Atribuído a: Enildo Ramos Vasconcellos., brasileiro residindo na Noruega
ERV , OSLO |
07/07/2026 às 09:04
Educação na Noruega
Foto: Revista Escola
Copa do mundo.
Brasil x Noruega
Antes de tudo, uma reflexão.
A Noruega acaba de eliminar o Brasil de uma Copa do Mundo.
Milhões de brasileiros ficaram tristes. Afinal, perder no futebol sempre dói. Faz parte da nossa cultura, da nossa paixão e da nossa identidade.
Mas, quando o árbitro apitou o fim da partida, uma pergunta ficou no ar:
Quem realmente venceu?
A Noruega venceu uma partida de futebol.
Mas, há muito tempo, ela vem vencendo um campeonato muito mais importante.
Um campeonato que não dura noventa minutos.
Dura todos os dias.
Enquanto nós discutimos o resultado de um jogo, a Noruega continua oferecendo aos seus cidadãos um dos melhores sistemas de educação do mundo. Continua figurando entre os países mais seguros do planeta. Mantém uma das menores taxas de corrupção, uma saúde pública de excelência, cidades organizadas, transporte eficiente, respeito às leis, estabilidade econômica e um dos maiores índices de desenvolvimento humano da humanidade.
Lá, a maior riqueza não é apenas o petróleo.
É a confiança entre as pessoas e nas instituições.
É saber que os impostos retornam em serviços.
É poder caminhar tranquilamente pelas ruas.
É oferecer aos filhos uma educação de qualidade.
É acreditar que o esforço será recompensado.
É viver em um país onde o cidadão, e não o governo, está no centro das prioridades.
Enquanto isso, o Brasil, um país infinitamente mais rico em território, água, biodiversidade, clima e recursos naturais, ainda luta contra problemas que já deveriam fazer parte do passado: violência, corrupção, desperdício de recursos públicos, educação desigual, infraestrutura precária e serviços essenciais que nem sempre atendem à população com a qualidade que ela merece.
O que nos separa da Noruega não é talento.
Não é capacidade.
Muito menos riqueza.
O que nos separa são escolhas.
Escolhas feitas ao longo de décadas.
Escolhas de governantes.
E escolhas de cada eleitor.
É justamente aí que mora a maior lição.
Nenhum político pode reivindicar para si o mérito de uma vitória da Seleção Brasileira.
Assim como nenhum governante pode ser responsabilizado por uma derrota dentro de campo.
A Seleção pertence aos atletas, à comissão técnica e ao povo brasileiro.
Mas a qualidade de vida de um país pertence às decisões tomadas por quem administra os recursos públicos e pela forma como a sociedade escolhe seus representantes.
Por isso, é preciso tomar cuidado para que a emoção de uma vitória esportiva nunca substitua a razão necessária para decidir o futuro de uma nação.
O futebol desperta paixão.
A política exige responsabilidade.
Uma Copa do Mundo pode nos dar um mês de alegria.
Boas escolhas nas urnas podem proporcionar décadas de prosperidade.
Más escolhas podem comprometer gerações.
Por isso, quando chegar o período eleitoral, lembre-se da Noruega.
Não porque ela ganhou do Brasil no futebol.
Mas porque venceu desafios muito maiores.
Venceu o desafio de construir um Estado eficiente.
De investir em educação antes de investir em discursos.
De combater a corrupção com instituições fortes.
De administrar suas riquezas pensando nas próximas gerações, e não nas próximas eleições.
O Brasil não precisa copiar a Noruega.
Nossa história é diferente.
Nossa cultura é diferente.
Nossa dimensão continental impõe desafios muito maiores.
Mas podemos aprender uma lição universal:
Nenhuma seleção transforma um país.
Quem transforma um país são cidadãos conscientes, instituições fortes, governantes competentes e uma população que entende que o voto não é um ato de emoção, mas de responsabilidade.
Quando estiver diante da urna eletrônica, não pense no gol da Copa.
Pense na escola onde seus filhos estudam.
Pense no hospital que atende sua família.
Pense na segurança da sua cidade.
Pense nas oportunidades para quem trabalha honestamente.
Pense no futuro do Brasil.
Porque um gol pode mudar um jogo.
Mas um voto consciente pode mudar uma nação inteira.
E talvez, quando o Brasil vencer esse campeonato — o da educação, da segurança, da honestidade, da eficiência e da qualidade de vida — as vitórias dentro de campo sejam apenas uma consequência de um povo que finalmente aprendeu que o maior título que uma nação pode conquistar não cabe em uma taça.
Ele se reflete na vida digna de cada um de seus cidadãos.