Política

Ouvidoria da CMS faz visita a CAP e constata atendimento deficiente

Segundo eles faltam funcionários, a alimentação foi reduzida e há escassez de materiais
Limiro Besnosik , da redação em Salvador | 04/04/2017 às 22:22
Suíca é o ouvidor geral da CMS
Foto: LB

O Centro de Atenção Psicossocial (CAP) Antonio Roberto Pellegrino, localizado no Jardim Baiano foi visitado nesta terça-feira, 4, pela equipe da Ouvidoria da Câmara de Salvador, dentro da série de visitas que o órgão fará a esses equipamentos na capital baiana. Pacientes e profissionais da unidade relataram problemas de infraestrutura, falta de funcionários, dificuldades na alimentação e escassez de materiais a impactarem diretamente nos tratamentos oferecidos.

De acordo com a coordenadora interina, Ana Paula Andrade Sacramento, a demora na nomeação dos aprovados no concurso público de 2011 causa uma espécie de “efeito dominó administrativo: A farmacêutica está de licença e, infelizmente, não teve quem a substituísse. A falta da profissional especializada fez com que a farmácia saísse daqui provisoriamente. É uma bola de neve, que dificulta muito o nosso trabalho”.

Ouvidor-geral da Câmara, o vereador Luiz Carlos Suíca (PT) destacou a importância das visitas-técnicas do órgão a fim de aprimorar o atendimento em saúde mental: “O contato direto é fundamental. É importante ouvir os relatos, mas conhecer a realidade é imprescindível. Estamos cumprindo o nosso papel, ouvindo profissionais, usuários e familiares para melhorar a qualidade do serviço oferecido aos pacientes”.

Em 2013, a Ouvidoria da Câmara também visitou os CAPs de Salvador. A ideia é que seja estabelecido um comparativo entre as estatísticas atuais com as obtidas há quatro anos.

Dor e esperança

Militante da luta antimanicomial e usuária do CAP Girlene Almeida reclamou da falta de remédios fundamentais para o tratamento e lembrou as dificuldades sofridas após internamento em hospitais psiquiátricos: “Tomei eletrochoque e nunca mais fui a mesma. É muito sofrimento”.

Apesar disso a esperança em dias melhores persiste entre a maioria dos pacientes. Atividades lúdicas e terapêuticas são oferecidas pela instituição para socializar os usuários. Artista plástico e comediante, o usuário Zeferino Nascimento, conhecido como Zé Passarinho, declarou o seu carinho pela unidade, mas acredita que muita coisa ainda precisa melhorar.

“Estou aqui há 11 anos. É a minha casa, minha inspiração e só saio quando morrer. Apesar das oficinas para criação, tenho que comprar tudo com o meu dinheiro. Falta pincel, tinta, papel, tudo. Precisamos desse apoio. A arte é o caminho que nos socializa e é a ponte que precisamos para nos manter vivos”, relatou.

Críticas também quanto à quantidade de alimentações diárias, que, segundo os relatos, diminuiu de três para duas “sem qualquer justificativa”. A empresa responsável pelo fornecimento é a Serve Mais Refeições, com uma média de 35 quentinhas por dia. Os pacientes cobraram também melhorias na acessibilidade, banheiros adaptados, macas, além de uma reforma geral.

O CAP do Jardim Baiano tem 910 pacientes matriculados. Deste total 305 estão frequentando com alguma regularidade. Por dia, a unidade atende uma média de 45 usuários.