segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

LOBI DE SERRINHA vai ao urologista e ainda ouve lero da esposa

Já estava no quinto copo d'água, assistindo TV, quando a mocinha perguntou: - Sêo Lobi, já deu vontade?
05/12/2017 às 19:47
Acordei altas horas da noite e fui ao banheiro verter água, como de costume, e o fiz prazerosamente. Quando retornei ao leito, dona Ester Loura, minha esposa, cutucou-me nas costelas e disse: - O senhor faça o favor de levantar-se, lavar os pés e enxugá-los.

   Tirei uma de João sem braço: - Que pés, madame!

   - Os seus que estão fedendo a xixi e não estou neste mundo para dormir com alguém dessa forma. Amanhã vou marcar uma consulta com o urologista, pois, quando um ser urina nos pés a coisa não tá boa.

   Sem alternativas, levantei-me fui ao banheiro fazer o devido asseio e quando retornei dei boa noite a senhora ao meu lado e fui dormir o sono dos anjos.

   No outro dia, logo após o café da manhã, Ester avisou: - Já marquei sua consulta com o doutor para às 16 horas. Portanto, organize-se. 

   Fazer o que! Almocei uma comidinha leve e segui para o doutor examinar-me. Quando cheguei ao seu consultório tinham várias pessoas na sala de espera. Dei minha carteira do plano a atendente e ela mandou sentar-me numa das cadeiras da sala.

   Ante-sala de consultório de doutor do orificio é uma coisa curiosa. Ninguém olha para ninguém. Fica todo mundo sério, vendo TV, observando os pés, fazendo palavras cruzadas ou calado, taciturno. Foi também o que fiz até ser chamado pelo doutor.

   Em lá chegando, em sua sala, narrei-lhe o episódio da noite anterior, o camarada perguntou se estava sentindo algum ardor, algo incomum, e eu disse que não. - Que se eu dormia bem após o xixi altas horas, respondi que era um sono de pedra.

   Então, ela mandou que ariasse as calças e a cueca, que deitasse de frente. Observou o 'lindo' e outras áreas e disse que eu estava com uma hérnia ignal. 

   Depois, mandou que deitasse de lado na maca e dobrasse o joelho, sendo que, em seguida, passou uma pomada ardiolsa no meu fiofó e fez uma análise interna corporis com o dedão polegar, em coisa de segundos, algo profundo, latente. Em seguida, mandou que eu levantasse e recolocasse as roupas nos devidos lugares.

   - Sêo Lobi, o senhor está com a próstata um pouco crescida. Vou pedir uns exames, um psa, etc, volte à atendente para a gente fazer um exame de fluxo urinário. Além disso, o senhor tem que operar essa hérnia antes que ela se complique. 

   Perguntei se poderia usar uma funda, uma cinta para proteger o local.

   - Ora, Sêo Lobi, funda é coisa da idade média quando não se podia operar. Essa doença não tem cura e o tratamento é cirúrgico.

   Lá fui beber água para fazer o tal do exame do fluxo e a atendente deu-me um copo plástico e mandou que bebesse bastante água. 

   - Quando o senhor tiver com vontade avise-me, advertiu.

   Já estava no quinto copo d'água, assistindo TV, quando a mocinha perguntou: - Sêo Lobi, já deu vontade?

   - Ainda não, respondi.

   - Estão beba mais um copo vá caminhar no corredor que a vontade vem logo.

   De fato, assim que dei umas dez voltas no corredor, a dor chegou e ela então conduziu-me para uma enfa, a qual me colocou diante de um cone de papel e mandou que eu urinasse nele. 

   Em instantes, o compoutador registrou meu exame, de fato, na análise do doutor estava com fluxo baixo, daí que, além da hérnia eu faria também uma RTU, cirurgia igual a que Michel, o dirigente máximo fez.

   Quando cheguei em casa, dona Ester quis logo saber o que aconteceu no urologista e fui direto: - Cheguei bom e sai doente. Tenho que fazer duas cirurgias e expliquei o acontecido.

   - Bem que lhe disse que seu fluxo estava baixo, nos pés, sorriu.

   No outro dia, lá fomos nós para o hospital dar entrada na papelada fornecida pelo médico para que o plano autorizasse as cirurgias. 

   De cara, o atendente do HB disse que eu precisaria de um exame complementar urológico, que registrasse a necessidade de uma RTU, pois, só com o fluxo e o pedido do médico o plano não autorizaria.

   Retornei ao doutor e ele então mandou a enfa passar uma sonda no meu 'peru' para realizar um exame mais profundo.

   Pense em algo deselegante o camarada com o 'peru' entubado, o fiofó tamponado, soro fisológico sendo injetado até a bexiga para que o tal faça xixi noutro cone a fim do computador registar os detalhes do comportamento da uretra.

   Refeito, o doutor conferiu o exame e atestou: - Como eu havia previsto seu caso é de cirurgia preventiva. Agora v pode levar esse exame que o plano de saúde autorizará.

   Dona Ester Loura, curiosa como sempre, também analisou o tal exame e fomos levá-lo e mais a papelada complementar para que o plano autorize as cirurgias.

   Pronto, estou nessa fase de espera. E toda noite, nas tais altas horas, quando vou ao banheiro, Ester fala debaixo das cobertas: - Vê se urina no local aqueado. 

   - É a vida! 'Véi' sofre.