quarta-feira, 23 de outubro de 2019
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

LOBISOMEM DE SERRINHA quer imitiar Cézar e leva colher de pau na testa

Ester reprova ideia do Lobi em fazer nu artístico e tudo não passa de uma brincadeira do Lobi com os amigos no Buteco do Teco
04/05/2015 às 11:15
Aborrecida com a inundação do Shopping Serrinha pelas águas das chuvas, dona Ester Loura reuniu suas amigas num chá das 5 no alpendre de nossa residência e a conversa mais palpitante do convescote foi sobre a fantasia sexual do vencedor do BBB-15, o cowboy Cézar Lima, o qual manifestou desejo de fazer sexo com alguma parceira sobre um cavalo.

   As opiniões foram as mais diversas possíveis entendendo-se, quase por consenso, que seria uma posição muito incômoda e admitindo-se que, hoje, com as novas tecnologias as camas bigs, os colchões com amortecedores de toda natureza, a opinião do cowboy não foi acatada, ainda que uma senhora que adora esquipar num baio tenha achado interessante a ideia.

   De minha parte, como não participei do encontro, até porque foi reservado somente a senhôras, durante a noite, quando estavamos assistindo a insossa Babilônia, Inês dando aqueles chiliques costumeiros, foi que Ester veio comentar o assunto e tomei conhecimento do mesmo e da intenção do fortudo Cézar.

   - Que lhe parece essa fantasia de Cézar - perguntou-me uma desconfiada Ester.

   - Não tenho mais idade para esse tipo de estripulia. De qualquer maneira, cada qual pensa de uma forma e diria que, em parte ele tem razão, pois, se conduzimos uma senhorita nova no selim acolchoado seria de bom alvitre.

   - Então, o 'burro' velho admite que também faria sexo dessa maneira quando não está aguentando  montar direito no burro pega pra tanger o gado! Era só o que me faltava! 

   - Você me fez uma pergunta e eu lhe respondi porque se v não sabe fique sabendo, 'burro véi' gosta de capim novo e uma coisa é montar no pega e tanger vacas; e outra coisa é acariciar uma novinha num selim.

    A conversa, a partir daí, não prosperou. Dona Ester fechou a cara pior do que a Inês, retirou-se da sala e amuou no quarto.

   Fazer o quê! Continuei vendo Babilônia e, de quebra, ainda vi o glorioso Bahia ser vice-campeão do Nordeste.

   No outro dia, a muher quase não fala comigo e só serviu um cuscuz sem sal e ovos mexidos pra meu café da manhã. Faz parte. 

   No final da tarde depois de um dia com muito trabalho fui até o Buteco do Teco tomar uma gelada e por lá encontrei os amigos de tantas jornadas, Alírio Vermelho e Tolentino Caneco e resolvi aprontar uma com Ester pedindo ao 'chef' de barbacoa Pinguinha que ligasse para ela passando-se por um empresário da Revista H, afirmando que eu havia fechado um contrato para posar nu, imitando o cowboy Cézar.

   - Alô...é da casa do Lobi - ligou Pinguinha impostando a voz.

   - Sim, respondeu uma tímida Ester dizendo que, no momento, seu esposa não estava em casa.

   - Gostaria de deixar um recado confirmando o ensaio fotográfico para o domingo pela manã no Açude do Gravatá, em cenário bem natural quando ela aparecerá como veio ao mundo - frisou.

   - Como é essa história - arguiu Ester.

   - É um nu artistico. A senhora pode ficar despreocupada. Um nu igual ao que Cézar do BBB fez para o Mamarazzo.

   - Ele não vai fazer nu coisa alguma pois o 'lindo' dele é reservado, pessoal, e não pra ser visto por milhares de pessoas.

   - A senhora me desculpe mas ele tem um contrato assinado conosco e se ele não fizer o ensaio estará sujeito a uma multa pesadissima, tão cruel como as execuções na Indonésia.

   Ester bateu foi o telefone na fuça de Pinguinha e nós caimos na risada no Buteco do Teco entornando mais geladas.

   De toda sorte, mesmo tirando uma de João Sem Braço, me preparei para o pior quando chegasse em casa. 
E assim, logo que apiei do pega, ao chegar na varanda Ester estava com uma enorme colher de pau nas mãos, não sei se pra fazer uma canjica ou para lançar na minha testa, e ele veio com uma pergunta por mim esperada:

   - Que história de nu artístico é essa que você pactuou com a Revista H.

   - Deconheço tal contrato. O único pacto que conheço é o Pacto pela Vida.

   - Pois fique sabendo que o empresário da revista ligou aqui pra casa marcando para produzir as fotos no domingo do 'belezinha' aí.

   - Bem, eu não acertei nada, nem assinei qualquer contrato, agora, se a Revista H insiste, se a Revista H quer e o público feminino está ansioso pelo ensaio posso pensar no assunto.

   - Você vai pensar sabe no que é...

   Só ví foi Ester levantar a colher de pau em minha direção, arrodiei por detrás do burro pega e cai no descampado morrendo de dar risadas.