Em campo, além do desastre da Seleção Brasileira comandada por Felipão (os 7 x 1),aconteceram coisas interessantes, até exemplares, como a organização, planejamentoe performance dos Alemães, campeões mundiais pela quarta vez, com uma campanha irretocável, futebol coletivo e uma geração de craques, como o goleiro Neuer, Lahm, Hummels, Boateng, Müller, Ozil, Kross, Khedira, Klose, Goetze e um extraordináriomeio-campista de nome Schweinsteiger.
O técnico era Joachim Löw, aquele que a TV flagrava tirando melecas do nariz e comendo.
Goleadas na Fonte Com o Axé baiano, o palco da nova arena, em Salvador, ganhou a alcunha de a ‘fonte dos gols’ na Copa. Aconteceram jogos e goleadas fantásticas no novo gramado do “Octávio Mangabeira”, a Fonte Nova do povo, como aquela imprevista goleada no clássico europeu - Holanda 5 x 1 Espanha.
A Espanha era a Campeã do Mundo (2010) eo atacante holandês Van Persie fez, de cabeça, num voo cinematográfico, um dos gols plasticamente mais bonitos que já vimos. A França goleou (5 x 2) a Suíça; a Alemanha enfiou 4 x 0 em Portugal (com o CR7) e a desconhecida Bósnia fez 3 x 1 no Irã.
Gols àbeça, ecoando, e os Orixás do Dique do Tororó abençoando.
VampirescoEm Natal, no dia de São João (24 de junho), aconteceu o lance inusitado de Luizito Suarez, o dentuço centroavante artilheiro do Uruguai, que (certamente provocado) mordeu o ombro (quase o pescoço) do zagueiro italiano Chiellini.
Ficaram na pele dobecão as marcas do ‘vampiro’, que foi expulso de campo, mas acabou recebido como ‘heroi’, em Montevidéu, pela dentada dada. No jogo, Itália 1 x 0 Uruguai.
Agruras canarinhas
Quanto à Seleção Brasileira, além dos inesquecíveis 7 x 1, lembremos também a choradeira e o amarelão de alguns dos nossos jogadores, acabado o jogo Brasil 1 x 1 Chile, pelas oitavas de final, com direito a prorrogação. Passamos sufoco, a trave nos salvou, e fomos para uma decisão em cobrança de pênaltis (tiros livres da marcapenal). Nervos à flor da pele, pressão das arquibancadas, alguns pipocaram, arriadosem lágrimas, sentados no gramado; até recusaram-se a cobrar as penalidades.
Mesmo assim, passamos pelo Chile, por sorte. Mas perderíamos o craque Neymar (que vinha fazendo alguma diferença em campo) no jogo seguinte, contra a boa e dura Colômbia do astro James Rodrigues, em Fortaleza, dia 4 de junho. Vencemos, no empurrão da torcida, por 2 x 1, com gols de zagueiros (Tiago Silva e David Luiz), mas deixamos o campo com duas baixas significativas, comprometedoras:- A suspensão do zagueiro e capitão Tiago Silva, o chorão, por cartões amarelos, e Neymar quebrado, quase inutilizado por uma joelhada maldosa do lateral Zuñiga, porvolta dos 40 min da segunda etapa.
Foi então que o treinador Felipão se perdeu. Sem poder contar com seu principa l jogador, o único ‘diferenciado’ da equipe, e sem o seu principal zagueiro e capitão, nosso treinador decidiu pela escalação do quarto-zagueiro baiano Dante, que atuava na Alemanha à época, ao lado do meio aloprado David Luiz, deslocado para o lado direito.
Foi fatal, a dupla nunca tinha jogado junto. Um desencontro em campo. Na frente, para substituir Neymar, o treinador optou pelo pequeno e apagado Bernard, que pouco tocou na bola, bem vigiado pelos grandalhões germânicos. Sem poder ofensivo, com um meio-campo sem pegada, perdido, entregamos a bola aos alemães e... aconteceu o apagão geral.
A goleada parou nos sete gols porque os alemães, respeitosamente, decidiram aliviar no segundo tempo.
A festa alemã
Na final, Alemanha 1 x 0 Argentina, com gol de Göetze, um reserva, na prorrogação. Os argentinos, nada bobos, viram e avaliaram a desgraceira dos 7 x 1 e entraram bem precavidos, fechadinhos, povoando o meio de campo, marcando duro, apostando num contragolpe ou numa jogada genial do jovem Messi.
