Política

Panorama Carnaval 2018 supera expectativas e atrai grande público

Propostas serão encaminhadas para os órgãos estaduais e municipais responsáveis pela festa
Limiro Besnosik , da redação em Salvador | 06/06/2017 às 19:26
Evento atraiu grande número de participantes
Foto: Reginaldo Ipê

Foi encerrado na tarde desta terça-feira, no Bahia Othon Palace Hotel, o seminário Panorama Carnaval 2018, que debateu propostas para a melhoria da festa no próximo ano. Na avaliação do presidente da Comissão do Carnaval da Câmara de Salvador, vereador Moisés Rocha (PT), o evento superou as expectativas, reunindo um público numeroso e interessado. Dentro de 15 dias deverá ser apresentado o relatório de Kiki Bispo (PTB), resumindo as conclusão das discussões para encaminhamento aos órgãos envolvidos com o festejo.

Os músicos Alberto Pitta, do Cortejo Afro, e Carlinhos Brown fecharam a programação com a atividade “Caldeirão Cultural”, coordenada por Paulo Magalhães (PV), quando relembraram os motivos que inviabilizaram ideias como a do Afródromo. Na opinião de ambos esse tipo de inovação daria um impulso às pequenas entidades de matriz africana.

Na mesa anterior, mediada por Felipe Lucas (PMDB), o assunto foi “Captação compartilhada”, com a participação de Paulo Leal, coordenador do Carnaval, Tinho Albuquerque, da Central do Carnaval, e Vadinho França, da Unisamba.

Debate amplo

Ainda segundo Moisés Rocha “estamos tendo a oportunidade de promover um debate amplo e múltiplo com os principais atores do Carnaval que nos trouxeram sua preocupação com os tributos, a captação compartilhada, o direito de arena e muitos temas que precisam ser discutidos com o governo estadual e municipal e farão parte do relatório final deste evento”.

Para Kiki “essa é uma forma democrática de se discutir este tema e passar para os poderes Executivos como é a festa ideal para os diversos setores que a fazem: folião, artistas, empresários, produtores e patrocinadores. Precisamos criar o ambiente necessário para que o Carnaval volte a ser uma grande festa e Salvador possa colher subsídios, sobretudo, do ponto de vista econômico”.

Custo Salvador

A programação da manhã deste último dia foi aberta pela mesa-redonda “Modelo de negócio – custo Salvador”, mediada por Moisés, com a participação do secretário estadual de Turismo, José Alves, e dos presidentes da Empresa de Turismo de Salvador (Saltur), Isaac Edington, e da Associação Brasileira de Entretenimento – Bahia (Abre-BA), Clínio Bastos.

Edington defendeu a gestão da Prefeitura e apresentou os números da festa deste ano: “Temos procurado investir em novas opções, mas sempre valorizando todas as manifestações culturais”. Alves destacou que um dos problemas da crise da festa é a forma como tem sido “vendida”: “Temos estudos que mostram o perfil dos foliões que vem a Salvador. Precisamos retomar o trabalho que já vinha sendo feito de forma conjunta entre governo e empresários com a participação em feiras e eventos por todo país”. “Não basta sermos bons. Temos que divulgar isso”, concordou Clínio.

Cultura afro desvalorizada

A segunda mesa-redonda do dia, “Carnaval, cultura e entretenimento”, foi presidida por Marcelle Moraes (PV) e foi composta pelo secretário estadual de Cultura, Jorge Portugal, pelo presidente do Ilê Aiyê, Vovô do Ilê, e pelo sócio do Camarote Club, Ney Ávila.

Na opinião de Vovô a festa soteropolitana não valoriza a cultura afro: “Os dirigentes ou são racistas ou capitalistas porque os blocos afros estão cada vez mais sem espaço. O que é valorizado é o axé e pagode que agora ainda concorrem com o sertanejo. Além disso, o patrocínio das cervejarias nunca é voltado para o artista local”.

Ávila defendeu a isenção fiscal para incentivar a realização de eventos na cidade. Já o presidente do Conselho do Carnaval (Comcar), Pedro Costa, quer o retorno do direito de arena, benefício já existente em São Paulo e Rio de Janeiro e que seria capaz de ajudar no financiamento dos blocos e entidades.

Participaram também das discussões da manhã os edis Henrique Carballal (PV), Felipe Lucas (PMDB), Marta Rodrigues (PT) e Suíca (PT) e diversos representantes do setor e artistas.