ter�a-feira, 19 de outubro de 2021
Colunistas / Crônicas
Jolivaldo Freitas

Dia de Finados na butique CR Su Misura

Os moradores da área começaram o sofrimento logo no início do feriadão, quando descerraram as portas na sexta-feira passada.
04/11/2015 às 17:39
  Criança largou o lápis de cor e o irregular desenho, bebê recusou o peito da mãe, adolescentes esqueceram do vício dos jogos eletrônicos e os idosos reforçaram as doses de Rivotril e Prozac, tomaram vários litros de chá de camomila com problema de nervos. Os saguis que povoam as mangueiras da Ladeira da Barra deram no pé; os bem-te-vis se calaram; os gaviões foram fazer pouso nas barras do Yacht Clube e as corujas não rasgaram suas mortalhas. 

   A madrugada e o Dia de Finados foi uma noite de terror para quem tem o sono leve, sofre de insônia ou nervos fracos. O alarme contra roubo da butique CR Misura, pertencente ao joalheiro Carlos Rodeiro e à sócia, uma senhora de nome Rita “cantou” noite e dia.

   Os moradores da área começaram o sofrimento logo no início do feriadão, quando descerraram as portas na sexta-feira passada. Do nada o alarme começou a tocar e as pessoas começaram a atazanar a vida dos pobres guardas e atendentes da empresa que dá segurança à butique, não deixando também que os agentes tirassem uma pestana nas madrugadas de sábado, domingo e segunda. Foi um inferno para os moradores? Foi! Mas também deve ter sido para a central de atendimento da empresa de segurança.

   Pelo que se sabe quase todo final de semana é assim. O alarme parece que é mal regulado ou de qualidade duvidosa e dispara ao movimento de uma cusparada de morcego ou no ruído produzido pelas patinhas de um camundongo ou o se movimentar veloz de uma lagartixa na parede. Um morador com profundas olheiras “pintadas” pelas noites mal dormidas como se fosse para uma festa de halloween diz:

   - Espirrou, tocou! E os donos não fazem nada!

   Ele me diz que muitos ligaram para a empresa de segurança que tentou por todos os meios localizar os felizes proprietários que longe estavam do local, dormindo imerecidamente o sono dos justos enquanto o inferno situava-se na ladeira. Aliás, o proprietário mora a apenas centenas de metros do estabelecimento. Os moços da empresa de segurança não conseguiram... localizar ninguém, e se localizou fez-se ouvido de mercador que ninguém vai sair de uma cama agradável por causa de uns 115 decibéis no ouvido alheio. Mas, digamos, se viajaram para aproveitar o feriadão, será que não tem como deixar as chaves com um parente, um vizinho, um funcionário de confiança? Enquanto isso quem chorava seus mortos engoliu o choro.

   Ainda mais que os sofridos e insones moradores do entorno alegam que acontece sempre e uns relembram que o pior sofrimento foi no recesso de final de ano quando o alarme tocou de 27 de dezembro a 2 de janeiro. A CR Su Misura foi o grinch dos festejos natalinos de muitas famílias. Mas é uma questão sem solução, nesta Bahia que perdeu a civilidade, o respeito para com o próximo, o senso de solidariedade e a vergonha. 

   Como foram também incivilizados aqueles que tendo suas madrugadas incomodadas, agredidas, arremessaram ovos e objetos sobre a butique.  Teria sido melhor chamar a Sucom, a Sesp, ACM Neto, o padre Luiz da Igreja da Vitória, Dilma, Mãe Stella ou a Swat. Daí outro morador me diz que a butique também promove eventos no seu pequeno estacionamento, com som de DJs e engarrafando a ladeira. Me benzi todo e saí de baixo. Vade retro!