O presidente Lula prometeu agir com reciprocidade se tiver havido abuso por parte dos Estados Unidos no caso da expulsão do delegado da Polícia Federal no caso Ramagem.
Tasso Franco , da redação em Salvador |
21/04/2026 às 11:16
Delegado da PF, Marcelo ivo
Foto: REP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (21) que pode expulsar agentes dos Estados Unidos em serviço no Brasil como medida de reciprocidade após o governo norte-americano determinar a saída de um delegado da Polícia Federal que atuou na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, na semana passada.
Na véspera, o delegado Marcelo Ivo de Carvalho foi informado de que deveria deixar o país por supostamente “contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas” em território norte-americano. Fontes a par do caso afirmam que a Polícia Federal e o governo brasileiro foram pegos de surpresa com a decisão. A expectativa é de que ele chegará ao Brasil até o final do dia.
“Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa. Ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas pessoas norte-americanas querem ter em relação ao Brasil”, disse Lula a jornalistas em Hannover, na Alemanha, onde cumpre agenda oficial.
O presidente Lula prometeu agir com reciprocidade se tiver havido abuso por parte dos Estados Unidos no caso da expulsão do delegado da Polícia Federal no caso Ramagem. Marcelo Ivo de Carvalho atuava junto ao Serviço de Imigração americano e participou da ação que prendeu o ex-diretor da Abin na Flórida.
O Departamento de Estado Americano acusa o delegado de tentar burlar o sistema de imigração dos Estados Unidos para promover perseguição política e pediu que ele deixasse o país.
O governo americano entendeu que a Polícia Federal tentou tratar o caso de Ramagem, que tem pedido de asilo, como uma deportação administrativa por status migratório, em vez de seguir os trâmites lentos de extradição judicial.
Em postagem nas redes sociais, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental diz que nenhum estrangeiro pode manipular o sistema de imigração americano para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos.
O ex-diretor da Abin fugiu do Brasil em setembro do ano passado para não cumprir a pena de 16 anos de prisão a que foi condenado pelo STF por participar da trama golpista.