terça-feira, 17 de outubro de 2017
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

LOBISOMEM DE SERRINHA lembra do meteorito que explodiu o trem da Leste

Todos os fatos aqui narrados na Serra estão documentados no Museu Pró-Memória de Sêo Edmundo Bacelar
04/04/2017 às 12:06
E​m toda quaresma é assim: o satanás mostra suas garras. Minha sorte é que sou abençoado pelo bispo Lopez e nada me atinge no plano espiritual, pois, no terreno, essa herança maldita deixada pelos barbudinhos gananciosos, essa crise que parece não ter fim, deu-me um baque.

   De quebra, e aí suponho que seja coisa do Demo, astuciaram até um terremoto na capital baiana e sua região metropolitana, certamente com o objetivo de tumultuar esse outono de 'casamento da raposa', justo no dia em que se fazia uma manifestação em apoio a Operação Lava Jato. 
 
   A coisa foi séria pelas redes sociais. A imprensa baiana embarcou de cabeça no sismo e teve esepcialistas em facebook dizendo que o tremor de Salvador tinha uma relação direta com um terremoto no Peru e aqui chegara mais brando diante da distância entre os dois países.

   Tanto que, o desabamento de tábuas do coro da Basília do Bonfim só aconteceu no final da tarde de domingo, na missa para o ex-vereador Antônio Lima, o feirante, o pároco Edson Menses, dizendo que 'Senhor do Bonfim não deixa ninguém na mão', ficando a dúvida se o padre abençoou o terremto ou se o Senhor não permitiu que as tábuas afundassem as cabeças dos fieis.

   Alguns engraçadinhos - seria coisa do Demo ou dos barbudinhos - disseram, via redes sociais - manancial de 'sábios' de plantão - que o tremor teria sido provocado por britadeiras da Prefeitura, uma vez que o senhor alcaide, adora obras com concreto e calçadões acimentados.

   E outros atribuiram o tremor a folclórica religiosidade dos baianos, aviso dos céus, de que é preciso rezar mais, orar com fé, porque, quem assim não faz 'quanto mais se reza mais assombrações aparecem'. E se tinha um camarada de fé era 'Antonho' Lima, o feirante, daí que o tremor na Basílica do Bonfim, não foi culpa dele.

   Depois, técnicos em meteorologia ouvidos pela imprensa disseram que pode ter sido um meteorito que caiu no mar, uns dizendo que tinha a forma de acarajé e a queda deu-se na altura do Rio Vermelho, coisa da finada Dinha; e outros dizendo que caiu na área da Baía de Todos os Santos próximo da Marina de Sêo Loureiro, meteorito em forma de lancha.

   Felizmente, aqui na Serrinha, não houve terremoto algum e terra acá só tremia nas noites de Sâo João quando seu Antônio Nunes, morador do Largo da Usina, lançava bombas de bater nas paredes do Armazém de Sisal de Sêo Feliciano Oliveira e eram tão fortes que, quando da construação da Igreja Nova, hoje Catederal Basília, o mestre de obras Sêo Evangelista consultou Sêo Emilio Construtor e este aconselhou cavar um alicerce de 10 metros de fundura e 1 e meio metro de largo para colocar as armações de ferro no modelo pés de galinha, para que a igreja não caísse.

   Tivemos também outro tremor de terra quando a caldeira da Locomitiva 500 da Leste Brasileiro, na década de 1950, explodiu na estação do trem matando algumas pessoas, aleijando outras, tanto que Pedro Baleiro, depois comerciante na Luis Nogueira e homem de rendas e empréstimos com banca adjacente ao Bradesco, foi atingido por uma aruela na perna direita,devidamente ancanada por doutor Germano, mas, ficou o resto da vida capenga, até que foi chamado a morada do Senhor. Que Deus o tenha. 

   As discussões sobre o acontecido foram intensas, constituiu-se um grupo de nossos sábios no Hotel da Leste, hoje, hospital de doutor Ferreirinha, e o alemão Lorens, um dos notáveis, e mais doutor Michel Nogueira e o cientista Ernesto Tipógrafo chegaram a conclusão que a explosão fora causada por um meteorito.

   Outro tremor notório aqui na Serra teria acontecido quando o homem chegou na lua, na década de 1960, e o então prefeito Carlos Mota decretou feriado municipal para que o povo, no Largo do Ginásio, algumas familias munidas de binóculos pudessem assistir os astronautas Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisar no solo lunar. Nesse momento, alguém gritou que o ginásio estava desabando diante de um possível tremor e houve uma correria enorme dos presentes, registrando-se alguns feridos no tumulto. 

   O finado Padreco contou-me esse fato como verdadeiro e há fotos de Wilson marido de dona Maria Amélia como prova.

   Dias depois, houve uma enorme discussão no Abrigo de Gó se teria sido um meteorito que caira nas proximidades do Cemitério do Padre Demócrito, mas, depois de peregrinação ao local, mestre Zuminha e o delegado de 'puliça' Osvaldo Campos, e outros que serviram de testemunhas, incluindo Zé Sacristão e Pedro Chibarra asseguraram que nada encontecera e o dito ficou pelo não dito, sendo que registro histórico autêntico que se conhece em nosso Sertão foi o acontecido em Bendengó, meteorito achado por Joaquim da Mota Botelho, em 1784, e que se encontra no Museu Nacional do Rio de Janeiro, desde 1888.

   Acontecido notável também em nossa Serra deu-se em 1938, no governo de Dr André Negreiros Falcão, quando repercutiu na city princesa comentários feitos por Orson Wells, na CBS, da invasão de marcianos em várias cidades norte-amercicanas, a partir de Grover's Mill, no Estado de Nova Jersey, o que também poderia acontecer no Brasil, uma vez que o desejo dos 'vermelhos' de Marte eram tomar o poder na Terra, o que causou uma mobilização das nossas tropas sob o comando do então presidente da Câmara de Vereadores, vereador Emiliano Alves Santiago, com a população se entrincheirando na praça Luis Nogueira, uma repetição da mobilização feita contra os cangaceiros de Lampião.

   Felizmente os marcianos não chegaram para tomar o poder, nem houve qualquer abalo terrestre nem luzes incandescentes provindas dos céus, das naves dos orelhudos, salvo o piar de corujas nos otizeiros da praça.

   Registre-se, ainda, nova mobilização do nosso povo guardião templário quando da passagem do Cometa Kohouteck, em 1973, uma onda enorme de que a Terra iria ser destruida com o choque desse cometa, muita gente rezando na igreja matriz de Sant'Anna pedindo pelo menos a salvação de suas almas pecadoras, uma procissão foi organizada pelo padre Demócrito até a colina da Santa, nossas forças antiaéreas foram mobilizadas, muita gente concentrada na Praça Luis Nogueira usando óculos escuros para esperar o momento final e, felizmente, nada aconteceu.

   Há registros documentais de algumas pessoas que viram o Kohoutek, outros que não viram, discussões que seguiram meses adiante no Salão de Oficial, o banjista Papagaio, excelente barbeiro, sendo um dos que viram.

   Tanto que nossa comunidade, diante de tantas ameçadas do fim do mundo, de tremores, de marcianos, de seres extraterrenos, ficou descreente de meteoritos e assombrados que, quando a passagem do Cometa Halley, realizou-se foi uma festa no Clube intitulada a "Cauda do Cometa Hsalley" e eu mesmo não estive presente porque minha esposa Ester é superticiosa e ficamos em nosso sítio apreciando o luar.