Política

SISTEMA DE saúde da capital baiana será debatido pela Câmara de SSA

Sindicato dos Médicos denuncia precariedade na UPA de Escada e profissionais decidem fazer greve
Limiro Besnosik , da redação em Salvador | 07/07/2015 às 19:48
Diretor do Sindmed, na Tribuna Popular
Foto: Valdemiro Lopes

Profissionais e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) participarão de um debate sobre a situação da saúde em Salvador, promovido pela Comissão de Saúde da Câmara Municipal. o evento está marcado para a próxima sexta-feira, 10, às 14 horas, no Centro de Cultura da CMS e formulará propostas de melhoria a serem apresentadas na 13ª Conferência Municipal de Saúde de Salvador e 15ª Conferência Nacional de Saúde.

De acordo com a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), membro do colegiado legislativo, os moradores da capital apontam a área como a de maior impacto em sua vida e a mais necessitada de investimento: “O que temos aqui é uma prestação de serviço de saúde precária com condições de trabalho inadequadas para profissionais e grande dificuldade de acesso para os usuários. Vamos nos juntar para cobrar do Executivo municipal, estadual e federal maior investimento no Sistema Único de Saúde”.

UPA de Escada em crise

Uma boa mostra dessa precariedade é a crise na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Escada, localizada no Subúrbio Ferroviário. Os problemas foram expostos pelo vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia, Luiz Américo Câmara, ao participar da Tribuna Popular na sessão ordinária de segunda-feira, 6, na Câmara Municipal de Salvador. Ele enumerou as reivindicações dos profissionais no local, sob gestão do Estado e terceirizada à PróSaúde, e anunciou que entrarão em greve por tempo indeterminado a partir de sexta-feira, 10.

De acordo com o médico a UPA atende de 400 a 500 pacientes por dia, mas faltam funcionários, algumas especialidades estão sem profissionais e até equipamentos básicos como tensiômetros (para medida de tensão arterial) e monitores cardíacos são em pouca quantidade. “Os trabalhadores estão sobrecarregados. Os médicos estão há dois anos sem reajuste salarial”, denunciou.

Em assembleia realizada no dia 30 de junho, os profissionais decidiram deflagrar a paralisação diante da constatação de que nenhuma das reivindicações encaminhadas à PróSaúde havia sido efetivamente contemplada. O documento distribuído pelo Sindimed explicando o movimento deixa claro que entre os problemas da unidade estão “a falta de uma data limite para pagamento dos médicos; a ausência de reajuste do valor pago por plantão nos últimos dois anos, levando a uma defasagem em relação a unidades de mesmo porte; a sobrecarga de trabalho sem direito a horário de descanso; condições de trabalho inadequadas e falta de segurança”.

A pauta de reivindicações foi encaminhada também à Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), Ministério Público do Trabalho e Ministério Público Estadual.

O Sindimed está reivindicando estabelecimento de um prazo até o dia 20 do mês subsequente para o pagamento dos médicos com vínculo de pessoa jurídica; recomposição das perdas inflacionárias do período de dois anos, sobre o valor do plantão e sobre o salário CLT (16% pelo INPC); garantia de contratação sob o vínculo CLT, mediante solicitação formal do profissional; estabelecimento de um valor diferenciado para plantões de fim de semana, correspondendo a um valor 20% maior em relação aos dias de semana; aumento do número de ortopedistas no plantão noturno e do número de clínicos no diurno; medidas para aprimoramento da segurança aos pacientes e profissionais na unidade; e melhorias nas condições de trabalho (aquisição e manutenção de tensiômetros, monitores, oxímetros em número adequada para a realidade da unidade).