O guerreiro meio-campista Mascherano jogou muito, fez uma Copa destacada. Mas os europeus foram melhores. O triunfo alemão foi justo, até pela campanha inteira da equipe, o futebol coletivo inteligente e objetivo mostrado. Até fora dos gramados a postura alemã foi elogiável.
A França ‘negona’ Campeã
Nos gramados da Rússia do autoritário Putin, em 2018, quem brilhou foi a equip euro-africana da França – dos ‘negões’ Umtiti, Sidibe, Mendy, Kanté, Matuidi, um meio-campista principesco de nome Pogba e um jovem artilheiro chamado Mbappé. Sagraram-se Bicampeões do Mundo (dois títulos franceses), jogando um futebol vistoso, ofensivo.
A final foi um belo duelo de seis gols, 4 x 2 sobre a Croácia do baixinho Modric, ótimo meio-campista, eleito ‘o craque da Copa’. Uma escolha discutível, diante do que jogaram os campeões Pogba e Griezmann.*
Foi uma competição de bons jogos e surpresas, como as bonecas ‘matrioskas’-tradição cultural russa –. regalos que se multiplicam quando vamos abrindo. Surpresas boas como o bom futebol das seleções da Croácia, da Bélgica; e também o fiasco dos sul-americanos, o uso pela primeira vez do VAR.
No mais a diversidade cultural daimensa Rússia (européia, asiática, islâmica, anglicana, siberiana...), a lembrança do astronauta Gagárin, pioneiro da conquista espacial, e do ‘aranha negra’ Yashin, goleiro e exemplo de atleta - heróis nacionais. Os belos estádios e a onipresença do aparelhodo Estado em tudo. Uma nação de rica tradição e modernidade, de rebeldias, rikgorese preconceitos...A nova Rússia de Putin, muito prazer!
*...”O Mikhail Gorbachev conseguiu fazer uma transição gradativa para um estatalcapitalismo sem sangue, sem conflitos maiores. Hoje vejo que ele foi um gênio nesse processo, vendo de perto o protofascismo que Putin jura ser uma democracia. NaRússia tudo é extremo, sem meio termo para nada. É um país complexo, que talvez só o russo entenda, extremamente homofóbico e racista, que mata negros, gays ejornalistas.
Além da corrupção permear todos os escalões, o ‘jeitinho’ deles é ensinado nas escolas. O russo tem um quê de brasileiro. Depois da amizade feita, já está com a vodka na mão, doando um rim, mesmo sem precisar”.(o texto, da época, é do jornalista russo Andrei Yuriovitch, bem ilustrativo)
Nossa seleção encalhou
Patinamos, desde o começo, com o ridículo cai-cai e rola-rola de Neymar nos gramados, a simular faltas, exagerando no dolorido do corpo a corpo, presepadas que geraram ‘memes’, comentários e manchetes depreciativas mundo afora.
O futebol brasileiro, até pelo seu histórico nas copas, não merecia. O treinador Tite, ‘o pastor’, que bancou a presença do atleta, teve sua culpa; levou Neymar (tornozelo bichado) e o lateral Marcelo (problemas na coluna) meio lesionados e os pôs a jogar. Comprometeram. Estreamos empatando (1 x 1) com a retrancada Suíça, em Rostov, 17 de junho.
Classificamos na primeira fase, de grupos, sem brilho, com vitórias sobre a Costa Rica ea Sérvia (2 x 0 nos dois jogos). Fizemos nosso melhor jogo nas oitavas, 2 x 0 sobre o guerreiro México, mas...Atolamos, caímos (2 x 1) nas quartas de final para a Bélgica de Courtois, De Bruynne, Lukaku, Company, Fellaini e Harzard. Não vimos cor da bola no primeiro tempo ,quando levamos 2 x 0, gols de Lukaku e De Bruynne.
Renato Augusto, de cabeça, diminuiu aos 30min do segundo tempo. Os belgas jogaram mais. Só pra lembrar, nosso goleiro era Álisson, a zaga tinha Marquinhos e Tiago Silva; Daniloe Marcelo nas laterais, Casemiro no meio de campo, e Neymar (ainda jovem) na frente. Esses nomes (menos Tiago) vão estar na Copa de 2026, essa que está nas bocas- nos EUA/Mexico/Canadá-, agora envelhecidos.
De diferente mesmo, agor o treinador Ancelotti, rodado e vivido, um vencedor, mas que nunca esteve como treinador numa Copa.
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