Walmir Rosário é jornalista, radialista e advogado
Walmir Rosário , Itabuna |
01/08/2026 às 06:18
Frei Justo no Rotary
Foto: Diário de Itabina
Na década de 1950 a educação em Itabuna passava por avanços, embora as instituições de ensino implantadas ainda não eram capazes de atender toda a demanda existente. Nos bairros, então, as dificuldades eram ainda maiores, pois as poucas escolas e colégios pertenciam aos particulares, às entidades católicas e pouquíssimas dos governos estadual e municipal.
O único recurso – embora dispendioso – para o público em geral era matricular seus filhos nas escolas particulares, desde o estudo do ABC e Cartilha e as séries do primário. No ginásio, pouquíssimas vagas – pagas –,e as famílias que tinham boa condição financeira enviavam seus filhos para estudar em Ilhéus.
No bairro da Conceição foi inaugurado o Colégio Estadual General Osório para o atendimento ao primário, e a Prefeitura mantinha duas salas de aula para o ensino das primeiras letras (ABC e Cartilha). O restante da criançada ingressava nas escolas particulares, pagando um preço módico, nem sempre disponível à maioria das famílias.
Com a chegada dos frades Capuchinhos, em 1958, além da construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, os religiosos projetaram a construção de um colégio. Com isso, retirava uma parcela da juventude das ruas, integrando-os à educação formal e a informal, esta religiosa, o famoso catecismo, com a Cruzada Eucarística, os coroinhas, e futuros seminaristas.
Um destaque nesse trabalho foi a professora Maria Zélia Couto, soteropolitana, rígida na sala de aula do Colégio General Osório e nas aulas de catecismo, o que lhe imprimia status importante junto às famílias. Maria Zélia não era uma simples professora da educação formal e católica, e sim uma formadora de caráter aos católicos praticantes.
Para os capuchinhos, a educação e a religião tinham que andar de mãos dadas na formação dos jovens, até porque além do caráter, a liturgia católica dependia da compreensão do Latim, principalmente nas missas. Éque elas eram celebradas por meio da última flor do Lácio, como dizia opoeta Olavo Bilac, no soneto Língua Portuguesa. Com a Igreja de Nossa Senhora da Conceição quase pronta, o projeto da Escola entrou na ordem do dia.
Em 23 de setembro de 1958 Frei Justo foi convidado para uma reunião do Rotary Club de Itabuna. No encontro, o presidente Adélcio Benício dos Santos, Calixto Midlej Filho, presidente do Protocolo; o Padre Nestor Passos e todos os rotarianos tiveram ciência do grande projeto de educação.A
Para os rotarianos o frande fez um balanço das obras no bairro da Conceição, expressando o sentimento cristão, empenhando em concluir a obra da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e uma escola para menores, importante devido à falta de atenção às crianças, muitas delas desviadas do bom caminho, um dos grandes problemas.
Daí é que Frei Justo batia às portas das instituições da sociedade e de pessoas reconhecidamente benfeitoras, sempre encontrando a acolhidado povo generoso de Itabuna. E ele lembrava grandes vultos do catolicismo no Brasil, a exemplo dos padres José de Anchieta e Manoel da Nobrega, jesuítas, que implantaram igrejas e importantes escolas. E Itabuna repetiria esses feitos.
E o frade apresentou uma maquete aos rotarianos, mostrando o projeto de uma escola, de autoria do arquiteto João Maschesini. O colégio seria uma contribuição importante a ser dada a Itabuna e ao bairro da Conceição pelos frades Capuchinhos no Cinquentenário de Itabuna, no ano de 1960. Presente melhor não existiria, pois além da religião, promovia a cultura e asabedoria.
E Frei Justo descreveu o projeto, com dois pavimentos, equipados com duas salas para o Jardim de Infância (Educação Infantil), seis salas para o curso Primário (hoje Fundamental I). O prédio escolar também abrigaria a Educação Profissional, uma sala para o curso de Corte e Costura e outra sala para o Curso de Datilografia, abrangendo as crianças no contra turnod a sala de aula.
E para completar, uma sala para a assistência médica, e um salão destinado aos divertimentos e reuniões. Cada uma das salas levaria o nome de seus financiadores, uma homenagem dos capuchinhos à ajudaprestada pelos expoentes da sociedade. A apresentação encantou o srotarianos, que prometeram doações e ainda por cima, a mobilização dasociedade.
Só que em meados de 1961/62 as salas 1, 2 e 3 já estavam financiadas e pagas, já as salas 4, dedicada às mães e a 5, da Cruzada Eucarística e a da educação infantil ainda não estavam pagas, aguardando o cumprimento da obrigação pelos financiadores. O mesmo acontecia com as salas 6 a 15, cuja conclusão seria um forte impulso à luta travada contra o analfabetismo.
Embora as obras não tenham seguido conforme o cronograma pretendido– segundo alguns pela mudança da equipe de frades – a Escola foi inaugurada ainda em construção e batizada de São José, homenagem dos Frades Capuchinhos ao Padroeiro de Itabuna. Um avanço a serreconhecido na história de Itabuna.