quinta-feira, 04 de mar?o de 2021
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

CRÔNICA FINAL: A NUVEM DE FOGO DO FIM DO MUNDO AINDA RONDA A SERRA

Esta é a crônica final (total de 44) do livro "O Lobisomem de Serrinha, a nuvem de fogo e o fim do mundo"
31/01/2021 às 11:31
 Imagino que alguns dedicados leitores e amadas leitoras vão ficar com saudades das crônicas do Lobisomem de Serrinha – carinhosamente chamado de Lubi da Serra - uma vez que esta é a última de uma série de 44 (número cabalístico) do livro que vai assinado pelo jornalista Tasso Franco intitulado "Lobisomem de Serrinha, a nuvem de fogo e o fim do mundo" que está sendo publicado por capítulos no aplicativo canadense de literatura wattpad e vocês podem ler gratuitamente.
 
   Estamos saindo de férias para uma temporada em Rennes-le-Château o misterioso vilarejo nos Pirineus da França onde existe enterrado em local incerto (pode ser até embaixo do leito de um rio como faziam os reis merovíngeos) um tesouro incalculável em riquezas - rubis, espadas e lanças de ouro e prata, coroas cravejadas de esmeraldas, o Santo Graal, tiaras de diamantes e até o segredo da Pedra Filosofal que transforma argila em ouro - e esperamos retornar com esse dinheirama para ajudar os pobres do nosso bairro, pois somos afortunados pela graça de Deus, ricos em felicidade, e mais uma tiara de esmeraldas ou um colar de brilhantes para a Ester não faz muita diferença, pois ela já os tem para vários pescoços e colos. 
   
  E trazendo comigo o segredo da Pedra Filosofal vou transformar o barro da Lagoa do Tanque Grande perto da fazenda Tamboatá em ouro. Ao invés de adobes para construção de casas vamos produzir adobes de ouro. Vai ser uma maravilha. Um desses adobes vou dar a Manoelito dos Anéis para fazer um medalhão mais pesado do que os usados por Neto LX. 

  Mais pirotesco valerá nossa aventura andar pelos pináculos de Rennes, por Carcosone, Castel Négre, aldeia de Champagne, pela Fortaleza de Quéribus, Quilan, pelo Forte Cátaro de Montségur,pela Montanha do Cálice, por Hautpoul, pelas terras antes habitadas pelo visigodos, os cátaros, os merovíngeos, as terras do Languedoc francês, do padre e mago Berénguer Saunière que teria achado uma parte desse tesouro e gastou uma fortuna erigindo templos e obras de arte na Igreja de Santa Madalena, beber nesse caldo de cultura, onde diz-se, até que Madalena fora a mulher de Jesus e por essas bandas findou seus dias na Terra, ao lados dos filhos.
 
  Como esta última crônica fecho o livro e agradeço muito a todos aqueles personagens que habitaram as páginas virtuais do wattpad e vão, em breve, morar nas páginas do livro que será editado pela Ojuobá/Amazon. O livro nasceu com a pandemia do coronavirus e uma nuvem de fogo que pairou sobre nossa comunidade. Foram 44 crônicas e quase 1 ano de jornada sem que a pandemia fosse debelada.
Um reverência aos capistas Moncada Filho e Vence Giovannini, a professora H e sua irmã O de Jesus (a professora vai herdar toda coleção de sapatos de Luis XV), leitoras assíduas e personagens colaboradoras, a mi nieta Sol, presente em várias crônicas com seus conselhos mordazes, a cronista carioca Murta Francolino, aos irmãos Leandro e Leandrinho que são mais prolixos do que Gil e cuidam do meu computador e suas ingrizilhas dias em que trabalha feito o trem bala japonês e dias em que quando liga opera como as antigas Marias Fumaças da Leste Brasileiro.

  Agradeço ao nosso devotado Conselho Político e não me esquecerei dos seus personagens quando achar o tesouro, quiçá Tolentino Caneco venha a tomar seu uisquinho não mais naquele alumínio surrado que usa há anos e sim no cálice bento; Pinguinha ganhará espetos de ouro e talheres de prata; Teco um mobiliário em jacarandá cravejado de rubis; Toinho um caminhão FNM Tesla elétrico zerado; Reizinho ternos de linho inglês; Alírio Vermelho que foi para a casa do pai durante essa jornada uma lápide em mármore rosa de Itália; Ó Santa, balangandãs com figas de ouro branco; Antonha licorista bandejas de ouro e cálices de Valencia e Castelon em cristais da Boemia; e a Zais Pinharada baldes de ouro para acomodar o leite de suas vaquinhas.

