Política

NOVA COMPOSIÇÃO política traz perspectivas de mudanças na CMS

Oposição vai mudar a liderança, mas situação não vê grandes dificuldades daqui para frente
Limiro Besnosik , da redação em Salvador | 02/02/2015 às 15:47
O prefeito lê sua mensagem na reabertura do legislativo
Foto: Valdemiro Lopes

Com novos cinco vereadores e uma composição política alterada, com a passagem do PTN para a oposição, a Câmara de Salvador reiniciou suas atividades na manhã desta segunda-feira, 2, com a perspectiva de novos embates políticos em 2015 e 2016. Dos cinco vereadores petenistas um deles, Tiago Correia, declarou que continuará apoiando ACM Neto, mas Alemão (PRB), até agora compondo a base do prefeito, anunciou sua adesão ao bloco trabalhista.

Na oposição o reboliço fica por conta da provável saída de Henrique Carballal do PT, que enfrenta um processo disciplinar e foi proibido pela sigla por 60 dias de se manifestar em nome da instituição. Conversas de bastidores dão conta de sua ida para algum partido da base governista.

A liderança oposicionista deixa as mãos de Gilmar Santiago (PT), seguindo o princípio da rotatividade, e seus integrantes vão começar a negociar quem será o novo chefe da tropa. A primeira reunião está marcada para o próximo dia 9 com o PT para depois se estender às demais siglas (PCdoB, PSB e Psol).

Sem urgências

Nos discursos oficiais a oposição se coloca esperançosa por novos tempos e a situação procura minimizar a perda. Para Arnando Lessa (PT) o reforço do PTN pode contribuir para aposentar o recurso da urgência urgentíssima e dar mais chance para debater as matérias, pois em sua opinião o Executivo tem enfiado as mudanças goela abaixo dos edis sem chance de argumentação.

Para o também petista Waldir Pires agora existe “a expectativa de se respeitar os interesses do processo democrático, isto é, fazer com que os projetos do governo municipal não sejam decididos sem uma discussão profunda na Câmara”. A seu ver os prazos para os debates mais amplos não têm sido respeitados.

O líder situacionista Joceval Rodrigues (PTN) tentou fugir de polêmicas, elogiando a participação do PTN na aprovação das medidas propostas por Neto e garantindo que o relacionamento com os petenistas continua o melhor possível: “Hoje o PTN ganha em termos de independência, mas não em radicalidade contra o governo”.

O próprio prefeito não vê dificuldades de negociação com o legislativo, elogiado por ele na mensagem de abertura dos trabalho e durante as entrevistas. O democrata continua confiante no apoio dos vereadores pelo bem dos interesses da cidade, e os principais assuntos em pauta: o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e a Lei de Ordenamento do Uso do Solo (Louos). Em sua avaliação ”precisamos deixar as questões políticas de lado”.

Toma lá, dá cá

O comportamento do PTN, porém, continua sendo uma incógnita. Nos bastidores da Casa correm comentários de que essa postura mais oposicionista seria apenas no início dos trabalhos. Depois deverá valer o poder de negociação de Neto e o que ele estiver disposto a oferecer para obter apoios.

Toinho Carolino, que continua líder do partido, tem discurso afinado com o cacique petenista, deputado João Bacelar: “Estamos com o governador Rui Costa e votaremos de acordo com a orientação do partido. Até agora não sentamos com o PT para discutir a liderança”.

O presidente Paulo Câmara é cauteloso, apesar de, a princípio, não vislumbrar dificuldades para conduzir seu mandato: “Vamos esperar a poeira baixar e esperar fevereiro passar. Depois de homologar os cargos da Mesa Diretora e das comissões é que vamos efetivamente saber como estão compostos os blocos de oposição e situação.”