quinta-feira, 14 de novembro de 2019
Colunistas / Causos & Lendas
Lobisomem de Serrinha

LOBISOMEM DE SERRINHA lança suco de sapo cururu para competir com Peru

Lobi vai tentar um financiamento no Desenbahia para colocar fábrica em Serrinha
08/12/2014 às 12:45
É o que sempre digo a Ester Loura, minha senhôra, (desculpem a rima) sem marketing poderoso nosso suco de sapo cururu se limitará a ser vendido somente aqui na Serra e nunca ganhará as manchetes e o mercado internacional, como acontece agora com essa difusão do suco de rã comercializado à mancheia no Peru e na Bolivia.

   Divulgam que as rãs do Lago Titicaca são o principal ingrediente desse suco andino verde e que algumas culturas acreditam que tem o poder de curar a asma, a bronquite, a fadiga e até a falta de desejo sexual.
Diria que esse suco de rã dos patrícios andinos não chega nem ao chulé do nosso 'susacu', assim o povo apelidou nosso suco, com essa terminologia de cu, aquele lugar antero-posterior que solta ventos, que assovia em determinadas circunstâncias.

   E que, não diria que esteja cientificamente comprovado, mas, nosso suco levanta 'espada' até de defundo, no dizer populacho, cura tosse covulsa, limpa mancha de pulmão, combate o reumatismo nas juntas das pernas e, produzido com a nossa água contendo cantáridas, é melhor do que Ciales.

   Lá no Peru o método que os comerciantes usam é parecido com o nosso acá. Em Lima, na periferia, tem lanchonetes com aquários de rãs. Ao pedir um suco o atendente captura uma rãzinha, mata a tal, tira a pele e coloca num liquidificador com raiz de maca - tubérculo originário da Cordilheira dos Antes - e mel. 

   Aqui na Serra nosso  'susacu' é feito com a pele do sapo cururu, e temos um amplo criatório dessa espécie no açude da Cabeça da Vaca, um distrito de Teofilândia, e usamos o inhame que contém vitamina B12, água com cantáridas do poço subterrâneo de Biritinga, e uma mistura dosada de leite, mel e limão. 

    Meu amigo...é tomar e levantar. Não tem enjoo, não tem contra-indicação, não dá vermelhidão nos olhos como Viagra, não dá mal estar e se o camarada tiver com aquela tosse braba, três dias de 'sucacu' de manhã, em jejum, não fica cataro nos peitos, pula tudo fora, e a tosse vai parar no Jorrinho.

   Agora, o que nos falta é marketing, é contratar um Nizan Guanes e sua agência, nós que somos leitores dele no centenário A Tarde, aquela coluna cheia de otimismo e inovação, exatamente para que nosso 'susacu' ganhe o mundo, tenha uma nova roupagem, um nome fantasia menos chistoso e igualmente popular, como foi o picolé Itauna de Sêo Veloso; as balas Maria, de Sêo Marotinho; o pão de Sêo Limeirinha e os câgados no dendê de Sêo Nonô.

   Por enquanto, só vendemos em nossa tenda e mais até sob encomenda porque tem muita gente que não acredita em sua eficácia, e desmerece dizendo que tem nojo de comer sapo. Mas, temos muitos clientes, inclusive de gente que vem de Coité, do Araci, da Feira, até de Salvador. Aqui mesmo já chegou um camarada parente nosso lá da Feira, do ramo 'colberzão' que tomou o suco e ficou bom de tonteria.

   Diria que nosso maior concorrente, não chega a tanto porque cada qual tem sua especialidade, seu sabor, sua grandeza, é o suco de umbú de Moacir do bar, mais conhecida com a 'Umbuzada do Moacir' que tem 40 anos de tradição e também ainda não ganhou o mundo porque falta marketing.

   Quando falo isso a Ester ele vem com a conversa de que eu tô influenciado 'por esse tal de Nizan', 'que eu tô lendo sobre um tal de coaching' (pensa que é uma personalidade da literatura) que fico falando bobagens em vez de cuidar de nosso negócio principal que é a fabricação artesanal de tachos de cobre.

   Outro dia lembrei a ela que o pessoal das bebidas São Miguel, do Peru, começou do nada e hoje têm fábrica até em Alagoinhas que vende o 'Goob', refresco que adoramos. E disse assim: - Quem sabe a gente um dia poderia abrir uma fábrica do nosso suco aqui na Serra, num daqueles galpões da ex-Via Uno que está fechado, lá no Campo de Aviação antigo, e transformar o 'susacu' num produto quiçá internacional e gerar empregos e renda aqui pra Serra que anda combalida.

   - Você não tá tendo dinheiro ao certo pra pagar as despesas da 'toca' e fica sonhando com maluquices", rebateu.

   - Que maluquices! Poderíamos nos associar ao empresário Alírico Vermelho, poderíamos procurar o Sebrae, ingressar com um pedido de financiamento no Desenbenhia e tudo daria certo", completei.

   - O pessoal do Desenbahia não iria nem receber vocês quando falassem em suco de sapo cururu, em 'susacu' - gargalhou mexendo um conteúdo com cheiro de pamonha numa panela.

   - A gente trocaria o nome para 'Sucuinha' - Suco de Sapo Cururu da Serrinha - com nome fantasia de 'Suc' remetendo a sucesso, o que significa êxito total, com marca sendo feita pelo filho de Paulo Teíu e fotos da Panorama - aduzi. 

   - Esse nome, menos mal - contiuou sorrindo e de olho na pamonha para não passar do ponto.

   - Diria que, melhor ainda em nome fantasia-chamariz seria 'sucsex'. Você que entende desse ramo que acha? - perguntei.

   - Não acho nada. Sou uma senhora recatada, de respeito, devota da Imaculada Conceição e desse ramo sou analfabeta - respondeu.

   - Ora, Ester - ponderei - hoje o que mais se vende no mundo são produtos sexy e se emplacarmos o 'sucsex' teremos uma máquina de vendas melhor do que a Insinuante.

   - É, tem até sentido - Ester amoleceu a voz - se até aqui na Serra já tem loja de 'sex shop' vendendo até vibrador rotativo e gel pra orgasmo, de repente o 'sucsex' emplaca - sorriu.

   - A propósito, respeitada devoda da Imacula, você tem frequentado a 'sexy shop' pra saber dessas novidades?

   - Deus me defenda. Isso é pra umas ousadas amigas minhas e que me contam as novidades. Eu vou é pra igreja.
   - Tá bem - ponderei. Já que você fez essa pamonha vou aproveitar o embalo e produzir, em teste, um 'sucsex' especial.

   Ester arregalou os olhos e comentou: - Tem um cururu bem gordinho na saparia, pegue ele.

   A coisa tava ficando boa. Peguei o tal sapinho, tirei a pele, coloquei no liquidificador, adicionei inhame, uma folha de hortelã, leite, mel e uma colher de sumo de limão e um pouco do gel pro orgasmo que Ester disse ser de uma amiga dela. Bati tudo e tomei um copo de 300 ml.

   Sêo moço! Aproveitando que era noite de lua cheia, Ester que não é de fazer artes, nesse dia fez. Colocou uma máscara de mulher gato e viu estrelas no firmamento que nunca enxergava.

   O caminho agora, não tenho dúvida, é irmos ao Desenbahia pra conseguir um financiamento ao 'sucsex'.