  Houve um momento em que lancei caminhoneiros (vivos e mortos) a presidência da Pindorama. Só astuciando que, historicamente falando, tivemos bravos e denotados caminhoneiros, a seguir, alguns deles também lembrados à minha memória com a ajuda de Luciano Bacelar e Jorge Mattos: Luizão, Liovaldo Pinho, Carlos Tamborete, Israel Lopes, Didi, Lourinho, Vando Meia Língua, Seni, Zitinho, Sinfrônio, Zuminha, Galo Carreteiro, Ireninho, Amaral, Daniel Lopes, Tuta, Zelito Macedo, Jorjão de Maria, Lúcio, Chiquinho Tomé, Mindú, Mário Lucio, Lúcio Macedo, Gese Pinho, sendo que este último tinha um carinho especial por seu caminho mais enfeitado do que a penteadeira da finada Ana do Salão.
E outros que fui tirando da cachola e eram bravos e reais como Zé de Bilia, Fia, Salvador de Zitinho, Albino do Matão, Paulo Coutinho, Sêo Vilela, Zé Roberto, Dedé da Maísa, Genival Lima o Dadá Caga Cebo, Zé Piçá, Zé Bagaço e Careca de Pìçá. 

  Gente que desbravou o Brasil, que ia buscar madeira no Belém e ficava 15 dias fora de casa comendo poeira e atravessando buracos, que levava couro de boi da Serra para São Paulo, que trazia doces e marmelos de Santa Catarina, que abastecia nossos postos de gasolina com viagens a Mataripe e se não fossem eles, o que seria da Serra se a linha do trem faliu e os pneus de borrachas se transformaram no ‘progresso’ do Brasil.
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   Temos que agradecer também aos nossos amigos caixa alta endinheirados que são mais de saúde e alegria do que de capilé, o poeta Mendes do Passé, o doutor Zéu nosso defensor jurídico, o doutor Maurício de Tebas, o conselheiro Souza, o jornalista Dourado Pina, a Ramon Velasquez mexicano amigo de longas datas de expor sua cuia para colher nicas no verão em Vilas do Atlântico; o turista russo Vladimir Popov que anda sumido e nunca mais retornou à Bahia creio temendo ser envenenado; a Besnosik guia espiritual do carma antigo; a bruxa Conegundes e seu secretário Piko, el devasso, (para ‘la bruja’ trarei um panelão de ouro e uma pá de prata para mexer seus feitiços) a secretária Ju Faldas, ao cabo Fiuzão, ao m eu barbeiro Soté que Deus levou para sua morava ano passado e me deixou a aparar o bigode no Matos, ao quase vereador Bino Ariáte, a Berraz, Eufrásio, Sindé, Eliezer Boca Murcha e Zé do Alho.
 
   Também não poderia deixar de agradecer a autoridades e personalidade de alto relevo, o papa Francisco, que muitos chamam de comunista, ao professor e messias presidente que nós dá tantos motivos para crônicas e charges, ao Mandeta, ao Teich, ao Pazuello, ao Maia, ao Costa, ao Silva, aos políticos brasis que são inigualáveis, ao meu amigo detetive Murdock, apreciado bastante pela Ester por seu estilo romântico, a delegata, a Jesus Cristo porque sem ele não tem graça e os crentes asseguram que ele vai voltar assim como os portugueses de antão achavam que dom Sebastião iria retornar da África onde foi degolado pelos árabes.

  Jorg CUC que é meu leitor número 1 já disse que está com saudade das crônicas, mas tudo que tem um começo tem um fim e não poderia fazer como aquele promotor maluco que fez um livro de 1000 páginas porque senão ninguém vai ler, sequer vai ter forças para segurar o volumaço, um livro tipo copista dos monges do século XV, na Europa.

  A propósito não poderia deixar de falar do poeta Serafim Alves, do filósofo Pato de Almeida, do sociólogo Seramov, três dos meus heterônimos prediletos, mas, nada que supere o Lubi visto que este caiu no gosto popular, possível candidato a vereador na próxima eleição na coligação Vou de Rock.
  
  Então, estava a fechar esta crônica quando liga-me o Serafim, irritado, dizendo que soube através das ondas da Rádio Mundial, programa do Berraz, da nossa viagem aos Pirineus da França e que não tivera a atenção e o zelo de falhar-lhe pessoalmente para não ficar sabendo por terceiros, ainda mais que o propósito da viagem é descobrir um tesouro multimilionário.

  - Ora, meu poeta predileto, não lhe falei para fazer-lhe uma surpresa, na volta, com um colar de diamantes para o amigo presentear a esposa dona Carolina e o livro das Mil e Uma Noites, em ouro, para o distinto. Assim como presentearei o filósofo Almeida com uma coroa de prata e o ilustrador Seramov com penas de ganso de ouro, bicos p2 de diamantes. 

  - Sabia que o amigo não esqueceria de mim e da Carolina. Vamos ficar lisonjeadas com os mimos.
A Ester, que assistia nossa conversa, interrompe a tertúlia e chama para o jantar. Antes, fez o adendo: - Dona Biliu ligou para saber se está confirmada nossa reserva no Jorro no próximo final de semana.
 
-   Confirme, ora bola, estou focado na França, nos Pirineus, em Rennes-le- Château. De lá voaremos para Paris.
 
   Ester sorriu: - Só se for voar para os Pirineus do Morro do Buraco do Vento, no Tucano. (THE END)
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   ****Agradeço à aqueles que leram essas crônicas. Muito obrigado.