Direito

CASO DA CANTORA GOSPEL SARA FREITAS: RÉUS CONDENADOS A 34,33 E 28 ANOS

A promotora de Justiça Mirela Brito falou sobre a atuação do Ministério Público no caso, assinalando que “o MP tinha por desejo maior a vida, a existência de Sara Freitas
MP INFORMAÇÕES , Dias D'Ávila | 26/03/2026 às 10:01
Mãe de Sara Freitas com promotores
Foto: MP
     O Tribunal do Júri de Dias D’Ávila condenou nesta quarta-feira, dia 25, três acusados pela morte da cantora gospel Sara Freitas, assassinada em 24 de outubro de 2023, na entrada do povoado Leandrinho. O julgamento popular, ocorrido no Fórum Criminal do município, resultou na condenação de Ederlan Santos Mariano, Weslen Pablo Correia de Jesus e Victor Gabriel Oliveira Neves por feminicídio  e circunstâncias agravantes reconhecidas pelos jurados.
 
   Os réus foram condenados por feminicídio qualificado por motivo torpe — mediante pagamento e promessa de recompensa —, cometido com emprego de meio cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima, ocultação de cadáver e associação criminosa. As penas fixadas foram de 34 anos e cinco meses de prisão para Ederlan Santos Mariano; 33 anos e dois meses para Victor Gabriel Oliveira Neves; e 28 anos e seis meses para Weslen Pablo Correia de Jesus. 

  No caso de Weslen, houve redução da pena em razão da confissão apresentada durante o julgamento. Os jurados acataram a acusação do MPBA, sustentada pelos promotores de Justiça Audo Rodrigues, Hortênsia Leão, Mirella Brito e Tiago Quadros. 
 
A promotora de Justiça Mirela Brito falou sobre a atuação do Ministério Público no caso, assinalando que “o MP tinha por desejo maior a vida, a existência de Sara Freitas. Diante do irreversível, diante da submissão dela a prática de um crime tão violento que a retirou tão precocemente da nossa possibilidade de convivência, fizemos o que podíamos, clamamos por justiça, e a sociedade de Dias D'Ávila deu esse retorno para todos nós”. Ela frisou que, “hoje, além de justiça para Sara Freitas, acredito que restou muito claro a indicação de que mulher não é objeto, de que o crime de feminicídio é algo muito grave e que existirá repercussão para toda e qualquer pessoa que atuar contra a vida e dignidade de nós, mulheres, cidadãs e sujeitas de direito baianas”.

Segundo a denúncia, Sara Freitas foi atraída sob o falso pretexto de participar de um evento religioso. A investigação apontou que ela foi assassinada com 22 golpes de faca e teve o corpo ocultado e queimado posteriormente, em uma tentativa de dificultar a elucidação do crime. Conforme sustentado pelo MPBA em plenário, os acusados agiram de forma organizada e com divisão de tarefas, motivados por promessa de recompensa financeira e interesses relacionados à carreira artística de um dos envolvidos. Entre os condenados está o viúvo da cantora, Ederlan Santos Mariano, apontado como mentor do crime. Ele, Weslen Pablo Correia de Jesus e Victor Gabriel Oliveira Neves também responderam por ocultação de cadáver e associação criminosa no contexto da execução.
 
O caso já havia resultado anteriormente na condenação de um quarto denunciado. Em 16 de abril deste ano, o Tribunal do Júri condenou Gideão Duarte de Lima a 20 anos, 4 meses e 20 dias de prisão por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e associação criminosa. Segundo a acusação, ele foi responsável por atrair a vítima até o local onde ocorreu a emboscada.