Salvador ganhará novos murais gigantes em prédios do Comércio com a 4ª edição do Projeto MURAL
Secom Salvador , Salvador |
27/03/2025 às 05:11
Arte Urbana Eder Muniz
Foto: Bruno Concha
Entre os dias 4 e 6 de abril, Salvador será palco da 4ª edição do Projeto MURAL (Movimento Urbano de Arte Livre). A iniciativa, que já transformou a paisagem da região do Comércio com 19 laterais e fachadas de prédios transformados em verdadeiras telas de obras de arte, retorna neste ano com uma programação ampliada, novos murais e ações interativas para o público.
Realizado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), e contemplado pela Lei de Incentivo Municipal Viva Cultura, o MURAL tem como objetivo democratizar o acesso à arte, revitalizar espaços urbanos e valorizar artistas visuais locais e nacionais.
Nesta edição, quatro novos mega murais serão produzidos em fachadas de prédios daquela região, que, inclusive vem sendo transformada pela gestão municipal, a exemplo da requalificação do Mercado Modelo, a construção da Casa das Histórias de Salvador, da Cidade da Música da Bahia e da reforma da Praça Maria Felipa, além da criação da Escola de Música e Artes Letieres Leite e a Sala de Espetáculos — estes dois últimos em andamento.
O projeto também ganhou um novo formato, funcionando como um festival de arte urbana. Pela primeira vez, de acordo com Vanessa Vieira, idealizadora e curadora do MURAL, haverá uma exposição documental sobre as edições anteriores, uma feira de arte e criatividade, além de bate-papos, oficinas e apresentações musicais, que serão realizadas no Polo de Economia Criativa, o Doca 1. A entrada será gratuita.
Vanessa explica que um dos critérios para que os prédios se tornem murais artísticos é a visibilidade para a rua, para que mais pedestres e motoristas que se deslocam entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa tenham a chance de contemplá-los. “A ideia é democratizar o acesso à arte, levando-a para espaços públicos e de grande circulação. Buscamos fachadas que tenham um fluxo considerável de pedestres e veículos para garantir que as obras alcancem um público amplo”, pontua.
Artistas - Entre os artistas convidados para pintar as fachadas, destacam-se nomes reconhecidos nacional e internacionalmente. O duo Acidum Project, do Ceará, trará, por exemplo, sua experiência global para um intercâmbio cultural com artistas locais. Outra grande novidade é a participação da artista indígena Ayako Nantusha, que vem se destacando no cenário nacional. Já o artista baiano Éder Muniz, que participou da primeira edição do MURAL, retorna para criar uma nova obra, que será em homenagem à biodiversidade da Amazônia Azul.
“Nesta edição, começamos a expandir para além da região do Comércio. O projeto nasceu com a intenção de contribuir para a revitalização dessa área portuária tão importante para a história da Bahia e de Salvador, especialmente no que diz respeito à arquitetura e às artes. O objetivo era chamar a atenção tanto dos gestores públicos quanto da população para a relevância dessa região. Se observarmos, encontramos ali um verdadeiro registro histórico da arquitetura baiana, com edifícios de diferentes períodos e estilos”, comenta a idealizadora.
Vanessa ressalta ainda que o MURAL tem um impacto significativo na vida das pessoas que circulam pela região do Comércio, independentemente de sua origem ou condição social. Além disso, ela ressalta que os murais não são apenas elementos decorativos, mas transformam o ambiente urbano e influenciam o bem-estar das pessoas.
“O impacto das 19 empenas já realizadas é perceptível nos relatos das pessoas. Recebemos depoimentos de todos os tipos de públicos, desde feirantes até pessoas que circulam pela região em carros de luxo. A diversidade de olhares sobre as obras mostra como a arte pode transformar o ambiente urbano e fazer parte da rotina das pessoas. Muitas relataram que os murais amenizam o estresse do dia a dia, tornando o trajeto mais leve e agradável”, finaliza.
George Vladimir, gerente de promoção cultural da FGM, mencionou a importância do projeto para a capital baiana. Ele diz que Salvador se tornou uma galeria a céu aberto, com empenas e painéis de grafite que valorizam a arte urbana. “Não há como negar o impacto do projeto nesse sentido. Além disso, para nós, da FGM, essa parceria é extremamente significativa. Sempre apoiamos institucionalmente todas as edições do MURAL, e nesta quarta edição, a iniciativa ganha ainda mais força ao ser contemplada por um dos nossos projetos mais importantes: a Lei de Incentivo Municipal Viva Cultura”, celebra.