Vila bombardeada pelos nazistas em 1937 motivou a grande obra do pintor Pablo Picasso para a exposição internacional de Paris, em 1937
Tasso Franco , Guernika, Spain |
28/08/2026 às 06:05
Jornalista TF gravando na cidade de Guernika
Foto: TFB
Visitei ontem a cidade de Guernica-Lumo, o Parque dos Povos, o Museu da Paz e a árvore sagrada. Embora eu não seja basco, creio, a mim a outros tantos turistas que estávamos na cidade sentimos uma emoção muito forte diante da simbologia do local bombardeado pelos nazistas a pedido do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola, em 1937, e que resultou em mais de 1500 mortos (esse numero está sendo revisado pelos historiadores atuais) e a destruição de 80% da vila.
Esse fato, considerado um dos mais dramáticos da Guerra Civil da Espanha ( se iniciou em 17 de julho de1937 com o golpe militar do general Francisco Franco e durou até 1º de abril de 1939) motivou Pablo Picasso, por encomenda do Governo Rrepublicano, do Pais Basco, pintar seu mais importnte quadro cubista retratando esse massacre humano óleo intitulado Guernika, que se encontra (o original) no Museu Reina Sofia, em Madrid.
Gernika-Lumo, hoje com 17 mil habitantes, é uma histórica cidade e município da Espanha, localizada na província da Biscaia, na comunidade autônoma do País Basco. Um dos símbolos mais importantes da identidade e da autonomia do povo basco é a Árvore de Guernica, localizada na Casa de Juntas, sob a qual os antigos líderes bascos juravam respeitar as leis locais e onde se decidiam os interesses da comunidade. Hoje, é também o local onde o Lehendakari (presidente do governo basco) toma posse.
Durante a Guerra Civil Espanhola, a cidade foi severamente destruída por um ataque aéreo da aviação alemã e italiana (aliadas do regime franquista). Foi um dos primeiros bombardeios em massa contra civis da história realizado pela Legião Condor, tropa de elite nazista. O sofrimento dessa tragédia inspirou o pintor espanhol Pablo Picasso a criar o célebre painel Guernica, que se tornou um símbolo mundial e universal contra os horrores da guerra.
O MASSACRE
O general Francisco Franco autorizou o bombardeio de Guernica principalmente por motivos estratégicos, políticos e de guerra psicológica. Os objetivos centrais da ação militar foram quebrar a resistência do povo basco. Guernica era o berço da identidade e da autonomia basca. Atacar o coração simbólico da região serviu para destruir a moral dos soldados e civis que defendiam a República e se opunham ao avanço franquista.
Guerra de terror e desmoralização: O ataque visava espalhar o pânico na retaguarda inimiga. A estratégia pretendia forçar a rendição imediata de todo o norte da Espanha. Bloqueio de estradas e pontes: Estrategicamente, a cidade ficava na rota de retirada das tropas republicanas em direção a Bilbao. Destruir os cruzamentos e pontes locais impediria essa fuga e facilitaria o avanço por terra das forças de Franco.
Laboratório militar para Hitler: Franco permitiu que seus aliados alemães (a Legião Cóndor) e italianos utilizassem o ataque como um campo de testes práticos para a nova doutrina alemã de "guerra total" e "bombardeio de saturação". A experiência serviu de ensaio para as táticas aéreas aplicadas na Segunda Guerra Mundial.
Curiosamente, as fábricas de armas situadas na periferia da cidade e a Árvore de Guernica saíram intactas do ataque. Isso reforça a tese histórica de que o foco central da operação foi a aniquilação do centro urbano e da população civil.
O número exato de mortos no bombardeio de Guernica é objeto de debate histórico devido ao desaparecimento de registros documentais durante o regime de Franco, restando duas contagens principais:O balanço oficial histórico (Governo Basco): Na época do ataque, as autoridades locais bascas contabilizaram 1.654 mortos e 889 feridos.
Essa estimativa mais alta foi amplamente divulgada internacionalmente pela imprensa mundial e defendida em estudos recentes de historiadores bascos. O bombardeio é universalmente reconhecido pelo seu impacto psicológico e por ter reduzido a escombros cerca de 85% dos edifícios da cidade.
A VISITA
Na visita que fizemos a cidade de Guernika visitamos o painel de azulejos onde há uma república amliada do quadro de Picasso, o Parque dos Povos com lago e área com vãrias obras de arte e o Museu da Paz onde há detalhes sobre o massacre, fotos, exposição de quadros a óleo de outros pintores, video e venda de objetivos e livros que retratam o massacre.
A cidade, na atualiade, vive na paz, respira paz e procura passar uma mensagem de paz a todos que a visitam. Todo mundo se emociona com o que vê em fotos, videos, depoimentos, escombros expostos sob passarelas de vidro e pubkicações. Gostei demais da vista e estive acompanha da madame Bião de Jesus e meu filho Tasso Franco Bião, já naturalizado espanhol.
Creio que é a primeira vez que um órgão de imprensa da Bahia, o www.bahiaja.com.br faz uma visita a este local histórico (TF)