ter�a-feira, 30 de novembro de 2021
Esporte

JORGINHO, O DONO DA BOLA NA SELEÇÃO ITALIANA É BRASILEIRO DE IMBITUBA

Com El País, um comentário de Lorenzo Calonge
Lorenzo Calonge , da redação em Salvador | 06/07/2021 às 21:01
Jorginho
Foto: REP
   Jorginho apresentou-se na Eurocopa surfando de tal modo na onda do grande sucesso do Chelsea na Champions League que, depois de vestir a camisa da Itália, continua pensando no modo blue inglês. “Esta seleção parece com o Chelsea, com vontade de mostrar seu valor”, disse há dois dias. “Barella se parece com Kanté”, acrescentou, comparando o jogador da Inter com seu companheiro de equipe francês no meio de campo do clube de Londres, com quem levantou a orelhuda [apelido do troféu da Champions por causa de suas grandes alças] espremendo adversários e treinadores de todo tipo, tanto Simeone e Zidane quanto Guardiola.


Agora são os azzurri que querem pegar a onda no sucesso deste ítalo-brasileiro de 29 anos. Desde a abertura da Eurocopa, quando a Itália passou por cima da Turquia (3 a 0), o futebol da seleção comandada por Roberto Mancini chamou a atenção como o mais vistoso da competição. Os italianos fizeram outro 3 a 0, desta vez em cima da Suíça, além de 1 a 0 no País de Gales, fechando a primeira fase com três vitórias. No mata-mata, eliminou a Áustria (2 a 1) e a poderosa Bélgica (2 a 1), sempre com Jorginho controlando o meio-campo. Mas o auge veio na semifinal, desta terça-feira, quando o catarinense de Imbituba converteu o pênalti decisivo após o 1 a 1 no tempo normal e devolveu a Itália a uma final de Eurocopa, vingando a decisão do torneio de 2012 contra a Espanha. Em busca do segundo título europeu (o único foi em 1968), os italianos somam 33 jogos sem perder, 14 vitórias consecutivas e uma aura invencível. Resta saber quem os desafiará na decisão: a Inglaterra ou a Dinamarca, que se enfrentam nesta quarta-feira (7) pela outra semifinal.

Com exceção dos dois velhos caciques da zaga (Bonucci e Chiellini), a Itália exala um novo aroma. Nem todos são novatos, mas oferecem algo renovado. Nesta tentativa de ressurgimento, o protagonista principal é Jorginho, que se naturalizou pela ascendência italiana do tataravô paterno, estreou com Antonio Conte em 2016 e só perto dos trinta anos adquiriu um peso notável na seleção.

O pai foi goleiro, mas ele é filho futebolístico da mãe, uma jogadora amadora no Brasil. “Ela era talentosa”, confessou. Juntos praticavam quando era pequeno no jardim, na praia e em um quarto sem quadros nem televisão para que nada quebrasse. Não era simples diversão, mas aprendizado e correção. “Eu batia na bola e minha mãe dizia: ‘Não, controle-a assim’. Era dura quando eu cometia erros”, lembra.

Isso acontecia em sua cidade, ImbituIsso acontecia em sua cidade, Imbituba, Santa Catarina, até que aos 13 anos finalmente voou do ninho e foi para uma escolinha a 200 quilômetros de distância. No entanto, as coisas não foram muito fáceis. “Comíamos a mesma coisa três vezes ao dia e tomávamos banho de água fria no inverno. Isso me obrigou a aprender muito sobre a vida”, contou em declarações compiladas pelo programa oficial do Chelsea. Dois anos depois foi convidado a ir para a Itália, para a escola do Verona, e a experiência também não foi tão agradável quanto imaginara.

“Éramos seis no quarto, embora os garotos fossem mudando e nos pagassem 20 euros por semana para as nossas despesas. Nunca esquecerei o que fazia com aquele dinheiro. Carregava o celular com cinco para enviar mensagens. Outros seis eram para um cartão que raspava uma senha e dava uma hora de ligações para o Brasil. Dois ou três para pequenas coisas, como xampu ou desodorante. E tentava economizar quatro ou cinco para bater um papo no fim de semana com meus amigos.”