terça-feira, 17 de outubro de 2017
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

PLEBISERRA: Lobisomem de Serrinha analisa criar a REPÚBLICA DO SISAL


República do Sisal será primeira da América Latina a ter um foguete igual ao da Coréia do Sul e armas nucleares
09/10/2017 às 20:00
   Na onda do plebiscito realizado na Catalunha, Província Estado da Espanha cuja capital é Barcelona, que deseja ser um país independente com o nome República Catalã, outros povos se movimentam, entre eles, o País Basco, também na Espanha; os curdos e o desejado País Curdo, no Iraque; os brasis do Sul - Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná - que realizam o Plebisul; o Sudão do Sul, e nós aqui temos recebido alguns apelos para criarmos a República do Sisal tendo como capital Serrinha tornando-nos indepentes do Brasil.

Na última quinta-feira, inclusive, estive participando de um culto na Igreja Triangular do Deus Salomão e assim que desci do carro na porta do templo na Manoel Novaes, um cidadão respeitável que se chama Eleotério, abordou-me mostrando duas senhoras que seguravam uma faixa estendida em cabos de vassoura onde se lia: "Independência Já". E o dito senhor falou-me que, como maior liderança pollitica local, deveria comandar "a criação da República do Sisal". 

Fquei assustado com aquele apelo e adentrei ao templo dirigindo-me á parte da frente para tomar assento numa das cadeiras e nesse percurso, entre a entrada do salão e a parte dianteira, ouvi muitos fiéis gritando palavras de ordem, dentre elas, "Independência Já"; "Independência sem mortes", "Por uma Serrinha independente" e "Serrinha unida jamais será vencida".

E durante a pregação ecumênica do bispo Samacho, mais conhecido como "Boca do Mundo", o próprio falou das inúmeros vantagens de termos a República do Sisal, citou que a estrada principal que corta nosso território está esburracada há anos e ninguém toma uma providência, que faltam hospitais para o povo, escolas para as crianças e adultos, e seria mais do que justo nos tornarmos independentes porque o Brasil não liga para nosso sofrimento.

E mais: nunca um presidente da República pisou os pés em Serrinha neste 517 anos da descoberta do Brasdil por Pedro Álvares Cabral. E, apontando para mim revelou: - V.Exa, senhor Lobi, tem essa missão que o povo lhe confere e se quiser poderemos fazer um plebiscito o PlebiSerra para senitr o desejo da massa popular. 

Diante de tantos apelos senti-me orgulhoso, agradeci os elogios e a confiança do meu povo, mas, decidi, ainda que de maneira informal reunir o nosso Conselho Político no Boteco do Teco, com ata a ser registrada por minha esposa dona Ester Loura havendo como testemunhas do encontro dona Antonha Licorista e nossa lider espiritual Ó Santa, que é vinculada ao povo de santo.

Reunidos em Teco após chamamento que fiz no whatsApp, o primeiro a fazer uso da palavra foi o empresário Alírio Vermelho, do Cantinho, o qual disse ser favorável ao plebiscito e a independência. Frisou que seu voto seria SIM e apontou além do abandono da Estrada do Sisal já citada pelo bispo Samacho, "que mais parece o solo lunar", a falta de um hospital de porte com UTI, incentivos para os empresários quitarem suas dívidas com perdão e externou sua confiança (apontando para mim) para que o projeto fosse para frente.

O segundo a usar da verve foi o senhor Teco, o qual também foi favorável a independência, porém achou que seria de bom tamanho que a Região do Sisal ao invés de ser República do Sisal poderia ser Estado do Sisal, desmembrando-se da Bahia e criando um estado independente, como alías deseja a Região Oeste com o pré-nascente Estado do São Francisco.

O conselheiro Tolentino Caneco, terceiro a falar, concordou de certa forma com Teco e ponderou que República do Sisal seria um exagero porque a região não tem mar, daí que, "como vamos constituir nossa Marinha de Guerra"? - perguntou.

Dando sequência a tertúlia, em seguida, fez uso da palavra o edil Reizinho, o qual se disse preocupado porque a região não tinha estofo para ser um Estado, quiçá uma República, e arguiu que a economia regional mal dava para a sobrevivência dos locais, daí que seria melhor desistir da idéia e se manter dependentes da Bahia e do Brasil.

Fechando a primeira rodada de conversa foi a vez de Pinguinha, o 'botequier', emitir sua opinião, o qual fez de forma arrrojada defendendo a República do Sisal e frisando que, se a região não tem mar, há vários açudes e "nossa Marinha pode ser equipada como minisubmarinos e armas nucleares como os coreanos do Norte". Destarte, lembrou aos nobres conselheiros que Brasília não tem mar, mas, tem Marinha e até um Ministério.

Nesse ponto - em aparte - Alirio Vermelho concordou e disse que se existirem incentivos financeiros do governo da República do Sisal, sua empresa será capaz de construir foguetes como os testados na Coréia do Norte e, batendo no peito destacou: "Vamos ser a primeira República na América Latina a ter armas nucleares".

Dona Ó Santa, até então calada, pediu a palavra e perguntou como seria a bandeira e o hino da República do Sisal.

Foi então que, como mediador do encontro, ponderei que isso seria o de menos, a planta do sisal e uma cabeça de boi seriam símbolos em destaque, as cores seriam verde e amarelo, visto que o verde representa o sol e o sisal; e o amarelo o ouro do subsolo que vai da Teofilândia a Santaluz, hoje explorado pela Yamana Gold, amarelo que também representa a mangaba, e a frase a ser estampada poderia ser: "O Futuro é Aqui".

- Brilhante, comentou Pinguinha; - Fantástico, enalteceu Teco; - V. Exa. como sempre fenomenal, frisou Tolentino; - Um gênio em criatividade, destacou Reizinho; - Visão empresarial fantástica, asseverou Alirio Vermelho.

Ó Santa voltou a fazer uso da palavra e disse que, até concordava com o dito sobre a bandeira, sugeriu que Maninho Pintor e doutor Braúna produzissem a letra a música do 'nosso hino pátrio' e ponderou que faltava inserir algo mais forte relacionado a natureza para agradar ao povo-de-santo.

Pinguinha rebateu: - Se for assim pra agradar a um e a outro, os evangélicos tanbém vão querer, porque eles estão gulosos demais.

Ester Loura anotava tudo num caderno para confeccionar a ata e, por fim, dona Antonha Licorista obtemperou em 'questão de ordem' levantando a palma da mão, que se todo mundo quer inserir algo na bandeira ela também defendia colocar um jenipapo para difundir o seu licor.

Sem consenso, dei por encerrado o encontro, defendendo que todos esses pontos serão analisados após o PlebiSerra.