Política

Situação do Rio Joanes é debatida em sessão especial na Câmara de SSA

ONG aponta descumprimento da legislação por parte da empresa estatal
Limiro Besnosik , da redação em Salvador | 06/06/2018 às 19:04
Sessão sobre o Rio Joanes na CMS
Foto: Antonio Queirós

A situação do Rio Joanes foi tema de uma sessão especial, solicitada e dirigida pelo vereador Paulo Câmara (PSDB), na Câmara de Salvador, para discutir o quadro atual do Joanes, responsável por 40% do abastecimento de água de Salvador e municípios da Região Metropolitana.

Foram apresentadas sugestões para sua despoluição, através de uma carta aberta com “ações positivas”, entregue pelo secretário de Planejamento de Lauro de Freitas, Mauro Cardim, e da Organização Social de Interesse Público Rio Limpo.

O tucano disse ter participado, em março, do Fórum Mundial da Água e coordenado a 5ª Conferência Internacional de Autoridades Locais. “Na oportunidade, disse, pude ver que a situação do Joanes acontece no mundo todo e que há ótimas alternativas para a tomada de soluções. Precisamos adotá-las agora, pois em 2050 mais de 70% da população estará concentrada na zona urbana, o que aumenta a demanda do abastecimento em 50%”. Ele entregou a Cardim uma placa de reconhecimento pelo trabalho em prol do rio.

Quase morto

O secretário afirmou que o Joanes é agredido desde a sua nascente em São Francisco do Conde, onde há um grande desmatamento no entorno, além de ser poluído no trajeto pelo despejo de lixo e esgoto. Para ele, é preciso uma ação coletiva desenvolvida por todos os municípios do entorno do Joanes para solucionar a questão.

De acordo com o especialista, o rio, depois de passar por Candeias, São Sebastião do Passé, Dias D’Ávila, Camaçari, Simões Filho e chega quase morto à foz, em Lauro de Freitas. “Já foram encontradas na água bactérias resistentes que, ao serem despejadas no mar, já criam um novo problema ambiental na região de Buraquinho”, revelou.

“Os municípios da Região Metropolitana têm contribuído para a morte do rio. Salvador também tem sua parcela de culpa, pois despeja grande quantidade de esgoto no Ipitanga que deságua no Joanes”, informou o diretor da Rio Limpo, Fernando Borba. A entidade atua em defesa do Joanes há dez anos e reúne mais de 250 pescadores e moradores de Lauro de Freitas.

Embasa descumpre a lei

Borba afirma, ainda, que a Embasa retém a água no barramento Joanes I: “Uma vazão mínima poderia ajudar a diluir o esgoto. Há anos pleiteamos que a Embasa cumpra a Lei das Águas, que diz que nenhuma represa pode deixar definitivamente estancada a circulação de água nova para a calha do rio. Após a barragem, o rio está seco e em péssimas condições”.

Também foi pedida na sessão especial a votação do Projeto de Lei nº 53/18 que visa à destinação correta do óleo vegetal nas escolas municipais. A solicitação foi feita pela Biotank, empresa que realiza a coleta de óleo vegetal em 10% dos restaurantes da Região Metropolitana de Salvador. “Um litro de óleo contamina 25 mil litros de água. O óleo também entope os dutos. É preciso fazer um trabalho de conscientização com a população. Coletado de forma correta, esse material pode ser transformado em diesel e sabão”, destacou o diretor de expansão da Biotank, Giovane Arcanjo.

A ex-vereadora e membro da Organização Internacional da União Europeia, Geracina Aguiar, disse que é preciso olhar para os afluentes do Joanes: “Se não olharmos agora para a situação dos rios, passaremos por um colapso no abastecimento de Salvador”. A sessão especial também contou com a participação de estudantes da rede municipal de Lauro de Freitas.