Defesa do senador afirma que ele pretende prestar esclarecimentos, mas solicita mais tempo para analisar documentos da investigação que apura suspeitas envolvendo o Banco Master --Por Brasil no Centro
Da Redação , Salvador |
07/08/2026 às 17:05
Senador Jaques Wagner
Foto: AG SENADO
Jaques Wagner pede adiamento de depoimento à PF no caso Master
A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) solicitou à Polícia Federal o adiamento do depoimento que estava previsto para esta sexta-feira (7), no âmbito das investigações relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master. Segundo os advogados, o parlamentar pretende prestar esclarecimentos, mas pediu que a oitiva ocorra após ter acesso completo aos documentos reunidos no inquérito.
Em nota, a defesa afirmou que o pedido não representa uma tentativa de evitar o depoimento, mas uma solicitação para garantir que Wagner possa conhecer o conteúdo da investigação antes de responder aos questionamentos dos investigadores.
“O senador pretende falar, mas não neste momento. O depoimento ocorrerá após conhecer o que efetivamente consta na investigação”, informou o advogado Pablo Domingues.
A Polícia Federal confirmou que realiza diligências no caso, mas afirmou que não comenta eventuais tomadas de depoimentos ou atos relacionados a investigações em andamento.
A apuração envolvendo o senador faz parte de uma investigação que analisa possíveis relações entre autoridades públicas e pessoas ligadas ao Banco Master. Segundo a PF, documentos reunidos no inquérito apontam suspeitas sobre vantagens econômicas indevidas relacionadas ao parlamentar, hipótese que é negada pela defesa.
Entre os elementos citados pelos investigadores estão movimentações financeiras, relações com empresários ligados à instituição e supostos benefícios recebidos pelo senador. A apuração também menciona um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, viagens em aeronave particular, um evento internacional e recursos destinados a uma empresa ligada à família de Wagner.
A investigação aponta ainda que um dos principais elos analisados é a relação entre Wagner e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Conforme os investigadores, os dois tiveram dezenas de contatos registrados durante o período investigado.
Durante uma operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), agentes apreenderam valores em dinheiro nas residências do senador em Brasília e Salvador. Wagner afirmou que os recursos encontrados eram provenientes de reembolsos de diárias do Senado e negou qualquer irregularidade.
Após o avanço das investigações, Jaques Wagner deixou a liderança do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado. A saída ocorreu em meio à repercussão política do caso e às avaliações de aliados do Palácio do Planalto sobre o impacto da investigação.
O senador tem afirmado que está tranquilo e que pretende demonstrar sua inocência ao longo do processo. “Tenho certeza de que vou provar minha inocência”, declarou Wagner em entrevista recente.