Cultura

CACHORRO ORELHA, NOS TE OUVIMOS, por BLUMA SANTANA

(Bluma)*Bluma Santana (@blumadelarosa) é escritora e artista. Tem doistrabalhos autorais publicados, diversos artigos e textos no âmbito da filosofia, ocultismo e metafísica
Bluma Santana , Brasil | 04/02/2026 às 18:14
Bluma Santana
Foto: DIV
  É doloroso até mesmo escrever. Talvez porque esse texto não parte de umlugar meu: eu me conheço, me administro, me protejo e protejo os meus. Mas há vulnerabilidades externas que estão além do meu alcance de proteção, donosso alcance. E é aí que o maior horror se faz. No todo do qual faço parte.

A dor de um cachorro comunitário que morre de forma brutal nas mãos de umaelite criminosa, não instala apenas um incômodo amargo na gente, mas umluto agressivo diante dos símbolos de impunidade, lealdade, comunidade eincondicionalidade. Então existe nessa dinâmica não só tristeza, masdespertencimento.

 É uma sensação, coletiva e tenebrosa, de ruptura diante doque sabíamos sobre o amor que evoca um cachorro, a sua inocência e suadoação sem cobranças, sem luxos, sem posses.

Animais encantam pela sustentabilidade de ser, simplesmente. Eles sãooriginais, inteiros, instintivos e desprendidos de crueldade inata. Animais são oque são. E doam essa integridade valiosa como uma forma de aconchego erefinamento à exaustiva dualidade humana.

Na causa Orelha há quem se indigne, há quem chore, quem reivindique etambém quem questione a razão de tanta comoção por um cão ao invés de poroutras causas. Para esses últimos, acho que resta apenas o impactoesmagador do grito coletivo sobrepondo a tentativa de equiparar contextos, oude refletir as próprias angústias em um momento de pura ferida social.

Na busca pela transformação desse horror, idealizei a Fundação Orelha e oFundo Orelha. Que dentre outras propostas, terão o objetivo de doar sempreum percentual de todos os meus trabalhos magísticos para instituiçõesvoltadas ao cuidado de cães, gatos e outros animais. 

Ambas sem qualquer fimlucrativo. Mas falarei sobre isso adiante, já que nesse momento prefiro libertaresse texto e deixar o que sinto se expandir nas mentes e corações de quemme lê.Orelha veio, enfim. Viveu, nutriu, alegrou, amou. E revelou. 

O som que eleecoou, não só na sua partida, mas na qualidade sensível de sua existência,não passou em branco. Orelha, nós te ouvimos.

*(Bluma) Bluma Santana (@blumadelarosa) é escritora e artista. Tem doistrabalhos autorais publicados, diversos artigos e textos no âmbito da filosofia, ocultismo e metafísica, publicados e compartilhados em sites,blogs e mídias sociais.