Cultura

MOACYR RIBEIRO O LENDÁRIO REPÓRTER DA ÁREA POLICIAL QUE MARCOU ÉPOCA

Hoje, creio, tem um repórter no Correio, Bruno Wendel que se destaca e tem uns traços, umas pegadas do velho Momó
Tasso Franco , Bilbao, ES | 27/07/2026 às 07:20
Adeus
Foto: BJÁ
Morreu neste sábado (25), aos 92 anos, o jornalista Moacyr Ribeiro, um dos nomes mais importantes da história do jornalismo policial na Bahia. Dono de um estilo marcante e reconhecido por sua dedicação à reportagem, Moacyr construiu uma trajetória de mais de três décadas cobrindo os bastidores da segurança pública e da criminalidade em Salvador. 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) manifesta solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão neste momento de despedida.

Em redes sociais, colegas de profissão – alguns dos quais ex-companheiros de redação – manifestaram pesar pela morte de Moacyr Ribeiro, destacando sua trajetória e contribuição ao jornalismo baiano.

Compromisso

Moacyr iniciou sua atuação na editoria de Polícia em 1962 e permaneceu por 35 anos acompanhando alguns dos episódios mais emblemáticos da história policial baiana. No Jornal da Bahia, viveu de perto um período marcado pela ascensão e queda de Manoel Quadros, chefe do chamado Esquadrão da Morte no estado, produzindo reportagens que denunciaram crimes, esquemas de corrupção e a atuação de grupos de extermínio ligados à estrutura da segurança pública.

Muito antes de o trabalho em tempo integral se tornar rotina nas redações, Moacyr dedicava dias à apuração de uma única reportagem. Frequentava ambientes de difícil acesso, acompanhava operações policiais e perseguia histórias até reunir todos os elementos necessários para publicá-las. O jornalismo policial, costumava dizer, era uma “cachaça”.

Mesmo diante dos riscos inerentes à cobertura que realizava — e dos alertas de familiares e amigos —, manteve o compromisso com a reportagem e com a divulgação de fatos que considerava de interesse público.

Em 2022, sua trajetória foi registrada pelo projeto Memória da Imprensa, da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), em entrevista concedida ao jornalista Valber Carvalho. O depoimento preserva lembranças de uma geração de repórteres que ajudou a escrever importantes capítulos da história do jornalismo baiano.

 Vitor Hugo comenta

“Que triste notícia para o já empobrecido jornalismo da Bahia. Um dos melhores repórteres de Polícia que conheci e tive a honra de ser amigo e colega em anos de ouro, loucos e de lutas da imprensa baiana. Um repórter e editor de Policia do Jornal da Bahia - no tempo da chama acesa mantida por João Carlos Teixeira Gomes, Joca, o Pena de Aço da Bahia -, figura de fina estampa, culto, bem informado e refinado texto, não só no jornalismo de polícia. Boêmio dos bons dos bares e noites soteropolitanas, quando ele rilhava ao lado de seu porrêta, Walmir Palma, este notável decano de A Tarde. Lembro, com saudades, das rodadas de conversas com ele no Cacique (Praça Castro Alves) e Bar do Rui (Ladeira da Praça). Saudades, muitas saudades”.

Vitor Hugo Soares, ao saber da morte de Moacyr Ribeiro.

Tasso Franco comenta

 Tive a oportunidade de conviver no jornalismo com Moacyr Ribeiro e também com seu irmão Kleber que nao era jornalista mas também era uma personalidade muito ligada a Bahia, tinha um sitio em Santo Amaro onde estivemos algumas vezes, e Moacyr que chamavamos "Momó" de uma geração mais velha que a minha era um repórter destemido, admirado pela coragem, pela ousadia, e por sus narrativas algumas delas com toques de ficção.

 Mas assim era "Momó" tanto na vida real quanto no jornalismo um profissional dedicado, apaixonado, que buscava a informação nos bastidores numa época em que imperava um sindicato do crime dentro da propopria policia. Nós temiamos pela vida de Moacyr, creio que ele também temia, porém, disfarçava, dizia que nada lhe aconteceria. E fizemos claro algumas farras, participamos de algumas noitadas na Velha Bahia Mundana.

  Mocyr nos deixa na flor da idade da velhice, aos 92 anos, e ficamos todos tristes com sua partida. Estou numa temporada em Bilbao, mas, faço minhas homenagens ao velho "Momó". Que recebam ele bem no céu nalguma redação.