Cultura

SERRINHA PERDE DUAS FIGURAS POPULARES BABÁ E JOÃO DO PÉ NA COVA (TF)

Dois personagens queridas na cidade de Serrinha, Bahia
Tasso Franco , da redação em Salvador | 04/09/2026 às 12:00
João pernambucano do Pé na Cova
Foto: DIV
 Em menos de uma semana morrerm duas figuras populares de Serrinha da Bahia, Babá e João do Bar Pé na Cova, por ironia do destino restaurante situado ao lado do cemitério diocesano, que tive a oportunidade de frequentar levado por Benjamin Queiroz, freguês dos mocotós e rabadas servidas por Dalva, esposa de João, um pernbambucano que chegou ao município com a exploração de ouro na Mina Brasileiro, década de 1980, originalmente, da Vale do Rio Doce.

  João foi do ouro ao feijão, da direção do Sindmina e da labuta na prospecão do metal precioso subterrêneo em trituração de rochas ao feijão, os tutanos e as comidas comumente chamadas no Sertão de "brabas" de "sustança" que as nutricionistas consideram maléficas, gorduosas, prejudiciais à saúde.

  A cultura do Sertão, no entanto, não acha asssim. Babá, antes de falecer por infarto confessou a Adelson Nogueira que teria comido um mocotó. E, João, também partiu levando por um infarto, enfermidade silenciosa do coração que, normalnmente as pessoas descuidam de tratá-lo e quando a pressão sobe as alturas as veias das artérias estão entupiadas, falta ar e a pessoa morre.

  Babá, sei por conversa com seus irmãos, não fazia exames do coração; e é provável que João também não fazia. 
  
    Certa ocasião, no primeiro decênio desse século, Benjamin Queiroz, aposentado do BB, excelente papo um dia me chamou para ir ao Pé na Cova. Estranhei o nome, mas ele disse que era um restaurante porreta ao lado do cemitério e que servia uma comidinhas sertanejas excelentes. 

  E lá fomos nós e Benjamin traçou uma rabada e eu tanmbém, com moderação. Por lá encontri Barata tomando uma quente e outros amigos da Serra. E foi nesta ocasião que conheci.

   Depois voltei, em 2012, apra um encontro com Cassiano, do PSB,  e saboreei outra rabada (veja crônica abaixo intitulada "Rabada ao Pé na Cova em Restaurante tipico de Serrinha é demais") que, em Bilbao, onde estva se chama "Rabo de Toro" e saboreei uma delas na localidade de Elciego, Rioja, com a diferença que, na Espanha, não se usa farinha nem molho lambão.
  
   No último dia 2, o saudoso João resolveu colocar seus pés na cova, o que, mais cedo ou mais tarde aconte com todos com ou sem rabadas e mocotós.
 
CRÔNICA DE DOM FRANQUITO
EM 13 ABRIL DE 2012

Tem coisas que só vendo para acreditar. Em Serrinha, gloriosa cidade que dista 178 km de Salvador, tem um bar e restaurante que se chama Pé na Cova. Com esse sugestivo nome e ao lado do cemitério do padre Demócrito, o capanário local, a placa mural de patrocínio da casa é da Funerária São Vicente, de Sêo Eufrásio, o homem que mais conduziu humanos à cova na cidade.

    E, por posto e para honrar a tradição gourmet da casa, seu proprietário João Francisco de Souza, João pernambucano, tem quatro especialidades à disposição dos clientes daquelas que ajudam, quando não, a levar o camarada ao pé na cova ou pelo menos nas proximidades: rababa de boi, saparapel, mocotó e feijoada.

   Tudo bem apimentado e farto em gorduras com o tempero de sua esposa, dona Dalva, a qual é craque em cominhos e outros atributos que deixa a comida ainda mais deliciosa.

   É pra pirão, como diz Cassiano, o camarada do PSB que me acompanhou no petisco de uma rabada bem caprichada servida no sábado da Aleluia do Senhor.

   Por pouco não cheguei ao pé na cova porque me precavi com uma Seleta da melhor têmpera e porque o dito João, Sêo João como todo chama o Pernambuco, adicionou uma daquelas geladas que desce redondo.

   Sêo João é petista de carteirinha e tem até uma foto do dito com o ex-presidente Lula, ao lado da geladeira do Pé na Cova, lembranças da época em que trabalhava na mineração em Jaguarari e se engajou nas lides sindicais.

   Nascido em Oucicouri, hoje, Santa Cruz da Venerada, PE, Sêo João está em Serrinha desde a década de 1980 e à frente do Pé na Cova há 7 benditos anos.

   A casa está sempre lotada de clientes e Sêo João funciona como garçom no balcão e nas mesas. É um corre-corre. Um faz tudo. Dona Dalva fica cuidando dos aviamentos na cozinha e nada sai rápido por lá. É casa pra se ir com calma, tomar algumas e esperar que a comida chegue sem pressa.

   Os clientes brincam com Sêo João dizendo que, uma hora dessas ela pulará o balcão para o outro lado, ou seja, o muro do cemitério, e Pernambuco diz: "Cruz credo, tô fora".

   Pra tira-gosto o típico da casa é um punhado de ovos de codorna. Se quiseres tem ovos de galinha cozidos, daqueles coloridos. Tudo uma maravilha, com sal.

   De minha parte gostei muito da rabada ao Pé na Cova com pirão, arroz e saladaa e mais nem pulei o muro do cemitério para a morada eterna nem tive qualquer dorzinha de barriga.

   Só não comi muito porque dona Dalva caprichou de tal forma, sabendo de minha fama de bom gourmet que não deu pra levar o prato todo. Que tava bão tava.
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   João faleceu na noite desta quarta-feira (2), vítima de um infarto.