Lançamento de livro sobre Educação Física antirracista reúne educadores, pesquisadores e fortalece debate sobre relações étnico-raciais em Salvador
Da Redação , Salvador |
14/07/2026 às 09:42
Josiane Cristina Climaco -
Foto: oducomunicação
O lançamento do livro Educação Física e Matrizes Africanas: Por uma proposição crítico-superadora e antirracista, da professora, pesquisadora e doutora em Educação Josiane Cristina Climaco - e com o prefácio da maior referência no campo da Educação Física, a Profa Dra Celi Nelza Zulke Taffarel e a apresentação do Prof Billy Malachias - USP / CEERT, - reuniu educadores, pesquisadores, estudantes e representantes do movimento negro em uma tarde marcada por reflexões, diálogo e celebração da produção intelectual negra. O evento aconteceu na Praça Neguinho do Samba, durante a programação do Redes Alvorada, promovido pelo Instituto Cultural Alvorada Bahia, e consolidou a obra como uma importante contribuição para o fortalecimento da educação antirracista no país.
Publicado pela Editora Revista África e Africanidades, o livro é resultado da pesquisa de doutorado desenvolvida por Josiane na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e propõe uma nova leitura da Educação Física brasileira a partir das matrizes africanas, defendendo uma formação docente comprometida com o enfrentamento ao racismo e com a valorização das contribuições históricas e culturais dos povos africanos e afro-brasileiros.
Durante o lançamento, Josiane destaca que a construção da obra representa um esforço coletivo, fundamentado nas lutas históricas do movimento negro e na experiência de professores que desenvolvem práticas pedagógicas antirracistas nas escolas públicas. "O livro é fruto da minha tese, mas não é um trabalho solo. Ele reúne as vozes de professoras e professores de Educação Física que já desenvolvem práticas antirracistas, muitas vezes invisibilizadas dentro da própria escola. É uma construção coletiva”, salienta.
A autora também reforça que pensar uma Educação Física antirracista significa compreender que a escola precisa dialogar com a realidade da maioria dos seus estudantes."A gente tem que aprender a lidar com o nosso povo. Se eu estou na escola e essa escola é majoritariamente negra, mas eu não pauto as relações étnico-raciais, eu estou preterindo. E preterir também é uma dimensão do racismo."
Ao apresentar os fundamentos da obra, Josiane explicou que sua proposta amplia o debate tradicional da Educação Física ao incorporar o enfrentamento ao racismo estrutural como elemento indispensável da formação docente. "A proposta é crítico-superadora porque faz a crítica à sociedade capitalista, mas também é antirracista porque precisamos demarcar que, além da desigualdade social, vivemos os impactos do racismo estrutural e institucional."
Outro momento marcante foi a homenagem prestada à professora e pesquisadora Eliane Cavalleiro, uma das principais referências nacionais em educação antirracista, cuja presença emocionou a autora. "É muito gratificante ver aqui Eliane Cavalleiro, uma das grandes referências deste livro. Não podemos falar de educação antirracista sem reconhecer intelectuais como ela, que abriram caminhos para que pesquisas como esta existissem.", declara Josiane.