identidades, uma história diferenciada e exuberante.
Orgulho e exibicionismos de um povo de ‘outro mundo’.
Pra começar, por conta do calor, a Copa no Catar aconteceu, pela primeira vez, nos meses de novembro e dezembro, inverno na região dos desertos arábicos, os jogos (como muitas outras atividades comunitárias) noturnos. Tudo foi concentrado em torno da cidade de Doha, de prédios e estádios magníficos, com sofisticadas tecnologias, abundâncias e as desigualdades ocultas ou meticulosamente escondidas.
O Catar é um país pequeno, pouco maior que nosso Sergipe, localizado numa península, uma ponta de deserto nas águas do Golfo Pérsico ou Golfo Árabe. Um lugar único, produtor de gás e pérolas.
As surpresas da bola
Em campo, uma primeira fase classificatória de grupos com muitas zebras, como aderrota da Argentina (que terminou campeã) para a Arábia Saudita (2 x 1); o Japão venceu por 2 x 1 e derrubou dois favoritos, a Alemanha e a Espanha; Marrocos venceua Bélgica (2 x 0), a Tunísia venceu a França campeã de 2018 por 1 x 0; Portugal do ídolo CR 7 levou 1 x 0 da Coreia e o Brasil foi surpreendido por Camarões (1 x 0).
E aconteceram também as gostosas goleadas – Inglaterra 6 x 2 Irã; Espanha 7 x 0 CostaRica; França 4 x 1 Austrália e Portugal 6 x 1 Suíça. Emoções, festas pelas madrugadas, a torcida árabe perplexa e enlouquecida, os promotores mais que felizes, ora.
Restaram nas semifinais, a hora de o camelo beber água, a Argentina do ídolo Messi,d o jovem treinador Lionel Scalonni e da fanática torcida que tomou conta e mudou a rotina de Doha. Ficaram ainda a França do astro artilheiro Mbappé, a valente e disciplinada Croácia do meio-campista Modric (que nos abateu) e o surpreendente Marrocos, a primeira equipe africana a chegar nas semifinais de uma Copa do Mundo
Ficamos pelo caminho
O Brasil, sob o comando do mesmo Tite de 2018, manteve a base da copa anterior na Rússia. Com Neymar já distante de seus melhores momentos, nossa seleção não passou da Croácia nas quartas de final. Estreamos vencendo (2 x 0) a Sérvia, com dois gols bonitos – Vini Jr encobrindo o goleiro e o plástico voleio do ‘pombo’ Richarlison. Sofremos para ganhar da Suíça (1 x 0) e levamos 1 x 0 de Camarões jogando com um mistão, pois já estávamos classificados.
Nas oitavas fizemos nossa melhor partida, a goleada sobre a Coreia (4 x 1), os gols na primeira etapa (Vini Jr, Neymar de pênalti, Paquetá e novamente Richarlison com direito a dancinha do ‘pombo’ até com participação do professor Tite, nas comemorações. Não foi bom presságio. Pois nos ferramos contra a aplicada Croácia, do meia Modric e do ótimo goleiro Livakovic. Fechadinhos, com um meio-campo recheado, marcando justo e explorando contragolpes em velocidade, os croatas seguraram o 0 x 0 no tempo normal e levarama decisão para a prorrogação de 30minutos.
Antes do intervalo para troca de campo,Neymar fez sua melhor jogada de toda a Copa, driblando pelo meio da zaga adversária, tabelando e marcando 1 x 0. Daí, faltavam só quatro minutos para o fim, estávamos àfrente do placar, bastava segurar bem atrás, mas... nos lançamos afoitamente ao ataque e perdemos a bola nas imediações da área croata; por infortúnio nosso, a bola caiu nos pés de Modric, pela meia-cancha, ele livrou-se fácil do marcador Casemiro e vislumbrou um ‘parça’ avançando em velocidade pela esquerda, já no campobrasileiro, a nossa defensiva toda aberta, desarrumada.
