Política

LULA SOBE A RAMPA E DIZ QUE VAI GOVERNAR PARA TODOS; A ELEIÇÃO ACABOU

Com Globo.com
Tasso Franco , Salvador | 01/01/2023 às 18:18
Lula sobe a rampa e Janja leva a cadela "resistência"
Foto: Reprodução TV Globo
  "A disputa eleitoral acabou. Não existem dois 'Brasis'. Somos um único país, um único povo, uma grande nação", diz Lula após receber faixa presidencial.Sem a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula recebe, emocionado, a faixa presidencial das mãos de representantes do povo brasileiro. Lula subiu a rampa do Planalto acompanhado de representantes do povo brasileiro e da cachorra "Resistência".

Lula discursa no parlatório do Planalto após receber a faixa presidencial de representantes do povo. Presidente chora ao citar a fome, diz que somos um único povo e que vai governar para todos e todas. O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chorou neste domingo (1º) ao falar da volta da fome e do aprofundamento da desigualdade social no país.

Lula discursava aos apoiadores em frente ao Palácio do Planalto, como parte dos ritos da posse presidencial. Ao citar pessoas pedindo dinheiro com cartazes e fazendo fila na porta de açougues para comprar ossos, Lula ficou com a voz embargada e teve de interromper a fala.

"Há muito tempo, não víamos tamanho abandono e desalento nas ruas. Mães garimpando lixo em busca de alimento para seus filhos. Famílias inteiras dormindo ao relento, enfrentando o frio, a chuva e o medo. Crianças vendendo bala ou pedindo esmola, quando deveriam estar na escola vivendo plenamente a infância a que têm direito", disse.

"Trabalhadores e trabalhadoras desempregados, exibindo nos semáforos cartazes de papelão com a frase que nos envergonha a todos: 'por favor, me ajuda'", continuou, perdendo a voz em razão do choro.
Lula interrompeu o discurso para se recompor, e foi aplaudido pelos milhares de apoiadores na Praça dos Três Poderes. Depois, retomou a fala – mas logo a interrompeu novamente.

"Fila na porta dos açougues, em busca de ossos para aliviar a fome. E, ao mesmo tempo, filas de espera para a compra de jatinhos particulares. Tamanho abismo social é um obstáculo à construção de uma sociedade justa e democrática, e de uma economia próspera e moderna", disse.

Desigualdade 'inadmissível'

"Desigualdade entre a criança que enfrenta a melhor escola particular e a criança que engraxa sapato na rodoviária, sem escola e sem futuro. Desigualdade entre a criança feliz com o brinquedo que acabou de ganhar de presente, e a criança que chora de fome na noite de Natal", comparou, embargando a voz mais uma vez.

"Desigualdade entre quem joga comida fora e entre quem só se alimenta das sobras. É inadmissível que os 5% mais ricos deste país detenham a mesma fatia de renda que os demais 95% de pessoas. Que seis bilionários brasileiros tenham uma riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões mais pobres do país", seguiu.