Cultura

O VALOR DA CAATINGA ESSE BIOMA ESPECIAL, por LILIANA PEIXINHO

Liliana Peixinho é jornalista
Liliana Peixinho ,  Salvador | 30/04/2026 às 11:56
A caatinga
Foto: LP
   O valor da Caatinga em pé é a cadeia de vida diversa que se forma quando se cuida, preserva, esse bioma especial, brasileiro, único. Num Mercado onde o Greenwhashing é propagado como sustentável, a Caatinga desperta múltipla atenção sobre sua potência ambiental.

   Como proteger?

   O valor da Floresta

  Meu pai, Seu Peixinho, catingueiro, do município de Monte Santo, Bahia, me mostrou, com sua prática, o valor de Caatinga, como bioma lindo, diverso, potente, cheio de riquezas.

   A revoada dos pássaros cantando no céu, anunciando chuva, os lagartos se arrastando, as cobras escondidas no mato, os sariguês rondando o galinheiro, os micos enfileirados em familia pulando os galhos e se equilibrando nos fios da iluminação da casa para comer pinhas do quintal bem cuidado pela esposa "Ceminha", os formigueiros construídos com maestria de arquitetura interna e externa, as lagartixas balançando as cabeças atentas às presas, os gatos se achegando no faro da carne assada, as seriemas desfilando em elegância.

   Tanta vida em movimento num ambiente onde o cuidado, com cada planta, "mato", árvore pequena, grande ou gigante, é valor sagrado, potente de vida coletiva.

CAATINGA preservada

Seu Peixinho tinha a ciência, a sensibilidade, a sabedoria, a prática do valor da cultura ancestral, organicamente, de que todos aqueles animais nativos estavam ali na roça porque ele não cortava nem um galho, de nenhuma árvore, fosse umburana, licuri, algaroba, umbuzeiro, juazeiro, jurema e tantas outras.

Cada árvore servia de abrigo para acasalamento, ninhos pra proteger ovos e filhotes, flores pra chamar abelhas, sombra pra beber um guarnica d'água, ou refrescar a cabeça do sol quente, ou comer uma fruta, pitar seu charuto, ou mesmo só sentar debaixo dos galhos e apreciar o ambiente, pensar, respirar, conversar com os amigos de labuta

Desperdício Zero

Até o capim que crescia, já sem boi na roça, era tirado e levado pra onde tinha animal precisando de comida. E quando os galhos de árvores caiam de velhinho, ou por ventos fortes, ou por raios, esses galhos caidos ao tempo, meu pai não deixava eles lá deitados no chão, ele pegava, levantava, e encostava no tronco de uma árvore. Ali ele deixava como reserva para diversas utilidades na roça. No fogão de lenha, por exemplo, só usava galhos finos e mortos.

Reflorestar

Recentemente vi a publicação de uma matéria onde um senhor usou recursos destinados a desmatamento (isso mesmo, recursos financeiros para derrubar árvores, limpar a terra e alimentar a balança comercial via commodities). O interessante é que a manchete da matéria informa que esse senhor inverteu a origem do uso do recurso, para reflorestar, plantar árvores. Que inteligente, que sábio esse senhor.

Na Caatinga tem gente que acha que roça bonita é quando o terra está limpinha, com o chão sem plantas, sem nada. E tem os que cortam as árvores para vender como lenha.

Chão puro X quintal plantado

Meu pai e minha mãe sempre cultivaram ao redor da casa: abacate, mamão, limão, acerola, umbú, manga, pitanga, banana, abóbora, batata, melancia, aimpim, milho, erva cidreira, boldo, mastruz, tomate, milho, em pequenas quantidades, com área limpa com enxada, sem máquinas. O Movimento Ativista AMA, criado no exemplo da experiência de práticas de meus pais, desenvolve as campanhas permanentes e itinerantes: "Preserve o Verde. Plante chuva", "Tire o cimento. Plante o alimento", "Quintais verdes", como ações educativas Comunitárias .

Greenwhashing x harmonioso

A distância entre o discurso Greenwhashing, (pintado de verde) e a prática real de sustentação do ambiente, com práticas de agricultura preventiva, em cuidado harmonia com a vida, a distância é real e tem levado à desertificação, contaminação de solos, sumiço de nascentes e leitos de rios, revela desequilíbrios onde doenças evitáveis são causas de mortes .
                                                                              ***
* Liliana Peixinho-Jornalista, ativista humanitária, pesquisadora independente.
Especialização em Jornalismo Científico e Tecnológico; Mídia, Meio Ambiente; Responsabilidade Social; de MBA em Hotelaria e Turismo Sustentável.