O cruzamento saiu por baixo echegou aos pés de Petkovic, nas imediações de nossa meia lua, o chute frontal foiforte, a meia altura, desviou na perna de Marquinhos e Álisson não alcançou , 1 x 1, pra desespero de Neymar. Na cobrança de penalidades, perdemos por 4 x 2; Rodrygo e Marquinhos desperdiçaram. O goleirão croata foi feliz e, de novo, voltamos pra casamais cedo.
Chegamos até onde merecemos, sejamos verdadeiros.- Só para lembrar, sem agouros, nesse time de Tite estavam Álisson, Danilo, Marquinhos, Casemiro, Paquetá, Raphinha, Vini Jr, e Neymar. Esses mesmos agora escolhidos por Ancelotti, só que quatro anos mais envelhecidos em 2026.
A grande final!
Argentina x França fizeram uma final de arrepiar, das mais eletrizantes de todas ascopas, num domingo, 18 de dezembro, no belo e dourado estádio Lusail lotado. Comas arquibancadas em azul e branco, a torcida sul-americana barulhenta empurrando,os argentinos abriram 2 x 0, na primeira etapa, com Di Maria arrebentando, pela esquerda do ataque. Parecia definido, mas qual nada!
O segundo tempo foi de Mbappé, com dois gols, comandando a reação. E a virada francesa não aconteceu por conta de uma defesa milagreira do goleiro Martinez, o melhor da competição.
As emoções continuaram na prorrogação, um lá e cá de tirar o fôlego. Messi, decentroavante, fez 3 x 2 e Mbappé (artilheiro da Copa com 8 golsmarcados) voltou a empatar, cobrando pênalti, 3 x 3. Chances de gol para os dois lados, antes do apito final. A Argentina venceu (4 x 2) na cobrança de tiros livres da marca do pênalti, Martinez mais uma vez brilhando.
Foi o terceiro título mundial dos ‘hermanos’ vizinhos. O time de branquelos sul-americanos venceu o time de franceses afro-europeus. Ironia dos tempos de migrâncias e misturas.Os HeróisMessi, glorificado, capitão da equipe, levantou o troféu e a torcida argentina fez umafesta nunca vista em Dacar, no Catar, no mundo árabe, então enfeitiçado de vez pelofutebol, esse jogo de bola com os pés.
Um título de e para Messi, sem dúvidas, ‘pero’ ... fruto de um trabalho exitoso dojovem treinador Lionel Scalloni e de astros que luziram em campo como o goleiro Martinez, os zagueiros Otamendi e Romero, um meio de campo pegador e criativo formado por De Paul, Enzo, Mac Alister; um ataque de Alvarez, Dibala, do imenso craque Di Maria e... um certo gênio da bola chamado Messi, o ‘craque da Copa’.
Quem tem farinha no saco?
Bem, a Copa de 2026 está nas bocas, começa amanhã, no México – México x África do Sul, no estádio Azteca, ciudad de México, às 16h. O Brasil estreia no sábado, contra Marrocos, em New Jersey, às 19h. Sem Neymar. A maioria das partidas acontece em estádios dos EUA, alguns moderníssimos, climatizados.
O verão nos EUA é brabo. Alguns jogos acontecem no México e Canadá,países da América do Norte, vizinhos dos EUA.A Argentina, atual campeã do mundo e a França (vice) estão entre as seleções favoritas. Espanha, Alemanha, Portugal, Inglaterra e Brasil estão na cola, na fila.
O calor, costumes, estádios, arbitragens, gramados diferentes, a torcida, a sorte,intere$$es, circunstâncias de cada jogo... tudo pode acontecer. Com diz o velho epoderoso chavão, ‘o futebol é uma caixinha de surpresas’. Fiquemos de olho.Só com bola rolando é que vamos saber quem ‘tem farinha no saco’.*
OBS:Essa foi a derradeira resenha da série Historiando as Copas II, com curiosidades,comentários e bastidores de cada uma das competições, de 1930 a 2022.Resenhas detalhadas de todas elas estão no livro “Historiando as Copas”, editado pela OjuObá, em 2023, à venda pela Amazon.