Mais um empreendimento imobiliário de Salvador tem sua construção contestada por vizinhos, desta vez na Barra. O vereador Gilmar Santiago (PT) anunciou que vai solicitar ao presidente da Comissão de Planejamento Urbano de Meio Ambiente da Câmara Municipal, Arnando Lessa (PT), a realização de uma visita às obras do La Vue, prédio de 30 andares (cerca de 106 metros de altura), no final da Ladeira da Barra e próximo ao Porto, atrás do Grande Hotel da Barra.
Segundo o petista “a comunidade, por intermédio da Associação de Moradores da Barra (Amabarra) é contra, o Centro de Apoio às Promotorias de Meio Ambiente e Urbanismo (Ceama) do Ministério Público Estadual pediu informações à Prefeitura, que ainda não apresenta a documentação solicitada”. A Prefeitura, porém, concedeu alvará de construção com base num parecer isolado do coordenador do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Bruno Tavares.
Utilizando como argumentos leis de Minas Gerais, Tavares contrariou o parecer de duas técnicas do Escritório Técnico de Licenças e Fiscalização (Etelf), composto por especialistas da IPHAN, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e Sucom. Segundo elas, a construção impacta, agride e tira a visibilidade de monumentos e áreas tombadas, a exemplo da igreja de Santo Antônio, o Cemitério dos Ingleses, os fortes de Santo Antônio e Santa Maria, de um lado da ladeira, o Morro Clemente Mariani e o Outeiro de Santo Antônio, do outro.
Gilmar chama atenção para o fato de que Bruno Tavares também é autor de pareceres isolados autorizando a construção da Cloc Marina Residence, na Avenida Contorno, e de extinção do Etelf.