E DA ESMOLA
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Um dos nomes mais esperados da edição 2024 do CPAC (Conservative Political Action Conference), o presidente da Argentina, Javier Milei, fez duras críticas aos governos socialistas da América do Sul e apontou perseguição a nomes da direita em diversos países, inclusive no Brasil.
“Olhem o que aconteceu na Venezuela, olha o que aconteceu na Bolívia, quando Evo Morales ganhou pela terceira vez, olhem a perseguição que o nosso amigo Bolsonaro sofre aqui no Brasil", disse Milei.
A fala vem em uma semana em que Jair Bolsonaro (PL) foi alvo de uma nova ofensiva da Polícia Federal, que o indiciou no caso das joias sauditas.
Em um discurso de cerca de 20 minutos no congresso conservador, o chefe do Executivo argentino classificou a ideologia de esquerda, sobretudo o socialismo do século 21, como "feita de fracasso e ressentimento".
Para Milei, os governos socialistas sul-americanos tiveram um enredo comum, com um período inicial de bonança, influenciado pela exportação de commodities, e índices altos de popularidade, mas acabaram atolando os países em gasto públicos exagerados, levando a um final de crise econômica.
"[O socialismo], com a 'etiqueta da inclusão social' torna os mais pobres verdadeiros clientes, junto com uma casta privilegiada de empresários", criticou. "A Argentina foi um caso intermediário do socialismo do século 21. Não chegou no caso da Venezuela ou de Cuba, por causa do povo rebelde, que resistiu a ser dominado", disse.